Você coloca sua cabeça no travesseiro e dorme em paz?
Você aguenta ser quem é? Na sua totalidade?
Isso vai muito além de saber o que você tem de bom e assumir isso, orgulhando-se e, o que muitas pessoas fazem, mostrando ao mundo.
Aguentar ser quem se é implica não só conhecer, mas sustentar seus lados mais sombrios.
Fácil sustentar o bom. Difícil sustentar o mau.
Implica um contato íntimo muito honesto, aberto e extremo, ao ponto de perceber a si no mundo e na interação com os outros.
Contato que chega através de uma busca. Nem todos estão dispostos a isso, muito menos a olhar “os próprios pés”.
Sair da ignorância dói. Não é atoa que existe o famoso ditado “Ignorance is bliss”. As pessoas preferem julgar os outros, ao invés de olhar para si mesmas.
Normalmente quem consegue aos poucos atingir as profundezas de seu ser, raramente julga o próximo, pois sabe que primeiramente deve olhar para “os próprios sapatos”. Sabe das próprias limitações e potencialidades. Sabe o que tem de bom, e o que deve ter cuidado consigo próprio.
Este conhecimento permite o real poder de escolha. Caso contrário, fica-se refém das próprias ações, que às vezes surgem inesperadas e disruptivas até para o próprio.
É deliberadamente escolher a partir de um saber real.
Existe uma expressão que traz a pergunta de início, se você coloca sua cabeça à noite no travesseiro e dorme em paz.
Algumas escolhas dependem disso. De ir contra um desejo e de buscar a paz de consciência. Há que escolher, algumas vezes, entre satisfações pulsionais internas, e valores morais e éticos.
Nestes momentos, os valores pessoais da história do sujeito tem um peso muito grande.
No fundo mesmo, sempre se está sozinho, e a vida é uma grande jornada consigo mesmo, enquanto você tece relações sociais e constrói seja lá o que for.
A relação com o outro ajuda a revelar quem você é, ou revela um caminho, uma possibilidade de escolha.
Cabe a si saber qual é o melhor a seguir, baseado em suas potencialidades e limitações. Sempre lembrando que invariavelmente, cada escolha possui a sua consequência. Muitas delas aos quais não se pode ter acesso, outras que são possíveis de serem identificadas previamente. E cada escolha também mostra a perda de outras tantas opções.
Você é capaz de sustentar as consequências das suas? As possíveis de se esperar e as imprevisíveis?
No momento de decidir, pese as escolhas e possíveis consequências da mesma. Pare, se acalme e pense. Quando possível. Não tome atitudes precipitadas, no calor de suas emoções. Quando possível. Já que no fundo, lá no fundo mesmo, é sempre você que leva com os resultados, sejam eles bons ou ruins.
A vida é mesmo isso aí. Um pesar constante entre buscar ou não o que deseja, escolher ou não o que deseja, e abraçar o combo que isso implica.
No meio deste processo, você vai se conhecendo, ganhando maturidade (caso isso também seja uma escolha), e quem sabe, vivendo mais em paz consigo e mais satisfeito com sua vida.
Ou ao contrário. Você decide os rumos, muitas vezes.
Outras não. Mas decide com certeza o que fazer com os novos rumos.
Sua vida. Sua responsabilidade. Um brinde ao viver! Nem sempre fácil, nem sempre belo! Complexo, e saboroso, ao mesmo tempo!
PS: Por vezes a lucidez e a clareza não são escolhas. O que resta é lidar com elas.
Cheers!