A MINHA AVÓ e o Alzheimer

Minha avó e o Alzheimer são coisas diferentes. A minha avó é Sujeito. O Alzheimer é Doença. 

A minha avó é Vida, o Alzheimer é um tipo de Morte.

Pois ele simboliza a perda: da memória, da autonomia, das escolhas, e aos poucos, da vida.

Mas o sujeito que está por detrás desse acometimento infeliz ainda existe, se angustia e sofre com toda essa reviravolta.

Não deve ser fácil entender a finitude, e ainda mais se perceber neste local de perdas, cada vez maiores, de tudo que um dia se construiu para ser e para exercer. As perdas da idade já são difíceis, mas além disso ainda se fazem presentes as perdas que a própria doença traz.

Minha avó sempre Cuidou. Agora ela precisa se permitir Ser Cuidada. Como será esses momentos em que existe algo oposto do que sempre foi?

Como é quando isso existe para nós em conjunto com a saúde? Como será então lidar quando esta última já não se faz presente?

Difícil compreensão e inversão de papéis que a velhice traz, e que se tivermos sorte, todos nós um dia passaremos. 

Já dizia Mario Quintana:

“Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!”

Mas e se devolvêssemos para as pessoas que sofrem do mal Alzheimer, mesmo que sutilmente, a função de cuidar? Se revivêssemos dentro deste ser tão imerso em um mar de sofrimento e dor, a sua função anterior à doença?

A psicóloga Ellen Langer e sua equipe de Harvard, no final dos anos 1970, realizaram uma série de experimentos com idosos em um asilo, pedindo que cuidassem de uma planta. Para os idosos em que foi dito que eram responsáveis pelo cuidado desta planta, os níveis de felicidade foram maiores que os idosos informados que a planta seria cuidada pelas enfermeiras do local. Os idosos que cuidaram estavam mais felizes, saudáveis e também viveram mais tempo. 

O ato de cuidar de outro ser vivo melhorou significativamente a vida daquelas idosos.

O que o ato de cuidar pode nos dizer? Somos seres que cuidamos o tempo todo. Seja dos outros, da nossa própria vida, do nosso corpo, da nossa alimentação, do nosso trabalho, da nossa rotina. Estamos nessa posição de ação perante algo que é externo ou interno a nós. Perder isto deve ser extremamente difícil, e quando digo deve ser, é porque acho que ninguém sabe ao certo- até ter a própria experiência.

Mas uma um fato é claro: o sofrimento que existe nos idosos e em todas as pessoas que tem esta doença.

Não sei se dará certo fornecer a oportunidade “do cuidar” novamente à minha avó, de um jeito sútil, mas tentarei isso. Acho que toda tentativa de tirar o mal estar neste momento e fazer com que a pessoa viva o tempo que tem com dignidade e menos angústia (na medida do possível) é uma oportunidade de melhorar as coisas. As vezes temos forças e recursos internos para ajudar, outras não. A realidade e a mistura das relações é bem mais complexa de apenas dizer. As palavras são mais fáceis que as ações.

A psicologia tem um longo passado, mas uma curta história, e precisamos adquirir tudo que podemos para melhor a qualidade de vida de outro ser humano. Pensando. Repensando. Praticando. Agindo. Testando. Utilizando nossa energia vital para agir- dentro de nossas limitações.

Neste caso também é válido o que dizia Nelson Rodrigues “Mintam por misericórdia”. A pessoa não irá se lembrar de cuidar sempre de algo que lhe for fornecido, mas o lembrar diário vindo dos indivíduos externos para que ela continue cuidando pode trazer pelo menos uma pequena dose de bem-estar. 

Quando amamos alguém, não suportamos ver essa pessoa sofrer. Sofremos juntos, mas nunca na mesma intensidade. Ainda mais quando estamos perto. Entre lágrimas de um momento, surgem as pequenas ações diárias que possam permitir um respiro em meio a escuridão. 

O BOLO DA AUTENTICIDADE

Hoje o texto é uma reflexão sobre a receita do bolo da Autenticidade. Lembrando que essa receita é diferente de todas as outras, pois ela não é uma tentativa absoluta de definir todos os ingredientes e verdades, mas sim de misturar pensamentos e reflexões para tentar formar este bolo. 

Na verdade ela se diferencia também das outras receitas culinárias, já que este bolo não é formado facilmente, ele demora tempo, muitas vezes uma vida e o esforço diário. Vamos começar! Preparem a mente e abram o coração!

