Tornar-se M U L H E R

Tornar-se mulher é uma descoberta diária.

Ontem foi o dia internacional da mulher, e muitos dos olhares foram voltadas para nós. Mas meu desejo de fazer o post hoje é para estarmos atentas e não nos enganarmos por um só dia de comemorações. Nossa busca deve ser diária.

Por isso coloco uma questão:

O que é ser mulher?

Simone de Beauvoir já dizia que “Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres”.

Ser mulher é um tornar-se todos os dias. É uma busca autêntica constante de si. É uma multiplicidade de ser. 

É luta diária contra preconceitos, discriminações e violência.

É também luta e busca por um local singular de respeito e que não rouba o espaço de ninguem, mas que anseia pelo seu. O dia da mulher aparece como um só no calendário, mas na realidade todos os dias ao acordar vamos em busca de nos tornarmos as mulheres que queremos ser para nós mesmas e para o mundo.

Todos os dias vamos em busca por compreender o mundo e a nós mesmas. Vamos em busca da expressão singular de quem somos. 

Na verdade, todos os seres humanos devem perseguir essa busca. A busca da própria autenticidade, que não é simples e imediata, mas constante e real, e por esta razão verdadeira. A busca que te permita sentir adequação e bem-estar por ser você. E só.

Eu espero, mulher, que você acorde todos os dias pela manhã e se sinta sempre capaz dessa busca e, que possua a força para construir seu próprio espaço que te permita constantemente ser quem é, sem tirar, sem por e sem correções.

Eu espero que os dias difíceis não façam com que você desista de você mesma, mas que você crie resiliência e reforço de sua luta. Ela é grande, mas o processo pode ser revelador e te proporcionar uma compreensão transformadora do mundo e da natureza humana.

Essa construção que você irá fazer ocorre também através de uma profunda tentativa incessante de compreensão de si e de resiliência.

Tornar-se mulher é uma multiplicidade de ser que não deixa de ser singular, pois envolve a essência, os próprios desejos e verdades internas.

O que é ser mulher para você?

Feliz busca em tornar-se mulher todos os dias, e feliz busca por sua autenticidade!

Natureza Humana

Esse post vai ser diferente e ele vem com uma dica de um livro

O que você pensa sobre a natureza humana? Acha que ela é tendencialmente egoísta ou generosa?

Rutger Bregman traz importantes reflexões em seu livro “Humanidade- uma história otimista do homem”

O título já contém um spoiler- ele encara a natureza humana de forma otimista. Mas a forma que defende sua ideia é baseada em fatos e estudos científicos. Vale muito a pena a leitura, pois é possível perceber como muitas vezes estamos enraizados em nossas próprias convicções e incapazes de olhar além; ou presos em nossas próprias trincheiras. 

Sair é preciso. Enfrentar o mundo, debater ideias e ter a coragem de pensar diferente. De combater a massa e o senso comum. De refletir e ao invés de ter uma busca incessante por respostas (típico da nossa geração) aprender a fazer as melhores perguntas.

Apenas através do questionamento correto é que um encaixe pode acontecer. Não do encontro com a verdade, mas do sentido possível em meio a complexidade, incerteza e ambiguidade do mundo e do ser humano.

Aqui vai um trecho no final do parágrafo para você que tem o desejo em pensar diferente. Para contextualizar, abordamos muito em nossas vidas aquela regra de ouro: Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. Repetimos a frase sem precedentes. Mas somos todos diferentes- e por qual razão deveríamos ser iguais, ter o mesmo tempo ou gostar das mesmas coisas?O livro cita em uma de suas páginas a conhecida “regra de platina”: “não faça com os outros o que você GOSTARIA que fizessem com você” “seus gostos podem ser diferentes”.

Como agir então? Observar e perguntar. Às vezes as nossas relações interpessoais podem beirar a simplicidade através das questões certas e de uma comunicação efetiva.

Viva às mudanças de perspectivas, de vida, de formas de pensar. Não limite a sua existência a uma forma “correta” de ser. Encontre a sua maneira autêntica de ser quem você é e através da autodescoberta no processo- crie a vida que deseja, sustentando as alegrias, as dificuldades, as frustrações e as tristezas. Afinal ainda estamos falando de vida real.

ANESTÉSICOS, EQUILÍBRIO, VIDA BOA?

Se você tirar todos os anestésicos da sua vida? O que sobra? Ou o que de fato realmente existe?

Não são todos os dias que temos sentimentos bons. Não são todos os dias que estamos bem. Às vezes são muitos os mistérios e as decisões difíceis. Também é possível observar como outras pessoas vivem em realidades que julgamos piores ou melhores, e como algumas coisas simplesmente são complexas, ou pelo motivo de serem mesmo ou porquê a vida muitas vezes é assim. 

