1- O cheiro da Vida

Amo esse cheiro da vida

O que sentimos quando andamos pela rua

Cruzamos com a fragrância de um perfume

Quando sentimos o cheiro de pressa

O ar quando se levanta no asfalto com a passagem dos carros

As conversas na esquina

Os olhares de preocupação no trânsito

Os Sorrisos da criança indo para a escola

O companheirismo de uma relação

O trabalho árduo da construção

Se prestarmos mesmo atenção, em todos os momentos a vida se faz presente

Um presente

Ela comunica com o cheiro, o andar, o barulho, o olhar

Ela se comunica das mais diversas formas

E como é lindo o cheiro da vida

Pois apesar de suas dificuldades e limitações

Ainda assim é a vida

E enquanto há vida

Há esperança

Há desejo, mesmo que seja do fundo, de que as coisas possam mudar

Melhorar

Se modificar

Maturar

A vida ensina até pelo seu cheiro

Se nos dermos a chance de estarmos atentos. 

Que bom que há vida, e enquanto ela existir, todos os dias devem ser celebrados

Nem que seja por um só momento. 

A.L.P

Sustentação

Quando dou um google no significado de sustentação, me aparece: Ação de sustentar; manutenção, sustento, conservação.

Essa palavra engloba muitos sentidos, e um deles é a importância de sustentarmos nossas ações, escolhas e inclusive desejos. 

Muitas coisas que pensamos ou ideias que temos na vida não encontram motor para andarem em direção a sua realização. Por vezes desistimos. Sim, nós seres humanos temos dificuldades em sustentar muitas das coisas que queremos. Seja estudar uma nova língua, emagrecer, aprender algo novo, iniciar um novo curso ou até colocar em prática aquela aspiração profissional de nosso desejo.

Acredito que isso aconteça por diversas razões, e por distintos mecanismos de funcionamento da mente humana. 

Como então sustentar algo que desejamos?

Para que uma casa se sustente ao vento ou as tempestades do mundo exterior é preciso que o alicerce dela esteja fortificado. Essa frase eu roubei da minha mãe, créditos à ela. 

Então, querido leitor, eu te questiono: Como você irá formar seu alicerce interno? Aquele que irá te sustentar perante as adversidades da vida? E irá também permitir que você conquiste seus sonhos?

A subjetividade humana e a complexidade da vida não permitem respostas prontas. E que bom. Desconfio e não acredito em quem providencia fórmulas mágicas para alcançar determinados objetivos. Acho que quem já experimentou pode ter percebido que isso não se sustenta. As vezes funciona por um período. Outras vezes nem funciona. 

Na minha reflexão interna sobre sustentação de ações, acho que duas variáveis principais precisam ser consideradas: o esforço e o dia a dia (presente). 

Tendemos a projetar muito para o futuro ou remoer demais o passado, mas na verdade isso é apenas uma autossabotagem interna. Aquele ditado popular nunca fez tanto sentido “Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. 

O problema é que deixamos. Muitas coisas. Seja por quais diversas razões. 

Mas repito a pergunta: Como formar nossos alicerces internos?

Aqui vai algumas de minhas reflexões, sem certezas ou verdades absolutas, apenas uma permissão ao pensamento para um encontro de possibilidades. 

É preciso admirar quem se é e o que se está construindo. Acho isso crucial. 

É preciso ter compaixão consigo mesmo. Habilidade difícil de ser desenvolvida.

É preciso ter compaixão com o outro. Perdoar também é algo que deveria ser buscado sempre.

É preciso tratar as próprias dores. Uma casa só estará bem construída se conhecer bem seu material e as limitações do mesmo.

É preciso escolher a vida que se quer ter e lutar todos os dias para sua realização.

É preciso fazer os esforços necessários para alcançar os resultados desejáveis.

É preciso entender as limitações do momento e tentar descobrir até onde se pode ir.

É preciso construir uma confiança interna.

Dessa maneira, se torna necessário construir todos os dias este alicerce interno e cuidar dele durante o tempo, para que ele se mantenha igual a uma obra de arte, transcendente ao tempo, já que é interno.