Ingredientes:

Embrião do eu que se inicia na infância

Autoconhecimento

Suportar em si a angústia e as dificuldades

Uma pitada de descanso em si mesmo nos momentos mais desafiadores

Uma dose de inconformismo com a própria vida

Alta dose de esforço

Alta dose de disciplina

Alta dose de persistência

Uma dose de capacidade de lidar com os fracassos e as frustrações

Coragem

Humildade

Perseverança

Vamos começar a misturar esta receita: lembrando que não é uma receita pronta, afinal, adoraria se você pudesse me dar mais dicas de ingredientes, será sempre bem-vindo. Em um mundo no qual estamos acostumados a encontrar fórmulas prontas para tudo que almejamos, é relativamente fácil perceber a farsa envolvida nelas. Se fosse possível, todos conseguiriam e seriam o seu máximo e o mundo seria um lugar mais pacífico, talvez. 

Mas a beleza da vida está na ausência de fórmulas. Só assim o embrião do eu que existe dentro de você desde que você é criança pode desabrochar e você poderá se tornar sua própria natureza e sua própria identidade- única. 

A questão é que esse embrião não desabrocha em um passe de mágica. Não é tão simples assim. A busca pela Autenticidade cobra um preço alto, que nem sempre estamos dispostos ou temos forças psíquicas para pagar. 

Na minha visão para regarmos esse embrião e permitir seu crescimento precisamos do autoconhecimento– que se dá ao longo de toda a vida e mistura um processo doloroso de visão da realidade, aceitação das próprias limitações, mas também descobrimentos de novas potencialidades. 

Também precisamos regar o embrião com uma capacidade de suportar as angústias e dificuldades- que são próprias do que é ser humano em sua completude. Aprender a suportar é essencial, e muitas vezes é o que salva de novos problemas que possam surgir ou que podemos criar para nós mesmos. 

Uma pitada de descanso em si mesmo também é necessário. Erramos muito como humanos e saber se abraçar com compaixão e descansar em si, ou seja, descansar no seu próprio eu também é indispensável. 

Uma dose de inconformismo com a própria vida também é necessária para fazer esse embrião desabrochar- com ele me refiro a não ser nada além de suas amplas capacidades, não aceitar suas próprias desculpas e se inconformar com o pouco que você mesmo está tirando de você. Para isso é necessário uma alta dose de esforço, persistência e disciplina– pois todos os estados desanimadores da alma vão te encontrar, e a disciplina vai te manter no foco do que você busca para si, seja interiormente, seja exteriormente. 

Para finalizar só por agora o bolo da autenticidade, também é essencial aprender a lidar com os fracassos e frustrações– só assim ocorre o crescimento, já que não se nasce pronto- o embrião precisa ser regado por você mesmo para desabrochar. 

A felicidade vem das conquistas internas. Ela não é um estado permanente. Ela acontece naturalmente a medida que sua vida está de acordo com sua luta interna por sentido. Cada um tem sua própria Autenticidade. A dor faz parte do processo. Você também é a angústia como diria o filósofo Luiz Felipe Pondé. Aprender a desabrochar esse embrião não é tarefa fácil. É preciso muita coragem, humildade e perseverança

Créditos: O conceito de “embrião do eu” pertence ao psicanalista Flávio Gikovate. 

There is no such thing as One Truth

There is no such thing as One Truth (singular with a majuscule “T”), but, rather, we must acknowledge the existence of many truths (plural, with a minuscule “t”)”– Morris B. Holbrook.

Holbrook é um famoso pesquisador e autor no campo do marketing. Precisamente no campo das experiências de consumo. Por qual razão trago ele hoje? pela reflexão de que não importa de qual área você é, um grande autor e profissional pode SEMPRE te acrescentar conhecimento. Seja de qual área for, se estamos abertos, podemos aprender muito com qual profissional que seja.

Nós humanos tendemos a dividir o conhecimento em faculdades. Então existem as diversas disciplinas e profissões. Mas não paramos para pensar o quanto elas podem estar interligadas e proporcionarem grandes insights até para nosso próprio ramo de atuação.

Como Holbrook se refere- não existe uma só verdade; existem muitas verdades. Estarmos abertos para abandonar nossas verdades e crenças mais profundas e descobrirmos novas e não absolutas é o que faz com que o ser humano se desenvolva. 

Uso a palavra desenvolvimento porque evolução não significa melhoria. Só mudança. O desenvolvimento é o que pode permitir uma abertura de consciência, a capacidade de lidar com a incerteza, e os mais profundos questionamentos. Sábios são os que não tem certeza, se questionam e questionam também a realidade ao seu redor. 

A máxima de Sócrates se mistura com a de Einstein que quanto mais se sabe, mais se percebe que nada se sabe, ou quanto maior é o conhecimento, menor é o ego. 

Que questionemos sempre as verdades absolutas e procuremos explorar novas verdades, não ingênuas e passionais, mas as que são fruto de humildes reflexões e do próprio não saber. 

As escolhas que temos que tomar na vida são muitas, complexas, ambivalentes e não conseguimos saber ao certo se nos levará para o caminho desejado. Como ter certeza? Não há. Precisamos aprender a conviver com o espaço da dúvida. Mas uma coisa é certa: quando fazemos o que amamos, entregamos o máximo de nós mesmos e nos esforçamos – apesar dos resultados externos, nosso interior estará em paz. 