Mas e se tirássemos do nosso dia, do nosso final de semana, tudo que nos dá prazer e além disso pode servir para anestesiar nossa dor?

Me refiro a anestésicos como sexo, comida, compras, álcool, entre outras substâncias prazerosas que buscamos- às vezes porque realmente dá prazer, e outras para fugirmos de algum mal estar. 

Martin Seligman, conhecido pela psicologia positiva, diz que a boa vida vai além da vida prazerosa, assim como a vida com significado vai além da boa vida. 

Uma palavra se destaca nessa frase: Além.

Quando paramos para pensar com mais calma nessa questão do além do momento, e do que é uma boa vida e o que isso implica, prazer constante, quais tipo de escolhas– entramos em um conflito- devido a complexidade da situação. 

Não podemos ter tudo. Mas evitar o prazer e buscar além para se ter uma boa vida pode ser garantia? Não sabemos nem quanto tempo temos- e nesse tempo precisamos estar sempre a articular presente e futuro

Ao mesmo tempo que só buscar uma boa vida no presente, implica ter uma vida com sentido?

Será que conseguimos condensar no presente o prazer, o sentido, e a boa vida?

Qual o peso da nossa ilusórias certezas? Qual é o link que fazemos na nossa mente entre as nossas escolhas e a nossa felicidade?

Temos muitas vezes a impressão que as escolhas que fazemos serão aquelas que trarão nosso bem-estar. Por mais que erremos, tentamos escolher o que achamos ser melhor para nós. A grande ironia da vida é que não existem garantias. E deve-se viver com isso.

Devemos viver no presente- por ser o único tempo em que temos, mas ao mesmo tempo devemos projetar no futuro e fazer concessões, pensando em como isso pode influenciar nossa vida mais pra frente. 

Existe um equilíbrio?

Quem disse que seria fácil, mentiu. 

A vida pode até sorrir mais em uns aspectos que em outros para algumas pessoas. Condição financeira, oportunidades, horizontes.. nem todos tem as mesmas. Particularmente alguns jovens da geração Y e a Z vivem em um mundo de ilusão- um século de mentiras. Mentiras que prevalecem no social, e antidepressivos que prevalecem no mental. É uma boa conta?

Nunca, em nossos tempos atuais, tantas pessoas sofrem de doenças mentais- ansiedade, depressão, e o suicídio crescem exponencialmente. Em qual local está a calmaria?

Talvez esteja na verdade. Em encarar a verdade dos fatos e da realidade humana. Tantas mudanças externas faz com que pensemos erroneamente que essas mudanças acontecem na mesma proporção dentro de nós. 

Mas nossos pais já sabem. Quer dizer, ou suponhamos que saibam. Nossos avós sabiam, ou suponhamos isso. Não é fácil ser humano. Mas ao mesmo tempo é muito bom. O desequilíbrio é uma verdade da nossa natureza, e por mais que tentem negar e vender fórmulas de felicidade, acontece como dizia Caetano Veloso em que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Nunca fez tanto sentido. 

Cada um sabe por dentro os desafios, as dificuldades, limitações, os desejos não realizados, e também as potencialidades, as oportunidades, o lado bom de ter nascido na própria pele. 

Ninguém está imune. Não existe solução, essa é uma busca árdua que cada um deve fazer constantemente e diariamente- um diálogo interno. 

Um diálogo interno de sentido, contradições, ambivalências, e sentimentos ruins. Mas também de esperança, alegria, amor, e muitos sentimentos bons. Hoje em dia vende-se que devemos sentir apenas o que é bom. E se existisse um processo de aceitação com o que causa dor e desconforto? Aceitar não significa ficar na dor. Sabe aquela frase “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Uns atribuem a Buda, outros a Drummond.

Devemos repetí-la, e ler ela quantas vezes forem necessárias, até estar tão inserida dentro de nós que começamos a praticá-la em nossa vida. Toda vez que formos sofrer por algo, escolhermos se vamos ficar ou não neste sofrimento, apesar da dor.

Quanto antes nós, da geração Y e Z aceitarmos o fato de que somos humanos, mais esperança há para a humanidade. 

As mudanças internas não acompanham o ritmo externo da vida atual. Existe então o choque de realidade. O equilíbrio, se existir, pode ser aceitá-la na sua verdade existencial. 

Ai está a esperança, pois com a aceitação e a visão do que realmente se é- pode se começar a enxergar e construir o que se deseja.

Isso vale sempre também para a realidade interna, só por vezes demoramos muito em aceitá-la. 

Chegou a hora de começarmos a ter um olhar íntimo para dentro, verdadeiro e honesto. Já passou da hora de enfrentar a realidade mais difícil de todas- a de dentro.

Everyone has to run your own race.

Todos temos que correr nossa própria corrida, e a forma como vamos fazê-la cabe somente a nós mesmos. Isso foi o livre-arbítrio nos dado pela natureza. Mas será que temos mesmo toda essa liberdade? Ou melhor, que desejamos ela?