Que seu alicerce interno seja o património mundial de sua humanidade. E que você tente todos os dias construí-lo um pouco através do olhar para dentro de si. 

É exatamente por está razão que acredito na saúde mental preventiva. Não precisamos esperar que fatalidades ou dificuldades apareçam no caminho para buscarmos ferramentas para enfrentá-las. Podemos construir nossas próprias ferramentas internas todos os dias e nos esforçarmos para ir à luta de nos tornarmos conscientes de quem somos, das nossas limitações momentâneas, do que estamos dispostos a realizar ou não, e o que precisamos continuar tentando. 

Cada um possui as pistas dentro de si. Siga as próprias instruções internas e esteja disposto a passar por este longo processo. 

Administrar a vida: o exame de consciência diário e fulcral

Todos nós precisamos de uma dose de administração na vida. 

Administração da rotina, do tempo, das questões emocionais que ainda não tem solução, das ansiedades, das angústias …

Então eu te convido a refletir: como você está lidando e trabalhando com a administração da sua vida?

Ela tem que ser reformulada, pensada, e modificada em muitos momentos. Não tem um jeito certo, tem o seu jeito certo e o que te traz tranquilidade.

Perdemos muito tempo reclamando, em redes sociais, ou simplesmente com preocupações desnecessárias. Como já dizia o filósofo Epiteto, precisamos nos ocupar do que nos cabe, do que é de nossa responsabilidade. O resto é simplesmente resto, e não devemos tentar controlar. 

Isso é um grande desafio, parece fácil, mas é só uma ilusão de facilidade. A verdade é que gastamos muito tempo do nosso dia com coisas desnecessárias. Depois achamos que não temos tempo para o que realmente importa. Um planejamento pessoal é essencial para que as conquistas pessoais mais genuínas e importantes sejam alcançadas.

Não só um planejamento, mas um suporte emocional, mental, físico e várias outras variáveis que se cruzam para determinar a vida de todos nós. 

É preciso parar. Parar e realmente pensar o que é importante e com o que estamos gastando nossa energia e nosso TEMPO (a coisa mais preciosa que existe).

Se pensarmos bem, tudo que não tem solução pronta precisa ser administrado. E a maior parte das coisas da vida não tem uma fórmula pronta, e sim precisam ser administradas todos os dias. Não existe solução mágica para, por exemplo, “ser magro para sempre”. É um esforço diário e contínuo para o resto da vida. A mesma coisa em relação ao dinheiro, exceto uns mínimos casos que não precisam se preocupar com ele, é preciso administrá-lo se quisermos tê-lo para fazer as coisas que desejamos.

Tudo na vida precisa de administração e cuidado. E isso necessita ser feito todos os dias. Nada fácil. Mas se não tivéssemos que fazer isso, o que seria o viver? com tudo já pronto ao nosso dispor? Não creio que seríamos felizes. Ao mesmo tempo que o que aconteceria se não tomássemos banho todos os dias?

Já parou para fazer essa auto-reflexão hoje? Ela precisa ser realizada todos os dias- um exame de consciência. Mudar rotas, buscar novos trajetos e arriscar diferentes formas de transformação é o que faz a vida valer a pena.

Caso contrário irá sempre existir a mesmice de uma vida longe de todas as potencialidades que um ser humano poderia exercer. Potencialidades essas únicas de cada ser. 

Na Consciência ou no Inconsciente?

O quanto você suporta ver o que não é agradável? sobre você mesmo? sobre o outro?

Será que temos escolha em qual local o conteúdo vai ficar? Qual é melhor? Submerso ou na superfície?

Independente do local o qual estiver, ele estará da “carne para dentro”. A psicanálise permite que lancemos luz e que seja possível perceber certos conteúdos conscientemente que insistem em fugir e escaparem de nossas ferramentas mentais para capturá-los. Mas quando a luz se dá, surge um novo desafio e ansiedade: aprender a lidar com isso. 