Sempre me questiono sobre o futuro e sobre respostas. A verdade é que não há respostas e ninguém as detém. Não existem fórmulas- como já abordei várias vezes aqui. O que existe é a vida adulta, a singularidade e a responsabilidade. O que existe são as escolhas diárias e o ser humano que assume, também, todos os dias, todas as consequências delas. 

A vida adulta tem seus profundos desafios, tem seu lado encantador, temos que abrir as portas para ela, confiar relativamente em si e dar nosso melhor para encarar todas as suas facetas.

“There is no such thing as One Truth” … estamos preparados para lidar com esse conhecimento? Estamos abertos à incerteza? Ou queremos deter todas as verdades? ou apenas uma só?

A segurança, na minha visão, tem de vir não da certeza de verdades, mas da edificação da dúvida- no sentido de aprender a conviver com o que não sabemos, a contingência da vida, nosso mundo interno e, relativamente, lidar com escolhas entre o BEM e o BEM- as mais difíceis de se fazer.

Melhor ficarmos com o plural, ao invés do singular …

Assim podemos perceber a pluralidade da vida e da existência, e construir nossa coragem para fazer nossas próprias escolhas e nunca negar nossa própria autonomia perante a vida.

Vivemos de Paliativos e de Verdades

Vivemos de Paliativos e de Verdades- diria que os seres humanos vivem mais de paliativos que de verdades

Já dizia Lacan “Cada um tem a verdade que aguenta suportar”

Mas o paliativo também não é importante?

Estava refletindo e pensando sobre a diferença de buscas que demoram tempo para serem atingidas- porque é assim mesmo e o processo é doloroso versus as buscas imediatas, como por auto-ajuda e paliativos dos mais diversos. 

A medicina paliativa que é chamada de “Cuidados Paliativos” tem como objetivo proporcionar uma qualidade de vida para a pessoa que está morrendo, com algum quadro terminal ou crônico que não tem mais cura. O objetivo é fazer com que a pessoa viva dignamente e bem até os últimos dias de sua vida em todas as esferas- espiritual, física, emocional e de relações. A medicina entra então com uma equipe multidimensional para aliviar a dor e trazer um pouco de conforto perante o por vezes insuportável e inevitável destino de todos nós: a morte. 

O quão essencial é esse paliativo? Todos nós sabemos que vamos morrer, mas conseguir viver até o ultimo dia com o mínimo de conforto perante uma dor física e emocional é um alivio e um paliativo para a alma. Não enganamos a morte e o resultado, mas buscamos conforto no processo. E neste caso é transformador, além de ser um trabalho muito honroso e humilde: aceita-se a morte, mas vive-se dignamente até o fim. 

Já em relação ao lado emocional da nossa mente e o quanto somos afetados por ele em alguns momentos, as pessoas buscam paliativos para viver melhor suas questões existenciais, suas limitações, seus medos, suas angústias e seus sofrimentos mais profundos. Seja na auto-ajuda, nos discursos motivacionais, são diversas técnicas que surgem no mundo para cuidar do superficial.

Ainda acredito que a verdadeira mudança de vida e de percepção só vem quando tocamos as profundezas das nossas almas, angústias e limitações. E nela não tem “milagre”, ou “10 formas para ser feliz”, ou “segredos para o sucesso”. Repito: não existe milagre.

Tem que se ir fundo mesmo, encarar o vazio e o extremo da angústia existencial do seu ser, para depois começar a emergir das profundezas e perceber sutis mudanças na sua vida, na forma como você interpreta a realidade ao seu redor, age e reage e a própria autopercepção de si. Acredito nisso intensamente até o fim. Se tudo fosse simples não teríamos muitos dos problemas que temos hoje: obesidade, depressão, suicídio, ansiedade …. 

Mas onde o paliativo entra aí? Pois ver e mudar profundamente é um processo que necessita de sempre muita coragem para se enxergar, muita entrega e tempo. E às vezes pesa muito e é necessário respirar um pouco na superfície, pegar fôlego, e retornar novamente às profundezas. Esse respiro não precisa ser da ordem de uma auto-ajuda, mas pode ser através de buscas mais superficiais, que também são válidas para vivermos bem. 

É como quando você está no mar, nesse oceano que é o inconsciente humano; não consegue ficar muito tempo mergulhando no fundo, precisa muitas vezes subir à superfície para pegar ar. Além disso, tem alguns fundos que você não consegue penetrar mergulhando por si só; apenas com a ajuda de um submarino ou equipamento de mergulho (que na minha visão é a psicanálise). 

