Adultar


Uma coisa engraçada é o processo de Adultar 
Um pouco de ironia para o dia de hoje
Já que Adultar é coisa séria
Não é brincadeira
Aprendemos e vamos modificando a forma de Adultar ao longo da vida
As pessoas Adultam de maneiras diferentes
O que determina uma ou outra?
Quando tínhamos uma sociedade orientada verticalmente
Em que existiam mais certezas que dúvidas
O processo de Adultar não era mais simples
Era diferente
Em uma sociedade em que os laços sociais se modificam
Temos uma estrutura horizontal
Somos levados constantemente a fazer escolhas
Que na maior parte das vezes não temos garantia
Mas na mesma devemos escolher
A forma de amar
A forma de estudar
A forma de trabalhar
A forma de estar
Mas até nos apropriamos dessa forma escolhida
Somos massacrados pela dúvida
Pela necessidade de alguma mínima garantia
Essa que não é mais possível de ser alcançada
A dúvida instaura a angústia
Essa que cada sujeito deve se averiguar e resolver por si
E que a partir dela irá inventar e se responsabilizar
Adultar se torna algo múltiplo
Não diz respeito só com pagar contas ou ser responsável por uma família
Mas na inscrição e implicação no seu desejo mais radical
E na forma como escolhe levar a sua Vida
Isenta de garantias
Adultar se torna um imperativo categórico
Não adianta querer escapar
Quem se faz responsável pela suas emoções, sentimentos, seu pensar e agir
Começa a navegar no mundo com seu próprio barco
Saindo da posição infantil de esperar do Outro
Uma salvação
Uma resposta
Uma garantia
Já dizia a famosa frase de Alice no País das Maravilhas
“Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”
O desbussolamento é uma realidade
Conceito utilizado por Jorge Forbes
Em que o sujeito se vê com novos desafios
Frente a este mundo que mudou sua lógica
Mas se pensarmos pela positiva
Encarar este fato pode ser libertador
Pode ser a primeira vez na história que a liberdade seja legitimada
Na maneira que lhe condiz mais adequada
Liberdade essa que será usufruída só para quem aguentar também suportar
O outro lado da moeda
O não saber
As incertezas
A dúvida
A quem aprender a suportar a angústia
Quando ela aparecer
E não tampona-la com seja lá o que for
Para aí então, quem sabe
Surgir a radicalidade do novo
Esse que não é entregue de bandeja
Mas que necessita de estrutura para se solidificar
E consistência para se sustentar
Qual a sua forma de estar no mundo? 
É uma pergunta que passamos pela vida descobrindo
(Re)ordenando
Modificando
Cada um na sua busca singular
Porém uma coisa é certa
Não existem garantias
Mas quando chamamos a Vida pelo nome
A Vida que existe dentro de cada um de nós
Responde… se você tiver esperança, curiosidade e entusiasmo suficientes
Para realmente viver & conhecer-se de verdade
Espero que para ti, nenhum caminho sirva até achar o que realmente deseja caminhar. Em todas as áreas de sua vida.
Keep Searching.

O excesso de Blá Blá Blá

Chamo de blá blá blá aqui a falação contínua

O excesso de nada

O insignificante 

O que não tem função nem nunca terá

Atualmente vivemos a era do blá blá blá social

Muitas vezes até nós mesmos caímos nessa

Hoje todo mundo fala sobre tudo

Sabe de tudo

Mas muitos poucos tem a real consciência do que estão a falar

Existe uma preguiça mental reinando sobre o mundo?

Todos querem fazer a diferença 

Mas no mundo dos excesso (s)

Onde encontra-se o verdadeiro eu? A conversa significativa?