Existem fórmulas? Obviamente que não. Então não seria melhor não ver? Obviamente que não. 

A consciência que permite a mudança verdadeira, se existe alguma chance de ela acontecer dependendo do que reconhecemos e o quão complexo são os processos para chegar até lá. 

Essa consciência é a que o Psicanalista Flávio Gikovate chama de consciência maior, a qual razão traz um bem-estar e um sentido de estarmos de acordo com nossos princípios mais profundos. O fortalecimento da razão desta consciência é o que pode levar o ser humano ao caminho de uma vida mais plena e com sentido.

Ele estabelece também a consciência oficial, fruto da cultura e das imposições de normas sobre como devemos viver. Precisamos lançar luz e estar de acordo com nossa consciência maior, essa é a única forma verdadeira de fortalecimento, e ela é única para cada indivíduo.

Essa consciência incomoda, disturba a ordem no início, mas com o tempo ameniza e dá força sobre os impulsos mentais. É o uso da razão e o fortalecimento da mesma ao nosso favor, para vivermos vidas mais satisfatórias e coincidentes com quem somos. 

A consciência perturba a ordem previamente estabelecida. Te chacoalha um pouco ali, as vezes mais forte, as vezes menos. Ela mostra sua igualdade e insignificância. Ao mesmo tempo que mostra a particularidade da sua mente, única e sem igual.

Tem como vivermos melhor nossos dias? Obviamente que sim. Mas isso implica em viver mal alguns períodos, aprender a lidar com a natureza humana como ela é, aprender a ver a verdade e a suportá-la, implica muita dedicação e esforço para pensar e ser consciente. Parece fácil ser consciente, mas passamos a maior parte do dia não sendo. Não é fácil. É preciso sempre lembrar que tendemos a fugir do mais difícil e irmos em direção ao mais fácil, e muitas vezes isso irá trazer um enorme prejuízo de vida futura. 

Um brinde a consciência maior e a percepção da verdade genuína que existe em todas nossas ações e desejos! Que não nos cansemos de perseguí-la e aprender a suportar os desagrados, se encantar e usufruir do que ela traz de bom!

Ainda existe gentileza no mundo?

Como percebemos o mundo? Como nos percebemos?

Acredito que tem total relação com as pessoas ao nosso redor. E a relação com o outro nem sempre é fácil. Na verdade a complexidade do mundo existe devido as pessoas, e não ao mundo em si.

Qual é meu espaço? Qual é o espaço do outro? Até que ponto estou interferindo no espaço do outro e tirando o direito a sua liberdade? Seja em relacionamentos amorosos, familiares, entre amigos ou entre pessoas conhecidas. A questão é que como humanos, cometemos erros. O outro também.

Qual então seria o limite do posicionamento? O limite do perdão? Essas questões humanas são muito relevantes pois quando nos relacionamos, também formamos uma auto-imagem. Já diria Lacan abordando em uma pequena parte de sua teoria que é a partir do outro que nos construimos, no sentido de nossa imagem.

E quando o outro nos percebe de uma forma a qual não queremos? É problema do outro? Ou é problema meu?

Qual a realidade da percepção que permite diferenciar quando o problema é só do outro e quando é necessário olhar para dentro de si, com humildade, e mudar a postura?

É preciso muita sabedoria, autoconhecimento, percepção do outro e da condição humana. Isso não se ganha do dia para a noite. É construído.

Tudo isso para nos levar mais uma vez de encontro com as dificuldades humanas, essas que todos temos e que tornam as relações complexas e por vezes angustiantes.

Pensando em gentileza em meio a tempos de pandemia, competitividade e egoísmo, eu paro de pensar, e vivo na prática.

Sinto que as vezes só a prática e os reais acontecimentos podem restabelecer novamente uma harmonia e um sentido concreto para a dúvida (essa que fica só no pensamento).

Passamos por fases em que perdemos a esperança no mundo e nas pessoas, até aparecerem outras que nos mostram com gestos e ações que existe esperança, e nos ajuda a voltar a acreditar em um mundo com gentileza.