Mas viver com a verdade as vezes custa muito, e nós seres humanos temos uma tendência a buscar o paliativo, porque por instantes ele pode fazer você sair daquela situação difícil que está enfrentando, como que um respiro. Você pode até usar, por exemplo, um livro motivacional para ser melhor no trabalho e mais produtivo, dura um tempo, mas o seu estado original retorna porque a mudança não foi feita na profundeza, e sim na superfície.

Podemos sim fazer uso de paliativos para nos ajudar em momentos que precisamos ter força e realmente não encontramos; mas devemos sempre parar para olhar o fundo e investigar o porquê isso ocorre, só desta maneira as coisas serão realmente compreendidas e possibilitarão verdadeiras mudanças. Mas demanda tempo, por vezes anos .. essa é a verdadeira transformação. É preciso paciência e compaixão consigo mesmo e com suas limitações. 

Use o Paliativo se quiser. Entretanto não se esqueça de buscar sempre na escuridão (que nada mais é que ausência de luz) novas formas de encontrar seu mundo interior, possibilitando a construção de novas perspectivas. O mundo exterior poderá então realmente se transformar, com a mudança definitiva de suas ações e resultados, de forma natural depois que o processo todo estiver completo. 

Incito você leitor a uma reflexão: O que está sendo neste momento paliativo em sua vida? Qual é realmente o seu sofrimento por trás de suas ações? Você está buscando compreender e clarificar além? Na minha visão a primeira busca é opcional, a segunda é imprescindível para ter uma vida que realmente faça sentido. 

Se você ainda não começou a buscar o profundo, saiba que ele sempre dará um jeito de te encontrar- nas suas maiores dificuldades, limitações e sofrimentos. A verdade vai aparecer, você vai mascarar, mas ela pode se ocupar de novas roupagens durante toda a vida. Acredite que não é, de jeito nenhum, fácil mexer lá, mas a longo prazo vai se tornando leve e transformado- com a roupagem agora que você quiser dar, e com a sua escolha se tornando a sua força. 

Para finalizar cito uma frase de Jostein Gaarder do livro “O mundo de Sofia” e a pego para explicar a importância de conhecer as profundezas da sua mente pois “Só assim você se tornará um ser humano de verdade. Só assim você se tornará mais que um primata vestido.”

A vida que busca somente o paliativo nunca encontra a profunda verdade e transformação.

Faça sua escolha. 

Que nos tornemos nosso próprio Si-mesmo: “Minha vida é minha ação”

O título hoje do meu texto é um pouco diferente. É uma citação de uma frase de Carl Gustav Jung, na qual ele diz “Minha vida é minha ação […] seria impossível separar um do outro”

Quando pensamos na vida como AÇÃO, percebemos o nosso protagonismo em nossas escolhas. Jung deixou um legado na clínica, na psicanálise e na vida de muitas pessoas até hoje. Desde sua infância ele se interessou pelo tema da personalidade, e suas reflexões desde muito cedo abrangiam seu ser mais profundo e a forma como nossa personalidade pode se desenvolver durante a vida.

Dentre suas diversas contribuições, está o arqueólogo da psique e o processo de individuação.  Basicamente Jung faz uma analogia da vida humana ao rizoma de uma planta- local em que jaz o acúmulo de substâncias para a planta retirar sua vitalidade.

Esse local, na minha humilde opinião, somos nós mesmos. A planta floresce e passa por todos os seus processos que são transitórios, mas o rizoma permanece fornecendo as substâncias necessárias. Na vida podemos perceber que diversos fatos acontecem; sejam acontecimentos bons ou ruins. E eles se alternam durante toda a nossa existência. Mas tem algo que permanece e é nosso ser mais profundo. Nossa personalidade e nossa relação consigo mesmo.

A vida é esse grande aprendizado– do autoconhecer-se e relacionar-se consigo de uma forma equilibrada, apesar de todas as dádivas e mazelas presentes. 

Jung nomeia um dos arquétipos de sombra: a sombra que existe dentro de cada um de nós, e que muitas vezes é difícil de aceitar, lidar e reconhecer. Nossos vícios e nossas limitações, nossa humanidade menos desejada …

A riqueza que Jung nos deixou com seu trabalho não pode ser sintetizada de forma simples. Esse não é o objetivo do post, apenas faço reflexões perante seus ensinamentos e é também uma forma de agradecimento pelo que deixou- já que na minha visão o conhecimento sempre salva.

Quando Jung aborda o processo de individuação, ele faz referencia ao tornar-se único, entender a nossa singularidade mais íntima e nesse processo complexo e individual, nos tornarmos o nosso próprio si-mesmo.

Essa busca é árdua e ela passa por diversos processos, e um deles é o que Jung chama de alienações do si-mesmo: é quando existe um despojar-se de si em direção ao exterior; um esquecer da própria singularidade em favor do coletivo. Por mais que isso seja visto muitas vezes como um ideal social, e uma virtude, é preciso cuidado e equilíbrio já que esse processo vai na contramão da individuação.