É preciso saber observar e ouvir

Diminuir a dose, experienciar a solitude

Quem sabe se encontra a Falta andando por aí à solta

Dentro de ti

Ou no mundo dentro do outro

O blá blá blá realmente tem ganhado espaço 

Mas em um mundo de excesso

Quem souber enxergar a Falta que existe dentro de cada um é rei 

Quem sabe quando a Falta for realmente vista de frente

Com um olhar sincero

Não possa surgir algo novo e criativo daí 

Sem pecar pelo excesso

Só se for na busca de autenticidade e singularidade

Acho que esse excesso é o que vale a pena apostar.

Há quantos anos você se conhece?

Faço essa pergunta devido as duras e difíceis questões que podem surgir quando nos relacionamos com outras pessoas. 

Sabemos que muitos dos problemas do mundo derivam de problemas nas relações. Seja em qual ambiente for, o desafio dos relacionamentos se faz presente na vida de cada um (sejam os familiares, os amorosos, ou os do ambiente de trabalho). 

Ana Claudia Quintana é uma médica mundialmente conhecida por seu trabalho desenvolvido em cuidados paliativos. Em uma de suas palestras, ela refere que existem quatro tipos de pessoas dentro de cada um de nós. 

A que eu conheço e os outros conhecem, ou seja, como eu me mostro ao mundo (olhar similar do próprio e do outro)

A que eu conheço e os outros não conhecem (olhar para o próprio eu, vestido de realidade ou não – a depender do sujeito)

A que os outros conhecem e eu não faço ideia do que seja (olhar do outro sobre mim)

E aquela que aparece em situações específicas, que nunca vivenciou antes (novas descobertas do eu, sendo elas doces, amargas ou mistas)

Podemos nos surpreender com alguns comportamentos pessoais que temos ao longo da vida. Ao mesmo tempo que podemos nos surpreender com a visão do outro sobre nós.

O desafio da vida é ir descobrindo-se nos processos, nas vivências, nas aprendizagens.

A relação entre o eu-outro e a vida no seu contexto é muito estudada na psicologia. Diversos autores, teorias, e modelos surgem para tentar entender o comportamento humano na relação com o outro. E como a partir daí, muitos problemas ou soluções podem emergir. 

Longe de se ter uma resposta ou solução, a relação com o outro pode revelar muito de nós mesmos. O que não conhecemos ainda e ficamos a descobrir, dores e feridas escondidas, novos questionamentos e necessidades. 

Repito a pergunta do início: Há quantos anos você se conhece? Você realmente tem a coragem de olhar para dentro e aceitar enxergar? 

Na vida é preciso haver espaço psíquico para as dores e para o desconforto. Em um mundo que prega a felicidade a todo custo, o amadurecimento entra em extinção.

Em um primeiro momento, a contemplação da angústia. Em um segundo momento, a transformação e a implicação na mesma. Talvez a posteriori, surja alguma forma de recomeço e de amadurecimento necessário. Um fortalecimento interno da estrutura que revele a verdadeira consciência.

Termino com a frase de Lacan: “Penso onde não sou. Sou onde não penso“.

Onde jazem os esconderijos do seu eu? Será que você estaria disposto a enxergar?

O renascimento só é possível com a aceitação da morte.

Love is the way

Me refiro ao A M O R aqui de forma abrangente e não só em relação a pessoas, mas a experiências, viagens, escolhas, e todas as formas que você possa um dia ter sentido Amor em sua vida.

Love is the way.

Quando há Amor, o preço que se paga sempre é alto.

Ahh mas o Amor sempre vale a pena. 

Existem vários tipos de Amor.

Ele é a resposta. 

Onde há Amor, há verdade. 

Onde há Amor, há sabedoria.

Onde há Amor, há compreensão.

Onde há Amor, há respeito.

Nem sempre de uma forma linear. O Amor não é perfeito. Muitas vezes, por linhas tortas, mas ele existe lá. Afinal, somos humanos, e isso já diz tudo. Nada na nossa vida é linear.

Onde o Amor habita, tudo dá certo, da forma que deve ser. 

Quando me refiro ao Amor, falo de uma experiência íntima de verdade com o que se vive, sente, e de uma conexão transformadora. Essa experiência pode vir através de variadas fontes. A palavra transformação é essencial, pois ela acontece apenas quando se vive com verdade nestas mesmas experiências.

