Cada vez que fico mais velha reflito mais qual é a minha parcela de responsabilidade sobre o que acontece comigo. Quando eu era mais imatura, atribuía tudo o que acontecia aos outros, ou ao acaso, ou a energia do local. Até hoje erro e faço isso, apesar de fazer com uma frequência menor.
Desse modo, a reflexão mais importante a se fazer é: Qual é a parcela de responsabilidade que você está assumindo na sua vida? Pessoas ou fatos externos mexem muito com você? te desestabilizam?
Se a resposta for mais para SIM do que para NÃO é o momento de começar a refletir. É o momento de se fortalecer. Algo pode até te chocar, a pessoa pode até ter uma atitude que você não concorde ou te surpreender negativamente em algum aspecto durante a vida. Mas só você tem o poder sobre este fato, e sobre o quanto irá deixar isso te afetar ou sugar sua energia.
Tem poder melhor para desenvolver que este? Poder sobre sua própria vida? É sempre você com você. Suas interpretações, suas reflexões, seu modo de receber as coisas e de olhar o mundo.
Tem sempre aquela história que todos já lemos em algum lugar: você inicia cada dia com uma página em branco para escrever sua história. Prefiro voltar isso para dentro de mim e dizer que inicio meu dia com uma mente que pode me atrapalhar ou me ajudar. Tem dias que ela me atrapalha, confunde tudo e faz com que eu veja o mundo meio “blá”, e isso obviamente desencadeia um dia zero produtivo e que eu me arrependo no fim por não ter cumprido meus objetivos e não ter feito o que eu queria fazer. Mas tem dias que minha mente me ajuda em tudo e meu dia é incrível.
O que o dia externo teve a ver com essas duas situações? Nada. Claro que acontecimentos externos podem nos alegrar e melhorar nosso dia ou nos deixar mais tristes, mas o foco aqui é no que nosso mundo interno tem para acrescentar na nossa vida. O meu mundo interno e minha mente é que interpretaram, perceberam e decidiram coisas diferentes nesses dois dias.
Mas por que é mais fácil em alguns dias funcionar? e em outros não? Isso é um mistério. Todos nós temos momentos bons e ruins, e isso faz parte da condição humana. Mas uma coisa é certa: se aprendermos a trabalhar a nossa mente, os dias mais difíceis podem ser transformados em dias mais fáceis. Não é simples e requer muito esforço e autoconhecimento. Ninguém nasce pronto. Mas a vida não é feita disso mesmo? O que seria dela se já tivéssemos tudo pronto?
Os contratempos, as situações difíceis podem aparecer e serem sim frutos do acaso, mas pare pra pensar nesses anos que já viveu (desde que nasceu) em quantos dias teve contratempos externos graves que não esperava? Uma grande parte da nossa vida é controlada por nós, e a nossa mente pode ser nossa amiga ou nossa inimiga para isso.
O livre arbítrio existe e ele é lindo, mas ele para ser bem aproveitado vem com um preço. Esse preço é o esforço e o autoconhecimento. Temos livre arbítrio até na forma como encaramos os contratempos e as dificuldades, os dias ruins, improdutivos, tristes, desesperadores e por ai vai.
Quem faz seu dia é VOCÊ. Então comece o dia cuidando da sua mente, seja da forma que preferir (meditações, terapia, reflexões, vizualizações, positividade). Tente cuidar da sua mente para ela estar pronta para encarar as situações mais complexas de uma forma produtiva. Já dizia Carlos Drummond de Andrade: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.
SUA vida é de SUA responsabilidade. Quer ser feliz? Busque essa felicidade. Não espere dos outros. Vença seus medos, se arrisque e se respeite também em primeiro lugar. Saiba ser gentil e educada (o) com as pessoas, peça desculpas quando errar. Aprenda e queira evoluir sempre. Você se sentirá melhor, você será melhor para você mesmo e consequentemente será melhor para o mundo.
Viva a busca! Viva o autoconhecimento! Enquanto estamos vivos, sempre há coisas para melhorar! Que essa força esteja presente dentro de cada um de nós todos os dias!
Finalizo com nosso Drummond, que tanto acrescentou e acrescenta até hoje ao mundo!
“Definitivo
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente connosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional…”
Carlos Drummond de Andrade
“A resposta é simples: se iludindo menos e vivendo MAIS” E como vivemos mais? FAZENDO, AGINDO, ESCOLHENDO! Está nas AÇÕES, e está em nossas mãos!