O esquecimento da própria singularidade não é saudável e não deve ser buscado. O coletivo deve ser sim considerado, mas isso não significa esquecer-se de si mesmo. E a pessoa responsável por essa ação e por esse constante lembrar-se é sempre nós mesmos. Esse é o grande desafio. Já que viver é estar na própria pele, para as coisas boas e as não tão boas assim.

O processo de individuação engloba o despojamento da persona, essa que nesse sentido é a máscara teatral falsa. Jung também utiliza o conceito de persona fora desde contexto falso e o engloba em sua teoria na conceituação psicológica.. mas isso é outra história.

Discorrendo sobre os arquétipos (possuem influência nos processos de individuação), Jung mostra que somente após as integrações do mesmo o indivíduo está pronto para a apropriação do eu pelo si-mesmo; momento no qual o self entra em ação, transcendendo o ego e promovendo a totalidade e a regulação da psique.

Alcançar essa integração é o ponto chave- já que esse processo de desenvolvimento da personalidade ocorre durante toda a vida, e não tem fim. Essa deve ser nossa busca mais constante e nosso gasto de energia. Pois as maiores recompensas desse estado de ser será usufruída por nós mesmos. 

Como Jung afirma, cada vida é um desencadeamento psíquico… mas esse desencadeamento também contém nossa AÇÃO. O processo de individuação passa pela índole inata de um ser, a coragem e a liberdade da decisão própria.

Se percebermos o quanto podemos fazer ao acordar, pela nossa ação e decisão própria- de forma análoga não só acordaríamos fisicamente, mas abriríamos os olhos mais frequentemente para a vida.

O legado de Jung permanece. A busca pela individuação é o que realmente vai trazer o indivíduo a um processo de desabrochar, que contém dádivas e maldições.

Jung diz que as dádivas permitem uma elevação do espírito e uma conexão com o todo. As maldições são as consequências das percepções mais nítidas de si mesmo, dos outros e do mundo.

Mas se estamos aqui para ser humanos, porque não sermos em sua totalidade? Não será um caminho fácil para quem se arrisca ao descobrimento de seu próprio ser- mas na minha visão é muito melhor que apenas existir com a casca, de forma superficial e sem sentido. A casca nunca será igual e nunca irá permitir que a riqueza do interior transborde as fronteiras da pele.

Como acrescentou um amigo querido em uma de nossas reflexões que a vida é a consequência de nossas ações e INAÇÕES, essa que também não deixa de ser uma forma de ação. Qual vai ser a sua?

Busque sempre o melhor para si, e esse melhor contêm a busca de quem você realmente é. Te desejo coragem, força e ação– todos os dias. 

VALENCIA

Ahhh ….

Como as ondas

Que vem e vão

Acalmam e se intensificam

Você me trouxe tanto

Me mostrou coisas importantes

Difíceis

Fez com que minha própria natureza interna se abrisse

A uma nova forma de ser

De se olhar

Se portar

Sentir

Viver

Aprendi intensamente em tão poucos meses

O que prova mais uma vez que o tempo é relativo

Quando nos entregamos à vida e ela nos abraça

Nos presenteia

Nos surpreende

Espanha, sou uma privilegiada

Por ter tido uma relação com você

Obrigada pelo mar

Pelos ensinamentos

Pelas dificuldades

Pela força nas superações

Saio daqui como uma Amanda

Que não é diferente

Mas que acordou coisas importantes dentro de si

Você me deu o terreno

Para que meu ser íntimo e intenso florescesse

Você me deu o terreno

Para os meus mais doces plantios

Alguns já desabrocharam enquanto ainda estive aqui

Outros sei que são sementes para mais tarde

Mas você proporcionou oportunidades

Únicas, incríveis, indescritíveis

Que alcançaram meu coração

E me tornaram mais humana

Valencia

Serei extremamente grata

Por sua natureza

Ter encontrado a minha

E nessa mistura que levarei para sempre dentro de mim

Vivi momentos intensos e verdadeiros

Sensações novas

Descobrimentos

E principalmente muitos desejos

em continuar viva

em realizar

em ajudar

em transformar

O oceano que vivi em ti

Agora vivi em mim

E levarei ele comigo

Para explorá-lo todos os dias

Nessa inesgotável fonte de vida

Energia e amor.

A.L.P

A Vida Necessita Esforço

Faça um teste com você mesmo- quando não estiver se sentindo bem algum dia, utilize o esforço a seu favor e faça algo nesse dia que demande muito esforço e que você não tem vontade de fazer– veja o resultado depois.

Nossa mente, regida pelo princípio da busca do prazer e a evitação do desprazer, muitas vezes, busca o caminho mais fácil ao longo do dia. Mas quando modificamos essa rota por ação e vontade própria- ou seja- colocamos uma considerável carga de esforço e dedicação, algum sentimento momentâneo pode até ser de desprazer- mas a sensação da finalização é de profunda gratidão e emoções positivas.