Além disso, quando o Amor existe, ele consegue mostrar facetas de nós mesmos que não conhecíamos. Ele abre portas para novas descobertas de si. Sejam lá quais forem. Descobertas que surgem no encontro com o outro, com o estranho em si (que depois se torna conhecido), e com a vida na forma mais bela que ela possa se apresentar. 

Seja Amor por uma experiência, por uma pessoa, por amigos, pela família, por uma jornada, por uma escolha. O Amor pode aparecer das mais variadas formas. 

O Amor também traz muitos ensinamentos.

Ele ensina a saber deixar ir, viver com a saudade, e querer o bem acima de tudo. 

Ele ensina mesmo quando rasga o peito. Ensina também tantas outras coisas, difíceis de serem expressas em palavras. A verdade é que cada um sabe quais ensinamentos as experiências de Amor já trouxeram para sua vida.

Por isso sempre busque o Amor. Faça suas escolhas baseado no que pulsa dentro de ti, e não se arrependerá um dia sequer de sua vida. Apesar das consequências. Serão as que valem a pena levar na bagagem.

Nem sempre é fácil, não é isento de dor, mas desconfio que possa ser o único caminho possível para descobrir a verdade acerca de si mesmo, do outro e do mundo. 

Love is the way. Always. Pois a troca real e verdadeira sempre restabelece.

Vou terminar com uma frase proferida por minha prima numa conversa significativa que tivemos: “Parece que quando a gente tem trocas com quem a gente ama, a gente se enche mais da gente também”. 

Encher-se de si, no meu entendimento, não tem a ver com ser autocentrado ou buscar sempre focar em si mesmo. Mas é na possibilidade de exercer ao máximo o seu potencial, conscientizando-se no processo. É uma percepção que ocorre completamente a posteriori. E estou desconfiando que talvez essas sejam as melhores. O encontro com o real, com o que se mostra ser, no desejo, na pulsão e na ação. 

Não passamos nesta vida sem sofrer. Ninguém. Quando não temos escolha para algumas dores, se for para senti-las, que seja pelo belo. Desejo aos meus leitores que nunca desistam de buscar através do Amor as melhores experiências, já que essa busca é eterna.

Ah, e que se encham de Amor neste final de semana!

A Passagem do Tempo

Sabemos que o que temos de mais precioso em nossa vida é o nosso próprio Tempo

Às vezes ele passa mais rápido

Às vezes mais depressa

Às vezes contamos as horas e queremos acelerar

Às vezes queremos retardar

Cada indivíduo, único e singular, percepciona a passagem do tempo de uma forma

Diária e diferente

A mesma passagem do tempo pode ser algo bom ou ruim. Ela pode fazer com que você se acomode aos seus sofrimentos e ache que as coisas não possam ser diferentes do que são. Existe um risco em todo tipo de acomodação. Ele pode ou não valer a pena.

Existem alguns momentos em que coisas no mundo exterior vão acontecendo e mostrando sinais por alguma razão, ou também por razão nenhuma. Observar o mundo exterior acontecendo em congruência ou não com nosso mundo interior é um processo que sempre estaremos vivendo. Alguns momentos com mais intensidade, e outros com menos.

Precisamos estar atentos e com os olhos abertos. E conscientes.

Depois que os sinais aparecem, temos sempre uma escolha a fazer: enxergar e agir, enxergar e escolher deixar tudo igual, enxergar e fingir não ver (através de diversas ações, uma delas é a negação), enxergar e não dar conta de ver, ou não enxergar ainda (por outras razões, limitações ou incapacidade).

Independente da sua escolha, do risco que deseja correr, da ação que deseja tomar, jamais se acomode a ser uma pior versão de si mesmo (seja para você ou para o outro).