Nem todos começam essa corrida da mesma forma. Dependendo do local ao qual você nasceu, da sua constituição biológica, das pessoas que você conviveu no seu ambiente, dos traumas que teve, das oportunidades que lhe foram dadas- todos esses fatores contarão para formar suas percepções e moldarem suas escolhas mais profundas. A forma como você vai escolher “correr”, o que vai renunciar, se vai ser mais devagar ou mais rápido, se vai ser mais brando ou mais sofrido, se vai ter mais pausas ou ser mais contínuo…

Todos temos a oportunidade de correr. De melhorar, de refletir e de termos novas percepções. Mas não podemos ser ingênuos e negligenciar os fatores. O autoconhecimento deles é imprescindível para que se tornem aliados no processo de desenvolvimento pessoal e busca de sonhos e desejos.

Contudo, é importante perceber também que os aspectos negativos dos fatores não devem servir de justificativa. Muitas vezes nos apegamos a eles para responsabilizar atos que não queremos desempenhar, ou simplesmente não temos ainda força e capacidade emocional para tal. E é necessário saber internamente dessa verdade pois assim evitamos nossa auto-vitimização e justificativas sem cabimento no real

Esses fatores servem como um alerta para entendermos melhor como as desigualdades e nuâncias internas ocorrem, e inclusive para nos relacionarmos com pessoas diferentes e com outros pontos de vista, a única forma de crescimento e expansão. Implica pensar a realidade como ela é, sem muitas idealizações. E implica se conhecer no momento presente para saber onde você pode chegar, suas limitações e as oportunidades que estão presentes na sua vida.

São vários os fatores que formam uma pessoa como ela é. Por isso deveríamos não julgar. Nunca saberemos ao certo o que levou a um indivíduo ser e agir de determinada forma. Nunca saberemos todas as influências ao qual esse indivíduo foi e está submetido. Temos apenas um recorte do real. O mundo interno de cada um é muito mais complexo do que parece ser. Ao olharmos para nós, ficamos mais compassivos e compreensivos com a realidade do outro. O movimento começa sempre por dentro, nunca por fora. 

Com a compreensão dos nossos limites, nossas tolerâncias, voltamos também esse olhar compassivo para nós mesmos. E ai o tempo vai mostrando a riqueza e a pobreza do nosso próprio mundo interno, para claro, quem tem a coragem de dar o primeiro passo e buscar constantemente enxergar. 

O Outro | O Espelho

Olho da janela do meu quarto e chove lá fora, o tempo está fechado esse final de semana em Coimbra.

Mas dentro do meu coração o tempo está aberto.

Penso na vida, nas dificuldades, nas minhas limitações, nos sonhos e vejo que tudo isso faz sentido por uma razão: as pessoas que cruzam nosso caminho.

Podemos estar sós, sentir a temível solidão, mas é só olharmos em volta e ver as pessoas.

Realmente VER as pessoas, que elas existem e estão ali por diversas razões, desempenhando muitas funções.

Elas são complexas, uma mistura de bondade com maldade, competentes em muitos aspectos, não tanto em outros.

Mas elas estão ali, e se estivermos abertos, podemos aprender de cada situação oferecida, seja ela positiva ou negativa.

O interessante e o desafiador é olhar para si através do OLHAR PARA O OUTRO.

Não é olhar para si somente através do olhar do outro, já que precisamos do olhar do outro para nos conhecermos e afirmarmos nossa identidade no mundo.

É também o olhar para si através do olhar em direção ao outro.

Esse processo de autoconhecimento só consegue existir quando o olhar não é voltado apenas narcisicamente para si, mas ele considera um outro que EXISTE, que AGE no mundo, que possui suas próprias maneiras de ver e levar a vida, e que é único.

Se perdêssemos menos tempo julgando o outro por comportamentos que não concordamos, ou que achamos inadequados, ganharíamos tempo conhecendo a nós mesmos e a natureza humana.

Conhecer ao outro e deixar ele existir não deveria incomodar, pela razão de não ferir sua própria existência (a do julgador). Ambas existências são válidas.

Mas você se sente ferido, será que você está tão seguro e certo da sua própria existência?

Sei que é difícil termos certeza sobre nossas próprias vidas, mas é possível estar mais seguro em nós mesmos e em nossas escolhas. E quando isso acontece o outro incomoda menos, e nos sentimos menos feridos.

O Outro pode ser revelador do momento em que você se encontra, se é preciso redefinir caminhos, esforços e expectativas. Se é preciso parar, escutar o silêncio e pensar. Se é preciso ver suas próprias limitações, insatisfações, e desejos.

O Outro é um espelho que nem sempre é desejável, mas que mostra a realidade das curvas de existência.