Quais são os desafios que temos que enfrentar na vida?

Cada um tem os seus. E são muitos. Diários que sempre dão um jeito de aparecer e se tornar presentes.

Quando lidamos com o outro, lidamos com um ser cheio de seus próprios desafios e complexidades, e esse mesmo ser é capaz de ser gentil e fazer renascer em você a esperança.

Conclusão: precisamos ser misericordiosos, assim como também precisamos da misericórdia alheia.

Sim. Pois temos um lado obscuro dentro de nós, o qual faz parte do humano, que nem sempre é bom, correto e legal. Podemos magoar o outro sem nem nos apercebermos disso. Mas podemos ser bons, genuínos e também compreensivos. Por isso nas relações existe uma troca constante, em que não existem bonzinhos e vilões. Existem questões pessoais mais ou menos complexas que implicam em toda uma série de ações e desdobramentos.

Ainda existe gentileza no mundo?

Comece se questionando e olhando para dentro de você e verá que sim. Não sempre, não em todos os momentos, mas existe. E as pessoas merecem que tentemos sempre ser cada vez mais gentis e respeitosos. Pois também em muitos momentos vamos precisar disso delas. E ficaremos muito felizes quando encontrarmos isso por um dia ruim. Ou por um dia bom também.

Relação é troca. Precisamos nos fortalecer em nós mesmos e tentar não fazer o mal. Apesar de todas as tempestades internas, agradecer.

Apesar das dificuldades que enfrentamos, uns dias sendo mais fortes e outros menos, temos que regar o verão em nossos corações, agradecer e admirar a vida na forma linda a qual ela se apresenta, e também na forma de aprendizado.

Difícil tarefa.

Que possamos ser gentis e prudentes neste momento de tanta dor no mundo.

Que possamos nos transformar internamente e sermos pessoas independentes mais justas e dignas de convivência.

Recebi muita gentileza hoje em um dia que reinava o pessimismo e a desesperança. Isso acendeu uma chama no meu coração e me ajudou a olhar o ser humano de uma forma leve novamente. Agradeço as pessoas que eu não conhecia e que foram gentis comigo. Esse post é uma forma de agradecimento pela ação delas na minha vida. Me ajudaram a ter força para encarar o que eu precisava. A gentileza me salvou hoje.

Precisamos de gentileza. Necessitamos ser gentis, apesar da nossa natureza humana ser ambivalente e uma mistura de coisas boas e ruins. Hoje fui eu que precisei. Amanhã poderá ser o outro, e estaremos prontos para ajudá-lo?

Precisamos da misericórdia do outro, e o outro precisa da nossa. Não podemos desistir da gentileza, pois é desistir de uma parte forte que mora dentro de nós, e que ajuda e ilumina a vida de alguém que está passando por seus períodos de sombra. Além de iluminar a nossa própria também.

Antes de querer “salvar o mundo” precisamos salvar a nós mesmos e conviver com as pessoas que estão ao nosso redor. O maior desafio é o que está próximo e não o que está longe.

O maior desafio se faz na ação diária e não na imaginativa. É o todo dia sendo como ele é.

Mais uma vez repito: que tenhamos sabedoria para sermos gentis e prudentes neste mundo, todos os dias.

Vida e Morte: parceiras necessárias

Aqui vou expressar minha opinião sobre a morte. E como acho que ela pode servir de guia, como um jato propulsor na busca do viver realmente uma vida, todos os dias, que seja a construção de sua própria subjetividade e história, única e linda.

Como um livro.

Desde que nascemos começamos a construir nossas próprias histórias. Erramos muitas vezes, mas enquanto estamos vivos, sempre HÁ a opção de mudar o rumo. De novas escolhas. Não importa sua idade, o que importa é que você tenha vivo esse desejo dentro de você.

Acredito que refletir sobre a própria vida é pensar constantemente na morte. Não de uma forma sofrida e terrível (como às vezes ela vem, principalmente quando perdemos quem amamos), mas pensar nela como um amuleto.