Se acomodar não significa deixar as coisas como estão, e não se acomodar não significa mudar as situações. A acomodação encontra ou não sentido no seu mundo interno, na sua forma de ver a vida, implicando nas suas escolhas diárias.

Já dizia Nietzsche que “Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.”

Qual será a sua escolha?

Dia da Mulher / Ser Mulher Todos os dias

Feliz dia da Mulher para todas nós!

Que não deixemos nada apagar nossa voz interior e que tenhamos discernimento e sabedoria para ultrapassar os desafios. E que, como disse Simone de Beauvoir, “tornarmo-nos as mulheres que queremos ser” com toda a diversidade e potência que isso implica ❤️

Beijos carinhosos, hoje, em especial, às minhas seguidoras!

Em um Tasco Português …

Sabe aqueles locais em que poucas pessoas entram? Mas que mais pessoas deveriam entrar? É sobre esse local que vou escrever hoje. 

Em um tasco português uma noite inesperada, agradável, com conversa boa, risadas e até uma dose de filosofia. A inteligência pairava no ar, vários tipos dela, não só a clássica conhecida. A hilaridade concitando o conhecimento e o aprendizado. Duas palavras que aprendi e mal sabia (hilaridade e concitar). Com direito a definições filosóficas de Sócrates, e poesia ao vivo com elogio que toca a alma de uma maneira única, que nem todos sabem fazer. 

Em um tasco português que beira a simplicidade externa aos olhos de quem não vê a grande riqueza interior que contém.

Em um tasco português pessoas inteligentes, felizes e humildes. Que fizeram de suas oportunidades o melhor que puderam para si mesmas. Comida boa, preço honesto e fiquei ainda mais impressionada com a história do dono. 

Amargura e ressentimento a gente não vê por lá. Só amor e desejo de fazer o seu melhor no seu trabalho diário.

Em um tasco português reiterei a ideia de que temos muito a ensinar, mas temos mais ainda a aprender, sempre. 

Em um tasco português percebi novamente que nem toda pessoa, situação, circunstância, experiência que temos pode ser transformadora. Mas que tem umas que são mesmo especiais, e nos transformam de uma maneira única. Tocam nosso interior, conversam com o que há de mais honesto dentro de nós mesmos. Já sentiu isso? E melhor ainda, quando menos esperamos. 

É muito difícil enxergar a beleza interior das pessoas, conseguimos ver quem sabe através do olhar, ou de uma boa conversa, mas não há certezas. Mas uma coisa podemos sentir: a leveza e o ser/estar do sujeito no mundo. No fundo mesmo, a beleza interior não é vista com os olhos, mas sentida com o coração.

Leveza, olhos fechados, alegria na alma – assim termino minha noite feliz, lembrando a máxima de Sócrates “Só sei que nada sei”. Exatamente por não saber, que posso manter o entusiasmo e a curiosidade em conhecer, seja a forma do outro de estar no mundo (seu ser psicológico), seja atravessando os mares do conhecimento, seja vivendo as mais loucas experiências. 

Conhecer-se em um tasco português cercada de energia boa e leveza é uma ótima forma de viver e ser feliz. Pelo menos por hoje. Boa noite 🙂

Conforto Psicológico: é preciso sangrar e ter um espaço para a dor

Você viveria sua vida repetidas vezes?

Estava lendo um livro do Leandro Karnal “O Dilema do Porco Espinho” e essa reflexão apareceu em minha mente. Você viveria sua vida repetidas vezes? As dores e os prazeres? E se não, o que mudaria hoje para começar a viver?

Somos quem somos, e a busca deve ser se sentir confortável e habitável na própria pele. Uma busca árdua, que envolve sangrar, amadurecer e crescer. Não acredito na ilusória e falsa mensagem vendida atualmente de uma vida de prazeres constantes, sem desafios e frustrações. Pelo contrário, ela serve para adoecer nossos próprios sentidos e percepções, fazendo com que nos tornemos imaturos e, consequentemente, tenhamos mais mal estar psicológico. 