Comemoro hoje neste post a apresentação do Research Work do meu mestrado. Ainda não é a apresentação final da tese pois tem sempre coisas a melhorar, mas já é uma grande conquista.

A carga de esforço que dediquei, a noite mal dormida antes da apresentação de ansiedade (natural do momento), os medos, as angústias, os cansaços e até o esgotamento provisório- tudo isso fez parte do processo. Mas a sensação positiva que isso traz depois é indescritível.

Por isso defendo com todas as minhas forças que a vida NECESSITA esforço. Todos nós estamos fazendo isso todos os dias ao acordar. Mas as vezes fazemos mais, e outras menos. Quando digo que necessita esforço- me refiro a canalizarmos uma parte de nossa energia (que não é inesgotável) para realmente exercer uma carga grande de esforço. 

E algo que você tenha protagonismo e escolha. Não adiante olhar para fora e justificar seus fracassos com base no sucesso ou na sorte alheia. A única forma de atingir o verdadeiro conhecimento e a verdade é olhando para dentro e vendo o que é possível VOCÊ fazer.

Fica muito fácil comparar com o outro e dizer que para o outro é mais fácil. Na verdade é que nunca vamos saber- só estamos na nossa pele. Então olhe para dentro e para você.

Quando narro sobre todos estes fatos e a carga de esforço envolvida, não me refiro a exaustão emocional ou burnout- ou a algo que possa te desestabilizar- temos que compreender muito bem nossos limites- e cada ser tem sua própria carga de esforço para desempenhar na vida. 

Mas também devemos compreender como nossa mente funciona. Como ela nos engana. E saber diferenciar quando realmente estamos utilizando desse esforço e nos deliciando com os resultados- ou quando a carga está alta e prejudicando nossa própria saúde mental.

É difícil diferenciar. Só com muito autoconhecimento e compreensão interna.

Não defendo que você deve se esforçar para os outros, ou para a exigência de sucesso e produtividade do mundo. Estou abordando o esforço do ponto de vista do benefício pessoal. Sim, pois a pessoa que mais se beneficiará de suas próprias ações é você mesmo.

Comemoremos o esforço. Não o doentio, mas o saudável- que pode te proporcionar uma melhor qualidade de vida, de relacionamento, de vivências. 

O esforço da escolha consciente e do protagonismo sobre a própria vida, sem justificações. Saber ver o próprio fracasso humildemente e mudar a rota olhando para dentro e não para fora- caso existir infelicidade e insatisfação.

Saiba diferenciar muito bem isso dentro de você, e não dê desculpas de “O mundo exige cada vez mais, o sistema …” Sim, tudo isso existe- mas você não precisa fazer pelo mundo. Pode fazer por você- estar saudável e ainda aproveitar o processo. O esforço pode te trazer mais perto dos seus objetivos e permitir que você se sinta melhor com a própria vida.

Já fez algum esforço hoje? Experimente, se conheça, se respeite, mas principalmente- não se esqueça de você e dê valor aos seus desejos mais profundos e às suas verdades. É desafiante porque a parte destrutiva da nossa mente entra em ação muitas vezes. Mas é possível ir equilibrando essa balança e se sentir bem. 

No fundo, a vida considera distintas variáveis- e o esforço com toda a certeza é uma delas. Esse que é canalizado em ações construtivas e verdadeiras para cada indivíduo.

A vida pede ação, e algumas vezes, para sentir-se bem é preciso esforço. Vá atrás dos seus sonhos, de tijolo em tijolo- vá viver de verdade. Tudo vale a pena quando abraçamos a vida e nos entregamos totalmente à ela. 

Ironia: Podemos ser mais? ou já somos no momento o melhor que podemos ser?

Engraçado como a vida funciona. Sempre achamos que podemos fazer mais em um aspecto ou em outro, ou melhorar, é a lógica capitalista que faz com que sintamos constantemente uma insatisfação- não em tudo, mas aqui ou ali. 

Neste aspecto que se encontra presente a grande ironia pois a estranha questão é que já somos o melhor que podemos ser- no atual momento- presente. Ao contrário de gurus ou fórmulas mágicas que circulam por ai a ideia de que você deve fazer tantos passos para atingir o sucesso e entre outras coisas, o fato de sermos no momento o melhor que podermos ser não precisa te desestimular. Isso não significa que você está fadado ao “fracasso” em algumas áreas ou a estar exatamente onde está agora, mesmo se infeliz. 

Significa apenas verdade do momento. E quando digo momento considero segundos, minutos, horas, dias, anos. Tudo que você faz no presente, no seu dia de hoje por exemplo, é o que você dá conta e ali naquele momento cabe a expressão do seu ser- repito, naquele momento. Isso quer dizer que será assim para sempre? NÃO. Isso quer dizer que você não poderá melhorar? NÃO.