O tempo não volta. As escolhas que teremos capacidade de fazer todos os dias são as que nos levarão a viver uma coisa ou outra. E sim, são as escolhas diárias. As grandes conquistas estão presentes nas escolhas diárias, e nas pequenas escolhas– elas influenciam muito mais do que possamos imaginar.

Nossa vida é um somatório de pequenas escolhas, atitudes, posicionamentos, desejos.

Cada vez mais reflito sobre como deveríamos optar pelo DIA. Por todos os dias. Criamos a semana e os finais de semana, mas na verdade nossa vida ocorre todos os dias, sempre que temos a chance de acordar novamente pela manhã. Não importa se é um sábado, um domingo ou uma segunda-feira. A cada amanhecer é uma nova oportunidade de escolher diferente. Mudar de rumo. Ou continuar no mesmo.

Nem sempre as mudanças são boas. Depende muito da situação. Nada pode ser considerado como definitivo. Temos que ser flexíveis o bastante para estarmos sempre ajustando, a medida que também vamos mudando.

Vivemos tanto tentando nos encaixar em padrões pré-definidos. Precisamos disso ou daquilo. Depois de uma certa idade já se está “velho” para começar novamente. E tantos outros. Até que surgem alguns seres, algumas pessoas que desafiam totalmente essa lógica e mostram que pode ser diferente. Vivem suas vidas e conquistam coisas fora de padrões e vem mostrar a mentira que por vezes nos entrelaçamos.

Pode ser diferente.

Temos nossas próprias limitações, mas é possível sim trabalhar nelas se assim for o desejo. Mas trabalhar nelas por anos, por dias, e isso dá muito trabalho.

Porém se fosse tudo tão fácil assim de conquistar, qual seria a nossa luta? Nossa alegria na conquista? Qual seria a razão de estarmos aqui? Se tudo fosse jogado no colo?

Quem ou o quê decide o quanto de vida ainda temos?

Para os que tem alguma crença ou religião, existe um Deus. Para os que não, acreditam simplesmente no nada e na contingência do meio. Para outros é parte da vida, do universo, um momento estar aqui e o outro não. Ainda deve ter muitas outras formas de encarar, as quais desconheço.

Mas, sim. A morte é uma realidade e ela existe para todos nós. Ninguém foge porque tem medo dela. Ou porque fala dela. Existem muitas coisas que não conseguimos compreender. A angústia, o medo, o desespero, tudo pode existir, mas nada impede quando ela bate na porta.

Você estando vivendo bem ou mal; fazendo o que gosta ou não; nada impede que ela chegue.

Assusta né? Não queremos pensar que um dia iremos embora, morremos de medo do desconhecido, e principalmente desse. Mas por mais que esses sentimentos nos invadam, e ainda mais em momentos que perdemos quem amamos, deveríamos olhar para a morte como um amuleto.

Um amuleto que nos ajude a buscar a vida que acreditamos ser a melhor para nós mesmos. Um amuleto que nos ajude a parar de “procrastinar” nossa vida, e a continuar buscando nossas verdades todos os dias. Nossa melhor forma de viver. É complexo exatamente porquê é impossível ser feliz o tempo todo. Isso não faz parte da natureza humana, mas é possível viver realmente. Também para isso é necessário coragem.

Como construímos então novas visões e atributos? Acredito que é na PRÁTICA. Não construímos coragem se não passamos e enfrentamos a situação. Não construímos forças emocionais se não nos perdemos no caos interno. Tudo passa por um processo de construção. Acredito que poucas coisas chegam prontas. Nossa essência permanece, mas passamos a vida nos construindo de diversas formas

O questionamento de Freud (antes de morrer) permanece: Por que as pessoas buscam tanto a infelicidade, e quando a encontram se surpreendem?

Existem medidas para evitar a morte? Só na nossa mente. O ser humano e a forma como muitas vezes agimos, nos leva para longe do que realmente deveríamos fazer para viver uma vida com sentido, profunda e na busca intensa do nosso ser.