Acredito que podemos ter sentido em nosso cotidiano, e devido a isso viver com sentido. Podemos sentir um bem estar que não exclui momentos difíceis e desafiantes. A questão é que cada um passa por algo específico, e as comparações só minam a singularidade de cada vida humana e situação específica. Verdadeiramente, não há como comparar. Essa ideia é absurda. Sabemos muito pouco de nossa natureza interna, e muito pouco do outro. A comparação é sempre superficial. Da camada mais fina que existe.

Mas como adquirir um certo conforto psicológico por estar vivendo a vida que seria repetida diversas vezes se possível?

O conforto psicológico é muito melhor que o conforto material, ou o conforto da aprovação alheia, ou o conforto do sucesso externo. Mas esse conforto não é dado, e sim conquistado, com muito esforço e dedicação. 

Para exemplificar essa conquista, vou parafrasear uma parte do texto de Kafka em “A Metamorfose”. Existe uma passagem do livro, especificamente, a qual Gregor, incapaz de se mover e em combate físico e psicológico com o pai (através do meu olhar), fica preso na porta do seu quarto. Ele precisa entrar e passar por essa situação, mas se vê impossibilitado. O pai o empurra fortemente e ele voa para dentro do quarto, “sangrando abundantemente”. 

Esse sangrar emocional abundante muitas vezes se faz necessário, e se suportável pelo indivíduo, pode possibilitar criação e responsabilidade (o que desenvolve a psicanálise atual do século XXI). E a partir deste momento, a metamorfose talvez possa ocorrer, mas não sem antes passar pela dor. 

Por isso reitero: em uma cultura que venera o sucesso e a felicidade a todo custo e constantemente (não que o sucesso e a felicidade não existam e não sejam importantes para a vida de alguém), não existe espaço para a dor. A dor existe, já que é da natureza humana, mas é o indivíduo que se vendo enganado em um mundo que em alguma instância é ilusório, não se permite ter este espaço.

Permitir ou encontrar o espaço para a dor dentro de si se torna imperativo pois é primordial.

Primeiro a dor. Depois a criação. E quem sabe, novos descobrimentos e novos resultados.

É preciso primeiro sangrar e suportar. E depois, utilizar da autonomia individual para iniciar um processo de criação e responsabilidade.

É preciso também muita coragem.

Isto é ou não é um cachimbo?

A Traição das Imagens é uma pintura do pintor surrealista belga René Magritte, a qual representa um cachimbo e logo abaixo temos a frase escrita “Isso não é um cachimbo”. A razão desta frase é exatamente essa: o quadro é a representação de um cachimbo e não um cachimbo em si. 

A reflexão que quero trazer hoje para você é como não devemos nos deixar influenciar pelo que dizem de nós, pois o que dizem de nós pode não condizer com quem somos, assim como no quadro.

É necessário considerar os aspectos positivos e negativos desta afirmação. O ser humano tem uma tendência a acreditar mais no que dizem dele mesmo considerando os aspectos positivos. Entretanto, a busca da verdade passa pela negação de ambos, tanto dos aspectos positivos, como dos aspectos negativos. É a negação e a desconfiança do que dizem que sou, que possibilitará a descoberta e averiguação do que realmente sou. 

Mas será que todos buscam a verdade de si mesmos?

Buscar conhecer a si necessita de tempo, observação, dúvidas, ambivalências e incertezas. É um questionamento profundo, difícil e ao mesmo tempo lindo.

Será que essa busca pode libertar o ser humano das amarras do olhar do outro? Ou faz com que esse ser se descubra preso dentro de suas próprias amarras? 

As amarras internas que acorrentam e turvam a visão, já que o desnudar-se e o encontrar a verdadeira face sempre vem com uma dose profunda de sofrimento.

Esse encontro e reencontro entre o que é familiar e estranho ao mesmo tempo busca reconhecer as sombras humanas, e que muitas vezes são difíceis de serem (re)conhecidas. Mas quando o são, integram a personalidade em uma forma mais coesa, única e singular de existir. Uma forma que vale a pena buscar, apesar dos desafios pelo caminho.

