Essa é uma expressão da psiquiatra e psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen e o que ela afirma com os “falsos yo” do mundo (expressão em espanhol) é que as pessoas não são quem são, e principalmente não mostram isso em redes sociais, mas sim o que convém que pensem que elas sejam.
“Yo no soy yo, sino lo que me conviene que piensen que soy” fala pronunciada pela psicanalista em uma entrevista ao EL PAÍS.
Isso cansa. Cansa a sociedade e cansa o ser humano. Não é atoa que temos cada vez mais casos de depressão, ansiedade, suicídio, dentre tantas outras psicopatologias.
A maior parte das pessoas compram a vida perfeita do instagram e das redes sociais no geral, compram a ideia de que para serem felizes necessitam de dinheiro e sucesso, e de serem mais eficientes. Essa idéia a primeira vista pode ser sedutora, mas é muito simples para a complexidade do que é uma vida humana nos seus prazeres e desprazeres.
É uma ideia que na verdade se encaixa na lógica perfeita da sociedade de mercado, cada vez mais capitalista e aniquiladora.
Todo o ser humano deveria se permitir S E R. Essa é a verdadeira liberdade. E isso inclui ser forte, ser frágil, ter medo, ter esperança, sofrer, ser feliz- S E R em todas as suas facetas e sentidos.
É só olharmos para dentro e para a natureza humana para percebermos como a lógica atual é falsa, e pior- como ela vai te matando aos poucos. Já que ao negar sua própria humanidade, você acaba adoecendo de diversas formas.
Os “falsos yo” nos tira a capacidade de pensar, de enfrentar a contradição humana, de ter a consciência real do que é S E R na sua globalidade. Nós, jovens, temos um dever em repensar constantemente essa lógica de mercado e qual é o preço que ela coloca na saúde mental dos indivíduos.
O problema não é querer ter sucesso, crescer, se desafiar. Isso é até um certo ponto saudável. O problema é achar que a vida é só isso e que o certo é ser feliz o tempo todo. Eis o problema. Pois acredite, você pode tentar fingir ou se forçar ser feliz o tempo todo, mas ainda assim a angústia vai te encontrar e o sofrimento também. Simplesmente porquê é natural, é humano.
PS: falo aqui do sofrimento e angústias humanas, claramente quando digo que é natural não me refiro aos graus de sofrimento das psicopatologias; existe uma linha entre quando deixa de ser natural e se torna patológico, e identificá-la nem sempre é fácil.
Que paradoxo mais veemente temos no mundo atual: quanto mais se busca incessantemente a felicidade, mais se sofre. Onde está o erro?
Resposta complexa, mas um começo pode ser olhar para dentro, e a partir disso reconhecer como o mundo se torna cada vez mais ilusório e mentiroso. Poupemos sofrimento escolhendo o verdadeiro eu, sempre.
Deixo uma última reflexão: Você consegue ser seu verdadeiro eu neste mundo? Ou você prefere viver de aparências externas? E se corroer por dentro na realidade da sua própria mentira?