Atrasamos, adiamos, inventamos por vezes limitações mentais. Outras vezes elas são verdadeiras. Mas raramente assumimos mesmo de frente a ação e a busca. E mais raramente ainda existe uma disposição para enfrentar esse caminho.

Disposição mental. Por isso é tão importante nos fortalecermos mentalmente e compreendermos nossa dinâmica emocional.

A morte já está presente na vida quando negligenciamos quem somos- nossa subjetividade.

Entretanto algumas pessoas realmente conseguem viver e não somente sobreviver. Entregam seu ser em tudo que fazem, vivem intensamente e trazem para o outro algo diferente, transformador. No momento em que estão se realizando internamente, proporcionam ao outro também uma forma de realização, preenchimento. Contribuem tanto para si, como para o outro. Mas elas só conseguem isso quando seguem realmente seu coração. E seguir o coração aqui é se assumir como sujeito, subjetivo e único. São felizes e realizadas no que fazem.

Isso exclui as dificuldades? Isso exclui as limitações? Isso exclui as frustrações? Claro que não. Mas a parte difícil fica suportável quando está alinhado com o que você quer passar de dentro.

A vida e a morte andam juntas. Precisamos urgentemente pensar nelas como inseparáveis. Só há vida quando há morte. Pense nas flores de plástico, qual o brilho e a vida que elas possuem? Nenhum. Exatamente porquê elas não podem morrer.

Minha reflexão hoje foi inspirada nesses tempos difíceis que estamos vivendo. Tempos de pandemia. Tempos de perdas que poderiam ser evitadas se tivéssemos mais respeito ao outro. Ao espaço do outro e a liberdade do outro. Difícil demais. Ser humano em toda a sua beleza e complexidade.

Esse post é inspirado na morte do Paulo Gustavo. Ele realmente foi um ator que trouxe alegria a pessoas que mal conheceu. Ele realmente buscou em seu interior sua subjetividade e expressou ela ao mundo. Que ele descanse em paz agora, sabendo que cumpriu muito bem seu papel de ser nada menos que ele mesmo.

Aos que estão passando pelas maiores dores da perda de quem amam neste momento, deixo minha profunda consideração e sentimento.

PROFISSIONALISMO E EXCELÊNCIA

O que implica ser um bom profissional no mundo atual? Quais são os atributos humanos necessários para tal?

É só competência? É também empatia? É um mix de várias coisas?

Para mim e pela experiência que estou tendo como estudante em entrar em contato com profissionais excelentes percebo que é um mix de coisas: uma mistura de paixão, comprometimento com o aluno, competência, paciência, escuta ativa, responsabilidade, capacidade de comunicar a informação de forma eficiente e eficaz, de uma maneira que seja possível entender até as coisas mais complexas de uma outra forma.

Buscamos a excelência? Vivemos a nossa vida buscando o que realmente queremos? Ou vivemos nossa vida na zona mais confortável? Acho que depende do ser humano. Alguns escolhem essa busca, e outros não, alguns também ficam no meio do caminho.

Mas para os que escolhem BUSCAR sempre: eu agradeço.

Sinto que a excelência engloba mais que a competência, mas como você é sendo um ser humano e em que você deseja colocar sua energia e dedicação

O que eu mais admiro em um excelente profissional é que além deles ensinarem a teoria e a prática (foi meu caso hoje), você sai dali transformado, percebendo que aprendeu e conheceu algo a mais do que costumava saber, seu espaço de conhecimento se amplia de uma forma totalmente nova e maravilhosa. E finalmente alguma pequena parte de você se transforma em algo melhor. 

Além de todos esses benefícios, o excelente profissional te transfere a energia e o entusiasmo (ou simplesmente permite que eles renasçam dentro de você) de perceber que é possível aprender de várias formas, e é possível se descobrir até durante esse processo.

O autoconhecimento vem da interação com o outro, e ele vem também do conhecer algo que transcende a si. Pois você aprende o que faz seu olho brilhar, o que te enche de energia para viver e o que preenche seu coração.