Existem diversos livros de auto-ajuda, fórmulas mágicas para as mais diversas realizações. Mas o que realmente importa e é efetivamente conquistado como uma mudança real leva tempo, paciência, dedicação, persistência e um esforço que não vem de soluções mágicas. É construção

Como canta Chico Buarque “Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego”

A construção da personalidade, de ser quem se é e permitir que a vida viva através do seu ser. Em um networking que fiz hoje com um psicometrista inglês Nikita Mikhailov, o qual cresci muito e adquiri imensos conhecimentos, durante nossa conversa ele utilizou o termo “personality grow”, já que estávamos falando sobre crescimento pessoal

O conceito de crescimento da personalidade abate as fórmulas mágicas. Como nosso corpo se desenvolve, nossa mente e nossa personalidade também. 

E esse desenvolvimento é com o tempo. Não é de uma hora para outra, e não cai do céu. Se prestarmos atenção em pessoas as quais admiramos, podemos ter a certeza que para estarem aonde estão foi demandado muito tempo, esforço, paciência, disciplina, persistência, constância e por ai vai …

Aparece então a ironia pois na verdade já somos no momento o melhor que podemos ser. Mas não somos tudo o que podemos ser. Isso abarca outras variáveis, ações, formas de pensar e posturas adquiridas perante a vida. O auto-questionamento é essencial. A análise diária de consciência e o mais importante- buscar respostas, mas principalmente saber fazer as perguntas corretas.

Se questionar com as perguntas certas é imprescindível. Ter autonomia e criar a sua própria forma de pensar. E que bom que existem pessoas no mundo que nos relembram disso nos momentos aos quais estamos perdidos.

Então, caso encontrar alguém perdido por ai- relembre essa pessoa do protagonismo que ela tem sobre sua vida. Mas também mostre a realidade- é possível, mas não é fácil e não é rápido. Mostre como a realidade que há no momento é o que ela deu conta de fazer NAQUELE MOMENTO, mas que ela pode mudar se quiser, e fazer novas escolhas, expandir horizontes e ter ajuda para isso. 

Hoje, querido leitor, você é e está sendo o melhor que pode ser. Mas se está insatisfeito ou não gostou de algo- pare e pense. Eu realmente quero buscar isso para mim? Me faria mais feliz? O que poderia ter feito diferente para estar mais satisfeito com a minha vida? Isso não significa que você deva estar insatisfeito com o que fez ou tem agora. Viver com um sentimento de insatisfação constante não é viver. Mas também não significa resignação. Não significa que você não pode mudar o rumo, ou a escolha em busca do que sente ser melhores condições para si 

E sabe que as escolhas que nos deixam mais felizes no dia não são as que vem das grandes conquistas- mas sim das pequenas. Ligar para um amigo que não vê a tempos; cuidar de você; fazer networking com alguém que te ensine coisas novas; ler um bom livro; dar um abraço apertado em quem você ama; beber um café quentinho, olhar o céu.

Claro que as grandes conquistas nos transbordam e enchem nossa alma de energia, mas elas são poucas durante a vida. Depende claro do que você chama de grandes conquistas. O que quero dizer é que a vida acontece a todo instante

As vezes nos perdemos das coisas realmente significativas- mas sempre é tempo para lembrar e colocar elas no nosso dia. Estejamos sozinhos, acompanhados, tristes, alegres, não importa o seu estado interno- sempre é tempo para viver. Sempre é tempo de deixar a vida se expressar através do seu ser.

A rosa é sempre mais linda ao vivo e na total expressão do seu ser. Sua sombra não mostra de fato quem ela é. Por isso não podemos viver a sombra de nós mesmos. Precisamos lutar todos os dias para expressar a vida, por inteira.

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

O que você leva na bagagem de mão da sua vida?

Muitas vezes quando vamos viajar, levamos sempre mais que o necessário. Levamos roupas a mais, sapatos, tudo para quando terminarmos a viagem percebermos que essas coisas a mais não fizeram qualquer diferença. Mas mesmo assim levamos.

Todavia, também possuímos dois tipos de malas: a que vai no porão do avião, e a que levamos na mão com a gente. Normalmente dividimos as coisas e levamos as mais importantes na mala de mão por medo que aquilo extravie e fiquemos desamparados.

Pode ser uma troca de roupa- aquela que gostamos muito ou outras coisas realmente necessárias.

Começo o post com uma reflexão: O que você leva na bagagem de mão da sua vida, querido leitor?

Levamos imensas vezes cargas desnecessárias para nós. Vivemos carregando conosco mágoas, ressentimentos, medos, angústias e é isso mesmo que eu disse- carregamos. Pois tirando as exceções de uma doença mental que realmente está imposta em algum momento, escolhemos carregar coisas que pesam nosso corpo e nossa alma, e nos deixam para trás. 