Por mais que elas não sejam agradáveis, ou desestruturem, ou machuquem, ou …

O Outro auxilia que você encontre um lugar em si mesmo. Um local onde reina a verdade dolorida e maravilhosa de S E R. Um local em que pode servir de desespero ou de refúgio. No fundo não é o material que o compõe que difere- mas a escolha individual de abandono do próprio ego e aceitação da realidade. Essa que é humana e imbatível. Esse olhar pode trazer um alívio e uma menor taxa de cobrança em ser. Assim o que é desespero pode se transformar em refúgio.

O Outro que está em nosso processo de socialização, e dentro de nós quando estamos sós pode nos ensinar muito. Às vezes preferimos cegar e não ver, pois é dolorido demais. Às vezes, conseguimos ter força emocional para enxergar o espelho.

Aprendemos a todo momento, não é só nos livros.

E quando assumimos com maturidade O OLHAR, e também desenvolvemos espaço emocional para isso, podemos nos deslumbrar em ver ao Outro, em deixá-lo existir em nossa vida e em aprender das mais diversas formas com ele.

Entretanto e citando Lacan, para isso é preciso três tempos:

O instante de olhar

Tempo para compreender

O momento de concluir.

Estamos prontos para deixar esses três tempos agirem em nossa vida? Ou apressados demais para não ver tempo algum? Apenas ignorar sua existência por incapacidade de ver o que realmente importa é a solução? Ou incapacidade de Olhar e Compreender o Outro?

Nos perdemos no tempo, e assim não usufruímos dele; apenas somos reféns estáticos de sua passagem.

Na posição passiva a vida passa, e nós permanecemos.

Na posição ativa cada instante vale por si só, e é precioso e cheio de aprendizados, basta querer ver, para depois olhar, compreender e concluir.

Para Se conhecer, conhecer ao Outro e conhecer a Vida é preciso ser ativo no tempo. Ter coragem e mesmo quando não tiver, não ter e reconhecer- melhor que sofrer constantemente de cegueira, enquanto a vida passa.

FELICIDADE NÃO MATA!

Você tem medo da felicidade?

Flávio Gikovate foi um médico psiquiatra e psicanalista brasileiro que se aprofundou muito nas questões humanas, muitas delas as mais complexas. Quero dividir com vocês uma das suas reflexões que me parecem essenciais para entender o modo como funcionamos e as vezes nos sabotamos nos nossos desejos mais intensos.

É o que ele chama de “medo da felicidade”. Ele afirma que quando os seres humanos estão próximos de alcançar uma felicidade muito desejada ou uma meta conquistada arduamente, a felicidade se mistura à uma sensação de medo, como se tivesse “uma espada sobre sua cabeça” e um temor difuso de que algo ruim possa acontecer. 

Flavio também acredita que esse medo surge do trauma inaugural do indivíduo: a dor do nascimento e da expulsão do paraíso do útero onde todas as suas necessidades eram satisfeitas e você vivia em um estado de perfeita harmonia e serenidade. Para ele o medo da felicidade surge quando essa situação paradisíaca parece que irá se instalar novamente, e o medo de outras dores de transição ou expulsão desse paraíso acometem o indivíduo.

Para os que acreditam ou não nessa abordagem psicanalítica, uma coisa é fato: os seres humanos tentam se sabotar e possuem uma “cota” de felicidade ao qual suportam viver. O medo da felicidade acomete a todos nós.

Flávio afirma que sobre ele existem três notícias: uma má, uma boa e uma ótima. A é que a psicologia ainda não se dispõe de meios que livre o ser humano do medo da felicidade. Então enquanto isso não acontece, é necessário ter ciência e administrá-lo quando ele quiser aparecer.

A boa notícia é que o ser humano tem grande capacidade de adaptação a novas condições, sejam elas piores ou melhores. Que busquemos sempre nos adaptar sempre as melhores condições possíveis, e que persigamos isso com afinco na vida.

A última ótima noticia que Flavio nos deixou é: a felicidade não mata!!

Ter a consciência maior deste mecanismo nem sempre agradável que existe dentro de nós pode fazer com que tomemos outro rumo em algumas ações em nossa vida, e ter escolhas mais conscientes com a vida que realmente sonhamos para nós mesmos. 

Isso é um exercício diário. Abandonar as próprias justificações banais para a não conquista de algo é um exercício de honestidade íntima. Implica perceber as limitações, mas lutar para superá-las, se permitindo ser feliz na totalidade e ser o máximo de todas as suas potencialidades. Usar essa energia interna para construir sólidos alicerces acredito que seja o que todos devemos perseguir diariamente e incansavelmente. 

Caso contrário viveremos uma vida a mercê de nós mesmos. Não negligencio as dificuldades, elas são muitas e existem, mas a consciência é o primeiro passo da transformação.