Meu coração hoje está cheio e feliz e eu quero brindar os excelentes profissionais; TODOS eles. 

Eles que realmente fazem a diferença no mundo em que tocam. E essa excelência é conseguida através de muita construção e esforço, por isso devemos também ter a humildade e o reconhecimento perante eles; o esforço é feito incessantemente para se construir dessa forma, em conjunto com o incrível serviço prestado ao outro. 

Claro que o excelente profissional que ama o que faz tem benefícios próprios, mas o foco da discussão é o outro. O que um excelente profissional já não fez por você? E que você é grato? Como já transformou sua vida?

Eles são a prova de que o mundo não é perfeito (pois o ser humano não é), mas ele pode ser MUITO bom e agregador, transformador e entusiasmante nas mãos de quem realmente sabe o que faz, tem a competência de ter escolhido a coisa certa, se esforça muito por isso e através disso ainda consegue alegrar a vida do outro e lhe dar energia.

Esse é o sentido. É a troca. A interação. O sorriso no rosto. A vontade. A paciência. A excelência.

Que saibamos aproveitar desses profissionais que estão por aí, e que usemos disso para aprender muito com eles e nos transformarmos em pessoas melhores.

Para também, se escolhermos este caminho, nos construirmos como esse excelente profissional disposto a trazer mais brilho, alegria, reflexão e crescimento aos que estão ao nosso redor.

Qual a razão de você estar aqui? Qual é seu propósito? E quando digo isso não falo de coisas grandes necessariamente. Seja qual for o seu, se entregue e faça seu máximo, para estabelecer essa troca de energia que é uma das razões que fazem a vida valer a pena.

Viva aos excelentes profissionais! Grata pelo esforço que eles desempenham todos os dias.

Viva aos meus orientadores do Mestrado! Esse post é minha homenagem para eles, e meu profundo agradecimento. Obrigada. 

Estrangeirismos e Metamorfose

“o reprimido é terra estrangeira para o ego- território estrangeiro interno- assim como a realidade… é território estrangeiro externo” (Freud, 1923/1976, p.75)

Vivemos em um mundo no qual acontecimentos exteriores são estrangeiros externamente, e muitos dos interiores são estrangeiros internamente.

Acontece que o que consideramos estrangeiro internamente tendemos a projetar para o externo, acusando o outro, o mundo, as circunstâncias não favoráveis da própria dificuldade e miséria interior.

Ao reconhecer essa terra estrangeira interna como algo seu, seu próprio território, as transformações podem realmente ocorrer já que ao invés de justificações banais, assume-se a responsabilidade do eu e da própria vida.

É um ato de coragem, e um ato difícil pois implica ver as próprias falhas e se assumir verdadeiramente em uma posição de humano, com tudo que isso acarreta- de potencialidades e de limitações. 

Abandonar as justificações é ser autêntico, se assumir para si mesmo e iniciar o processo de compreensão profunda do eu. O estrangeiro interno só se mantêm assim até que a luz correta seja dada.

No momento em que o eu é iluminado, nada está resolvido. Desculpe te frustrar, mas é mais complexo que isso. A iluminação do eu já é um grande passo. Mas ela tá existindo apenas na teoria, a ação precisa ser construída com um plano estratégico, com persistência, paciência e responsabilidade. 

Quando o estrangeirismo interno se tornar conhecido e apropriado na ação– ele se transforma em força, e por mais que esse seja um caminho longo, a partir do momento que se transforma, está livre para ser em todo seu potencial. 

O território estrangeiro interno é sempre mais desafiador que o externo.

A lagarta fica pelo tempo que precisa no casulo, mas quando efetua sua metamorfose não retorna mais. Não existe mais nem a possibilidade deste caminho. Já se transformou em seu ser singular definitivamente.

Está livre para voar e ser o que se transformou.

Péssima notícia ou Não: essa transformação se dá durante toda a vida (diferentemente da lagarta). Portanto, escolha seu caminho. Permanecer no casulo ou tentar constantemente alcançar mini metamorfoses em diversas áreas da sua vida.