Nos deixam para trás de nós mesmos, ou do que realmente podemos viver para sermos felizes. 

Então repito a pergunta: O que você leva na bagagem de mão da sua vida?

Não só em momentos de crise, mas todos os dias precisamos fazer este exame de consciência- o que hoje estou trazendo dentro de mim que pode prejudicar ou melhorar minha vivência diária? 

A técnica de atenção plena do mindfulness não é uma terapia alternativa, mas já está sendo usada em conjunto com outras técnicas para tratar doenças mentais.

A atenção plena é sair do piloto automático e do modo ATUANTE da mente, para entrar no modo EXISTENTE. Ela pode te ajudar a dar o primeiro passo em rumo a uma vida em que você só carregue sua mala de mão, com as coisas mais significativas para você. Ela auxilia o ganho de tempo, o desenvolvimento da paciência e da percepção que irão nutrir todos os dias a busca por estas coisas- as que realmente importam PARA VOCÊ.

Isso varia entre os indivíduos. Todos nós somos únicos, e o que eu escolho colocar na minha bagagem de mão pode ser o que você escolha colocar na de porão. Independente das escolhas, que ufa- são livres, a importância de pensar suas próprias prioridades é o que vai permitir que você seja protagonista de sua vida, e como diz Leandro Karnal “sócio majoritário de sua existência”. 

Não se pode ter tudo e nem querer levar tudo. É preciso escolher. Mas é essa mesma escolha que permite sua liberdade, e não o oposto. Pois essa escolha implica parar para pensar, sair do automático e analisar mesmo o que realmente vale a pena e faz seu coração pulsar. O que te energiza e o que te desgasta. E como você quer viver os dias que possui aqui. 

Busque ser livre e escolher todos os dias tudo que quer levar na bagagem de mão. BUSQUE- não é pronto, não é possível sempre, pois no meio de tudo isso temos nossas falhas humanas e imensas limitações. Mas buscar é não se resignar. E isso é o que faz toda a diferença.

E ah! não é para sempre viu? A inconstância da existência é também o que traz sua beleza. Escolha todos os dias, troque se necessário. Retire uma coisa em um dia e coloque outra. Vá se adaptando a sua própria natureza interna, seus anseios e desejos mais profundos. O mais importante é não levar excesso.

Excesso de bagagem pesa, dói para carregar e traz desconforto. A vida já tem os seus próprios, não precisamos de mais.

Escolha ser leve com sua bagagem, e quando digo isso não é pensando no superficial. Como disse o escritor francês Paul Valéry “É preciso ser leve como um pássaro e não como uma pluma”. 

O pássaro escolhe seu voo e bate as asas em busca do seu próprio vento- bem diferente da pluma. 

Escolha sua bagagem de mão, seu próprio vento da vida e saiba exatamente para onde quer voar e bater suas asas! Esse saber passa por etapas de não saber, por mudanças de rota, mas o constante desejo de busca é o que te levará ao caminho certo para si. Esse é o diferencial.

Viaje todos os dias com o melhor que possui em sua bagagem, e o resto do caminho, como diz o poeta espanhol Antonio Machado, se faz caminhando!

2- A Vida pede Humildade

Guimarães Rosa através de um dos seus lindíssimos poemas, descreve muito bem na minha opinião o cheiro que a vida tem, já que 

“O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria,

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem”

Além da coragem, a vida pede humildade. Algo difícil de ser conquistado quando a vaidade aparece para fazer morada. 

A vida pede humildade exatamente pela razão de mostrar constantemente a nossa insignificância. Humildade com as dificuldades dos outros, já que nós também temos nossas próprias dificuldades. Humildade com nossas conquistas, já que também tivemos muitas falhas e frustrações, principalmente para chegar lá. Humildade com o saber, pois percebemos a vasta gama de conhecimento que nunca nos será totalmente alcançado. Humildade com a morte, uma hora é o outro, e uma hora somos nós.

Como disse Guimarães Rosa “aperta e afrouxa”; uma hora estamos bem, em outra não estamos. “Sossega e desinquieta” ela mesma, do jeito que ela quer, e nós achamos ainda que no fundo temos algum controle.

Controle temos mesmo só sobre o trivial, o que nos diz respeito. O que já é muito e é maravilhoso. Precisamos usufruir disso e agarrar nossa vida e sermos protagonistas de todas as nossas ações.

Mas é a vida que controla ela mesma. Ela é a dona de si mesma. Portanto, a humildade se faz necessária.

Somos seres sempre vulneráveis. Respeitar a vida já é um ato em si de humildade (use máscara). Ela conversa com a gente e vai mostrando aos poucos como ela funciona. Assusta e dá medo, mas mais uma vez como disse Guimarães “O que ela quer da gente é coragem”.