Por isso defendo e defenderei até o fim a importância de jogarmos luz em nossas dores e limitações, pois esse é um dos caminhos longos, mas verdadeiros para a real transformação humana. Um caminho que vale a pena percorrer para usufruirmos da satisfação de pertencermos a nós mesmos.

Finalizo com Friedrich Nietzsche e a frase que amo proferida por ele: “Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo” .

Equanimidade e Ser tudo que se é: combinação realista?

Essa palavra apareceu no meu dia, sendo discutida sobre a ótica de colocarmos “tudo que somos” no mínimo que fazemos, mantendo equanimidade. Quando fui buscar ao google o significado da palavra, aparece: “serenidade mental; igualdade constante de ânimo ou de temperamento em qualquer conjuntura da vida”.

Será que é saudável mentalmente e viável sermos “tudo que somos” e manter um equilíbrio em qualquer situação?

Para iniciar mais uma reflexão a respeito de ser tudo que somos no mínimo que fazemos, vou citar o poema de Fernando Pessoa, na verdade de um de seus heterônimos- Ricardo Reis:

“Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive”

Esse poema, como muitos do autor, contém uma sutileza e profundidade de palavras na transmissão da mensagem. Não precisa de muito para dialogar com o leitor.

Quando interpreto o poema de Ricardo Reis, no seu “põe quanto és no mínimo que fazes”, acho intenso e real, e concordo que isso deva ser nossa busca de todos os dias. Entretanto, não vejo isso trazendo um estado de equanimidade. Pelo contrário, deixar ser, por inteiro, implica e independe do estado de ânimo ondular do momento, é apenas ser o quanto se é: as vezes mais, as vezes menos.

Discutimos muito na vida sobre o equilíbrio, e como muitas vezes é um estado desejável por cada um de nós. Mas o equilíbrio pode ser a soma de ondulações de forças que no seu total se igualam. Ele não envolve necessariamente um ânimo sereno e constante em cada etapa de nossas vidas. O equilíbrio é dinâmico. Tem dias que acordamos de uma forma, outros de outra. Tem dias que estamos mais enérgicos, outros mais calmos.

Ser no mínimo que fazemos é abraçarmos quem somos em primeiro lugar (se é que sabemos quem somos).

Agora, será que é possível colocar sempre quem somos em tudo que fazemos?

Entre o sempre e o nunca, está a natureza humana. Ela transita entre esses extremos, mas raramente chega a eles.

Mas, conseguimos perceber, internamente, quando colocamos “tudo que somos” no que fazemos?

Acho que ai a pergunta já começa a ter uma cara maior de resposta. Temos percepções internas e sentimos quando fazemos o máximo que podemos, assim como sentimos quando fazemos o mínimo.

Essa reflexão pode levar também a outro questionamento: O que nós somos? Não passamos a vida a tentar descobrir?

Independente do seu estado de ânimo, se entregar, viver de verdade as experiências, estar presente de mente e alma, observar as próprias reações, se conhecer. Colocar tudo que somos no mínimo que fazemos pode ser estar de coração e com verdade, assumir riscos e abraçar a vida em todas as suas facetas, independente do resto.

Realmente para viver é preciso coragem, de estar presente para encarar ver não só o que é agradável em nós mesmos. É uma desconstrução de ego constante, mas é uma realidade única, que só quem vive, sabe.

Finalizo com Pessoa “Põe quanto és

No mínimo que fazes

E nesse percurso desconstrua sua vaidade, seu ego, seu sentido de capacidade pessoal,

Para depois reconstruir novamente, e desconstruir …

E nesse processo: humanize-se e saiba exatamente suas capacidades e seu valor

de uma forma realista, humana e sua.

E nessa singularidade e movimentos ondulares de ser, você encontra suporte, desespero, e calma para viver essa vida que é um desafio para todos nós.

A precariedade do “EU” em busca de Excelência

A excelência te motiva? te questiono isso leitor pois sabemos que podemos encontrar todo tipo de profissional no mercado- vamos dividir de forma simplista em ruins, medianos e excelentes. 

O que diferencia cada um deles? História de vida pessoal, carga de esforço, escolhas, oportunidades?

Sabemos que como humanos, somos limitados. E em muitas situações gostaríamos de poder fazer muito mais do que fazemos. Falhamos, decepcionamos pessoas e a nós próprios. 

Mas algumas coisas são fatos: sabemos muito bem a carga de esforço que colocamos para cada situação diária, e sabemos muito bem também quando aliviamos na ação. Esse saber interno é o que cada um possui dentro de si.

Aliviar na ação ou deixar de fazer algo é ruim? Precisamos estar sempre nos esforçando? Claro que não. A escolha diária da vida e do tempo, e a escolha diária de qual local colocamos nosso esforço é feita levando em conta diversas variáveis, tanto internas (psicológicas) como externas (sociais).