O Poder das Escolhas diárias

Vou te contar, a vida tem tantas possibilidades, ela é tão linda e especial. Cada dia é um privilégio, por mais que as vezes estamos consumidos em ansiedades e fazeres.

Por que por vezes tentamos nos colocar ou encaixar em um quadrado de uma única opção? Seguir padrões é desesperador, é a ilusão de encaixe na massa. Mas esse encaixe é só externo, porque por dentro ficamos despedaçados e presos. Por dentro perdemos a vitalidade e a liberdade de ser.

Por uma vida de risco, por uma vida de inúmeras possibilidades, por uma vida de escolhas conscientes e corajosas. A verdadeira liberdade não está em se fazer todos os momentos o que se deseja. Para alcança-la é um longo caminho: de escolhas difíceis, de riscos, de perdas e muitas abdicações.

Mas a vida assim se abre para você com um mar de possibilidades e encaixa no interno- inconstante, vivo, intenso e humano.

Ser humano também é ser diverso, e principalmente, ser livre. A liberdade implica escolhas difíceis. Como já dizia Nietzsche “Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.”

E você já tentou hoje sair do padrão? Fazer algo inusitado? se desafiar? Escolha, não o mais fácil, escolha ser na totalidade- mesmo que seja mais difícil pelo caminho.

Deixe que a vivacidade interna transborde por todos os lados do seu viver.

Cada idade tem a sua beleza

Hoje estava falando com uma das pessoas que mais amo no mundo, minha avó, que abdicou de tanto e cuidou muito de mim, ao mesmo tempo em que tinha que gerenciar sua própria vida e trabalhar muito.

Uma pessoa com inúmeras qualidades, que só quem convive sabe o quão forte e lutadora é essa mulher e como me inspiro muito nela para viver. O post hoje é dela.

Ela tem 90 anos. Caiu esses dias e quebrou a perna, passou por uma cirurgia e em tudo isso estive longe dela. Mas agora ela está bem e recuperando, e hoje particularmente estava linda, de banho tomado e com uma blusa florida. 

Ligo para ela sempre que posso; para estar presente mesmo estando longe. Muitas vezes a presença é uma questão de escolha, e não de proximidade física.

Todos deveríamos valorizar os avós. Eles tem muito a ensinar. As épocas são diferentes, e o modo de ver algumas coisas obviamente que mudou para melhor, mas existe dentro deles um entendimento e uma experiência profunda do que é viver. Devemos aprender o máximo que pudermos. É um privilégio.

Disse para ela: Vó a senhora está linda; e ela disse: Linda nessa idade? Velho não é lindo não. 

Eu respondi: Cada idade tem a sua beleza. 

E acredito mesmo nisso. As transformações (alguns chamam de negativas) ocorrem no corpo físico, e vão permanecendo no mundo interior as mais lindas e positivas, no mundo mental, esse que nunca envelhece.

A beleza deve ser compreendida em uma extensão muito maior que a estética. Ela diz muito mais que isso. A beleza da minha avó também está nas rugas que ela carrega de uma vida real de verdade, humilde, de dedicação ao próximo, sofrida e também feliz.

Nosso corpo demonstra o que habita dentro e com o tempo de vivências ele vai marcando mais. As marcas do sorriso, as marcas do sofrimento, as marcas do viver.

Cada idade tem a sua beleza e algo a acrescentar. Todas as pessoas tem algo a acrescentar. É que não temos a change de conhecer muitas delas profundamente pra isso. Para aprender com cada uma o que elas possuem de precioso.

Pois existe uma beleza intrínseca em cada ser, e outra que a gente vai construindo ao longo da jornada. Cada idade carrega consigo uma beleza de ser. 

Valorizemos os mais velhos. Aprendamos com eles, e por que não também os ensinar? Ensinar a ver a vida com outros olhos (cuidar deles) na dificuldade do fim? Uma palavra, uma emoção, um gesto- qualquer coisa- pois um dia, se tivermos essa sorte, precisaremos também.