A arte, por exemplo, é uma forma poderosa de buscar-se a si, encontrar-se e identificar-se com os aspectos mais ocultos do próprio ser. Esse lindo entrelace entre a arte e o que é ser humano pode vir com uma verdadeira e profunda autopercepção, como uma epifania. Este momento de honestidade própria envolve um eu real e não o eu ideal, o que se espera ser.

A partir deste momento a busca criativa ganha espaço e o céu de possibilidades se abre para lindas construções, encontros e reencontros.

Abandonar o ideal de eu não é fácil e passa por mecanismos inconscientes, se é possível um dia abandoná-lo por completo. Entretanto, dar leveza a este ideal que por vezes pode ser massacrante do eu pode ser uma busca benéfica para se viver uma vida mais integrada com a verdade. Além de se viver uma vida mais real do ponto de vista da humanidade existente dentro de cada um.  

Busque sua sombra e integre-a em sua luz, e faça desse caminho de descoberta um dos propósitos de se estar vivo. Quem sabe um dia você possa responder com alguma relativa clareza o que é a imagem de si, o que é o ideal de si, o que é a representação de si, e quem é você de verdade.

A importância da Amizade

A amizade verdadeira é aquela que pelo simples fato de estar na presença renova as energias. 

Estar na presença independe da fala e das ações. O amigo de verdade não precisa dizer. Apenas sendo ele faz seu papel. Mas não é qualquer ser, é um ser verdadeiro, aquele que a gente consegue sentir por dentro, aquele que a energia simplesmente se transforma em minutos de algo pesado e difícil, em algo leve.

Tem certas coisas que as palavras não conseguem simbolizar. Certos sentidos que ela não alcança. Esses são alcançáveis apenas através de um sentimento profundo. E as amizades de verdade nos proporcionam essa transformação no sentir.

Elas são uma delícia de viver, nos ajudam, nos transbordam, nos intensificam. Fazem com que as dificuldades da vida sejam mais leves e suportáveis.

Essa troca genuína é o que faz de nós humanos. Viver bem só é possível através da qualidade de nossas relações.

Entretanto, em alguns momentos na rotina corrida e intensa dos dias atuais, nos esquecemos disso. Deixamos passar o tempo e perdemos convivência, ou perdemos o tempo que seria disponibilizado para apenas uma ligação. Um olá, um estou com saudades, uma mensagem expressando como aquela pessoa é importante para nós. O pouco basta, para o que é verdadeiro, não é preciso muito.

Em um mundo de excessos, o pouco bastar é um luxo.

Não podemos esquecer jamais, apesar da loucura da vida, do intenso valor de uma amizade. E para isso precisamos estar constantemente nos lembrando, e usando do pouco tempo que temos para fazer dessa lembrança uma ação.

Precisamos constantemente priorizar o que vamos atribuir valor em nossas vidas. Para isso, questionar nosso ser e ter perto de nós as pessoas que realmente querem nosso bem, mesmo quando precisem dizer coisas difíceis para nós.

Nunca se esqueça que é possível perceber a diferença. E o sentir nos ajuda a perceber a diferença entre o verdadeiro bem e do mal disfarçado de bem.

A verdadeira intenção de bem é uma das coisas que são reais e lindas nas relações e nessa dança da vida.

Um brinde as verdadeiras amizades!

Lembre-se de hoje mandar um olá para alguém que é importante para você. Nunca é tarde para educarmos nossa rotina com atividades que nos façam bem, e que sejam realmente significativas! Educar e fazer o bem não é somente para o outro, mas principalmente um aprendizado e ação para nós mesmos. Nem sempre conseguiremos, a complexidade é inerente e sempre será. Nem sempre faremos o bem ao outro e nem a nós mesmos, mas a constante tentativa é a busca de viver uma vida leve e com o significado que cada um queira atribuir a sua própria jornada.