Mas quando questiono sobre a pergunta no início do post, se a excelência te motiva, é porquê ela tem um preço alto para o indivíduo em questão- ela implica muitas decisões complexas e abdicações. Mas é relativamente fácil para nós da “plateia” consumir essa excelência. 

Podemos querer estar em contato com profissionais excelentes, mas será que estamos fazendo o mesmo esforço para as pessoas ao nosso redor e para o mundo?

Deixo essa reflexão não em forma de cobrança, mas de questionamento profundo. Muitas vezes nossa vida é nossa ação diária no tempo- no longo prazo. 

O preço a se pagar por essa ação cabe ao indivíduo decidir a partir de certa idade, ninguém decide por ele. 

Mas as decisões perpassam um terreno complexo do mundo psíquico, e tem algo de essencial nesse espaço sobre o homem que Freud já nos mostrava, mas que a modernidade insiste em ignorar.

O homem concebido por Freud é cindido, clivado, em constante conflito interno, incapaz de se autoconhecer e se autodominar por completo. Um sujeito que a muito custo tenta manter uma imagem falsa de unidade coesa.

Para Freud existem vários conflitos que perpassam a psique humana: o conflito entre os impulsos e desejos inconscientes, o qual é irredutível, as exigências da realidade externa a qual o “eu” deve se preocupar, e os imperativos de nossa própria consciência moral. 

Entre tantos conflitos e uma ilusão de imagem coesa do “eu”, em qual local está a excelência das práticas e competências humanas? Já que quando observamos a realidade percebemos que ela existe apesar deles. E a existência dela por si só já é imperativo prático e real. 

Outra importante questão é: A EXCELÊNCIA sucede o CANSAÇO? É preciso a exaustão para alcançá-la?

Opiniões diversas podem surgir destas questões, mas na minha visão, a resposta é depende. Depende de qual cansaço estamos falando. Acredito que quem tenta buscar por uma vida de excelência tem muito mais trabalho e cansaço do que quem escolhe uma vida com menos esforço e busca. Existem os ônus e bônus de cada escolha. E as consequências delas. Mas é um cansaço derivado da ação verdadeira, do esforço- seja ele físico ou mental.

A excelência que trago aqui não é sinónimo de ganho financeiro. É aquele sentimento interno de realmente ter se esforçado ao máximo por fazer seu melhor em determinada ação, e por perceber que possui na sua prática profissional algo de diverso e bom para acrescentar na vida das pessoas- de verdade. É realmente perceber que tentou buscar e dar o máximo de si, abdicando de coisas mais fáceis momentâneas por um período maior de tempo em busca de determinados objetivos. 

Pois na minha visão a excelência do outro motiva para que você busque a sua própria. É como se fosse retribuir ao mundo o que recebe, em forma de ações. Pessoas que são excelentes aos nossos olhos (isso pode ser distinto dependendo do indivíduo) nos tocam de alguma forma, são admiradas e reconhecidas por nós.

É real que nossa sociedade esteja cansada, mas não creio que seja cansada de esforço. É um outro tipo de cansaço, não o que é derivado da ação, mas um que precede a ação.

Nossa sociedade está cansada emocionalmente, as vezes até antes de chegar no nível do esforço e comprometimento exigido pela excelência e pelas ações desempenhadas. 

Nossa sociedade está cansada porque vivemos uma onda de mentiras, negacionismo e não aceitação da natureza humana.

Nossa sociedade está cansada pois está engrandecida das mais variadas formas.

Nossa sociedade está cansada porque Freud tinha razão: identificar e aceitar a precariedade do “eu” consciente pode não ser sinônimo de guerra contra as ilusões da autonomia e engrandecimento, mas de paz psíquica para um homem moderno que está entrando em colapso físico e emocional.

Aceitar a precariedade do “eu” pode ser o melhor caminho para a busca de excelência no que quer que você faça. Parece uma idéia paradoxal, mas a ambivalência é outra característica da natureza humana. Bem-vindo ao mundo precário, real, e mesmo assim passível de excelência.

Qual o preço que você paga pelo que acredita? Ou pelo que quer lutar?

A verdade é que na vida conhecemos diferentes tipos de pessoas, que pensam de formas diferentes e, consequentemente, possuem vidas diferentes. A questão é que não existe uma maneira certa, existem varias formas distintas e particulares. Únicas, dependendo da singularidade de cada ser.


À reflexão que quero trazer hoje é que devemos tomar muito cuidado com o padrão e com formas pre-existentes de viver. A coragem é necessária para podermos enfrentar e defender nossas próprias lutas. Todo caminho escolhido terá dificuldades e alegrias, isso faz parte da condição humana de viver.


A racionalidade também nos diferencia dos animais. E ela é essencial para decidirmos qual vida será a mais satisfatória para nós mesmos, o que realmente queremos ou desejamos, e não é uma resposta fácil ou de uma só escolha ou solução. A maior parte das vezes não temos respostas, e sim muitas perguntas.

É uma consciência que precisa ser trabalhada diariamente, e escolhas que se modificam dependendo do momento de vida em que nos encontramos.


Em muitas áreas olhamos o padrão, mas a verdade é que se todos fizessem o mesmo, não teríamos o mundo que temos, nem as oportunidades e a variedade de que é capaz a criatividade humana.

Que bom que existem pessoas que buscam constantemente defender a sua singularidade no mundo.Elas também tem escolhas e toda ação implica uma sustentação, seja no momento em que ela está sendo realizada, seja posteriormente. As vezes mais difícil, as vezes mais fácil.


Por isso te questiono novamente leitor: o quanto você está disposto a sustentar seus desejos? O quão você está disposto a lutar todos os dias por eles? e por tempo muitas vezes indeterminado?

Indago mais algumas: Você considera todos os seus desejos confiáveis? Apostarei de forma cega neles?


Desistimos fácil, nós humanos. Nenhuma conquista cai do céu, principalmente se ela é singular e individual. E mesmo quando é coletiva e vinda da imitação. Ela custa, e muitas vezes, um preço alto.


Vivemos em um mundo que quer a alegria 100% dos dias, um mundo que estampa uma felicidade falsa, irreal. Em um mundo como esse, é mais que necessário encarar a realidade- que é bem distinta pois ela é humana, com todas as suas facetas.


Todos nós sabemos. É só olharmos para dentro. Temos nossos conflitos, inseguranças, medos, limitações, e mesmo assim caímos em armadilhas de uma vida falsamente feliz.

Encarar a vida com determinação e coragem é uma escolha pessoal, uma construção, uma decisão diária de se submeter e sair da sua zona de conforto. E mais que isso, dispor de uma energia física e psíquica todos os dias para a realização das ações.


Cada decisão possui perdas e ganhos. É preciso pensamento, consciência, energia, ação e planejamento. Quais são as perdas com alguma escolha? Quais são os ganhos? E não somente no momento presente. Digo que em 3 momentos: curto, médio e longo prazo. Perguntas abstratas e não absolutas, já que as respostas não são certas.


Defenda a sua escolha. Não espere que outros apoiem ou aplaudam a sua forma de olhar a vida. É a sua. Respeite também a forma como o outro olha a vida. Saiba perder, saiba ganhar.


Tudo isso que acabei de escrever acima é MUITO difícil de ser conquistado, às vezes demora anos e até uma vida. Mas precisamos insistir nesta tecla: ninguém é responsável por nossas escolhas, somente nós mesmos. Não existem culpados pelos nossos fracassos, somente nós mesmos.


É só pensarmos nos ganhos e nas coisas boas que nos acontecem, nunca referenciamos a terceiros, ficamos orgulhosos e felizes pelo que conquistamos. Devemos também ter humildade em nossos fracassos. Não é simples, mas acredito também que seja uma conquista, árdua, mas uma conquista de vida.


Desejo a você leitor, que você escolha pagar um preço justo pela sua vida, pelo seu protagonismo e pelo seu esforço. Nem de exagero para mais, nem para menos. Mas um preço justo- esse que só você pode encontrar por si mesmo. Ninguém mais poderá achá-lo.

Desejo que você pense a vida com consciência e ação, e coloque na balança TODAS as possibilidades que venham à sua cabeça. Pense, imagine, repense, crie, utilize de sua mente a seu favor. E principalmente, aprenda com suas próprias experiências.


Porém … colocando ou não um quanto de possibilidades possíveis, a vida sempre vai dar um jeito ou outro de te surpreender, seja pelo lado bom ou pelo ruim. Mas é assim mesmo, sabemos que é. Pelo menos você terá feito uma escolha mais pensada na realidade, com um foco adulto e responsável sobre suas ações.

Que as ansiedades do caminho e angústias não te façam desistir, apenas te tornem mais forte após alguns primeiros momentos de te tornarem mais fraco.

Uma feliz escolha ou não, todos os dias.

Que suas certezas, verdades e escolhas possam ser questionadas em todos os momentos de sua vida. Citando uma parte do livro “Humanidade, uma história otimista do homem”, o autor se refere à um político chinês que, quando indagado sobre os efeitos da Revolução Francesa, respondeu “É um pouco cedo para dizer”.

Sinto que quando pensamos em nós mesmos e nas nossas supostas “certezas”, a vida sempre vem nos mostrar que não estamos tão certos assim, e que sempre “é um pouco cedo para dizer” quais serão os efeitos a longo prazo de nossas escolhas e ações.

Encerrando ciclos

Tudo é construção, esforço diário, dedicação.

Ah, mas você pode perguntar, será que é só esforço? Não acredito que seja. Na vida real, as coisas são mais complexas do que parecem ser.

E para percebermos isso é só olharmos genuinamente para dentro.

Sinto que muitas vezes nos enganamos ou vemos as pessoas se enganarem. Estava vendo um evento esta semana que uma pessoa dizia “Vocês não devem se comparar, somente com vocês mesmos, e devem buscar ser melhores hoje do que foram ontem”

Quem conhece um pouco, minimamente da própria natureza ou da humanidade, sabe que essas frases não são reais.

A comparação é inevitável, é um mecanismo mental que em muitos momentos aparece em diversas situações na interação com o ambiente externo, esse que temos contato. Talvez se morássemos em outra galáxia teríamos outro campo para se comparar.

A segunda mentira é sempre ser melhor que ontem, como se fosse possível na vida humana nos superarmos todos os dias e entrarmos em uma curva ascendente de crescimento e desenvolvimento, que só fosse melhorando com o tempo, até chegar a …?

A questão é que todas essas frases são repetidas inúmeras vezes em convenções, palestras, workshops, e o mundo continua com seus problemas, os indivíduos se angustiam, anseiam, desenvolvem doenças psicológicas.

A realidade da psique humana vai muito além disso. Ela convive com todos os tipos de sentimentos- isso faz parte de quem você é. Já passou do tempo em que deveríamos parar de olhar frases óbvias e tentar parar, discutir e refletir a veracidade das questões humanas.

Só quem aceita a humanidade na sua completude, com todas as suas ambivalências e desafios, é que pode iniciar uma jornada de entendimento, compreensão e se for do desejo e da capacidade, desenvolvimento individual.

Todos nós queremos e seríamos o melhor se pudéssemos.

A verdade é que não podemos tudo. Temos dificuldades, limitações, oportunidades diferentes na vida- e acabamos fazendo as vezes o melhor ou não do que temos a nossa disposição: seja com a genética, com o mundo intrapsíquico, com a contingência e com as oportunidades.

O sistema mente, o mundo mente. Não, não são todos que tem capacidade para serem empreendedores, CEO, e por ai vai.

Tem dias que acordamos bem. Outros que acordamos mal. Tem dias que temos mais energia. Outros que temos menos. Tem dias que as circunstâncias favorecem a vida. Tem dias que o inesperado negativo acontece. Tem dias que estamos com mais sono, fome, desilusão. Tem dias em que acordamos cheios de esperança. Tem dias que não estamos dispostos a tolerar certos comportamentos. Tem dias que estamos. Tem dias que somos mais compreensivos, outros menos. E por ai vai …

E sobre estes fatos e ESSA realidade, que é a humana, devemos pensar em não ser melhor que ontem, mas dentro da possibilidade do dia, da possibilidade que surge ao abrirmos os olhos pela manhã- nos esforçarmos para ser o melhor daquele dia. Ou não, já que esforço é uma questão de escolha e movimentação- física e principalmente psíquica. É uma questão de gasto de energia.

Mas para quem quer buscar isso, ser o melhor daquele dia.

A comparação vai existir, vai invadir sua mente, e ela nem sempre é negativa. Ela é necessária para nos posicionarmos no mundo, e sentirmos o que devemos buscar para nós mesmos.

A vida nos presenteia todos os dias com pistas internas. A maneira como nos sentimos pode indicar e nos mostrar se o caminho está relativamente direcionado para nosso desejo. Ou não, já que depende da situação

Mas também devemos tomar cuidado com nossos desejos …

Podemos confiar no que sentimos? se muitas vezes é passageiro?

E o cuidado com as palavras?

Sabemos que palavras são “só palavras”, e muitas vezes através delas reconhecemos coisas a serem mudadas, melhoradas, mas porquê isso não basta?

O mundo psíquico humano ainda é um mistério, apesar dos avanços. Não podemos desistir nunca de buscar o melhor para nós (o que eu acredito), mas precisamos ter a consciência da dificuldade. E isso na verdade é bom, pois faz com que sejamos mais humildes, e também que respeitemos com reverência a dificuldade do outro, pois sabemos muito bem a realidade.

E é intenso, complexo e ambivalente.

Fico pensando, será que um dia vamos parar de repetir frases convencionais? E vamos partir mesmo para a investigação e prática das ações humanas?

Hoje encerro um ciclo com mais dúvidas que respostas, e por isso sei que estou no caminho certo.

Digo que devemos também sempre estar em um constante movimento de encerrar ciclos de mentiras internas, o quanto como possível. E começar a encarar a verdadeira realidade da existência. Que sabe ser linda, desafiadora e assustadora ao mesmo tempo.

Acredito sim que podemos ser melhores seres humanos, mas acredito também que isso começa através da compreensão do que é realmente ser humano.

Alguém sabe?