Destaque

Vida Adulta

A vida real é a única possível

Cresça

Ressignifique

Escolha

Faça por si

Sua vida é sua responsabilidade

Viver é caminhar entre escolhas e consequências

Contar com um pouco de sorte

E criar a existência que deseja

Dentro do que é possível

Humano

e realizável

Os caminhos nem sempre são simples

Mas agarre o que a vida te dá

Transforme e se desenvolva

Busque suas respostas

Abdique de certezas

E tenha coragem

O caminho não fica mais fácil ao caminhar

Mas nos transformamos a ponto de fazê-lo mais belo

Na chuva, nas tempestades, no sol, no céu azul

No fundo a vida não tem sentido

Mas a SUA tem

Qual o sentido que quer dar pra ela? no tempo que você tem entre seu nascimento e morte?

Busque primeiro ser quem você é

E se você não sabe a resposta

Encontre-se dia após o outro

Descubra-se

Exista

O mundo não precisa te dar permissão

Apenas você mesma (o)

Um beijo

Amanda.

Destaque

Solidão

Muitas vezes você vem me visitar

Algumas chega de mansinho e se alastra durante as horas

Outras chega de repente

Acompanhada de uma angústia avassaladora

Essa que as vezes pode ser transformada em criação 

Outras em desespero

Desesperança

Solidão

Porque insiste em fazer morada no meu peito? 

O que queres sinalizar?

O que queres comunicar?

As vezes você vai embora

E reina a calma

Mas vira e mexe você volta

E faz morada

O que vou fazer com você, ein?

Ainda estou a descobrir

Cada vez que aparece, uma nova descoberta

As vezes coloco poesia

As vezes diálogo

As vezes chocolate

As vezes amor e acolhimento

E as vezes coloco a mim mesma

Solidão 

Sinto que você faz parte da carne

E as vezes você aflora

Solidão 

Nao te negarei mais

Agora será sempre bem-vinda aqui dentro

Aos poucos vamos nos conhecendo mais

E eu vou tentando compreender o que você quer me dizer

Acerca das coisas

Mas principalmente 

Acerca de mim mesma.

Solidão

Eu me aproprio de ti.

E você me abre espaço

De silêncio

Existência e

De conexão radical comigo mesma.

Destaque

Incerteza: Sombra ou Sol?

Hoje o post vai ser baseado em uma história infanto-juvenil criada por uma pessoa incrível que conheci e que publicou um texto em sua rede social, seu nome é James McSill (Disclaimer: foram dadas autorizações de uso). Pesquisem o insta dele depois pois vale a pena!

Resumo de sua história:

Conta que duas bestas habitavam uma floresta sob um feitiço: enquanto uma dormia, outra permanecia acordada. A cada quatro anos despertavam no mesmo momento, travando batalhas irreconciliáveis. 

Os animais, sempre confusos, não sabiam qual lado escolher, e as bestas apenas se importavam com o poder, e não realmente com o bem-estar deles.

Em uma dessas batalhas, a rivalidade devastou toda a floresta, colocando-a em chamas. Com o passar do tempo, uma nova floresta se ergueu sob a terra devastada, povoada pela paz entre as criaturas. Mas esse florescimento se deu sob a sombra da incerteza, com medo de novas destruições. 

Com a história dele bem resumida aqui, trago uma reflexão: 

Como você lida com as incertezas em sua vida?

Neste caso, a incerteza pode ser Sombra ou Sol. 

Se for Sombra, pode destruir novas florestas que estão por vir e que podem ou não ser melhores que a primeira, no sentido de trazer harmonia, paz e bem-estar. 

Se for Sol, pode ajudar e inclusive melhorar o florescimento do novo em sua vida. Neste caso, uma nova floresta a ser construída.  

Mas a incerteza não funciona em terreno extremista. Ela é ambivalente. Em alguns momentos será Sombra, em outros Sol.

Como fazer as incertezas de sua vida serem mais Sol do que Sombra?

No sentido de não retirarem seu prazer/gosto pela vida, inundando-o em ansiedades.

Como a incerteza age em você? O que ela te causa? Paralisia? Busca? Vida? Morte? …?

Fica ai uma reflexão para todo ser humano.

Busque, na medida do seu possível, permitir que floresça, e não que a sombra das incertezas ou o medo o impeça da construção de belos jardins!

Feliz Carnaval! Espero que esteja a aproveitar ao sabor de sua escolha!

Destaque

A viagem é o caminho

Viagem entre amigas. Descobertas. Momentos maravilhosos. Parceria. Compartilhamento. 

A vida é feita disso. Ela é tão boa quando temos pessoas com troca genuína.

No caminho, enquanto subíamos a serra e estávamos refletindo a vida, disse para elas que a viagem é o caminho, não o destino em si.

Em sua vida, sonhe alto e busque com o coração o que deseja alcançar, mesmo que não consiga realizar. A busca em si já é algo que vale a pena, se ela estiver sustentada em um ponto íntimo e subjetivo dentro de você, um ponto verdadeiramente honesto. 

Muitas vezes é preciso recalcular a rota, a direção. 

O resultado, por si só, é um ato isolado no processo. O que conta não é o destino final, é a caminhada. 

O caminho é a trajetória. 

O caminho é sua vida. Uma jornada constante de habitar a própria pele, e habitar o mundo.

O caminho que mostra, constrói, destrói, modifica, transforma. 

Quais os caminhos que tem vivido em sua vida todos os dias quando acorda e abre os seus olhos?

Mais importante ainda: Quais os caminhos que você tem escolhido viver? 

Saiba que você sempre tem escolha dentro de suas circunstâncias atuais. 

Pense sempre com carinho e respeito por si mesmo quais as escolhas/ os caminhos que queres percorrer. 

Já agradeceu hoje? Todos os dias ao acordar e abrir os olhos, você tem mais uma chance. De novos olhares sobre você e sobre a vida, de energia e amor.

Aproveite a viagem. Ela é breve.

Destaque

Devia ser proibido se despedir

O amor é complexo

As vezes ele é leve

As vezes ele é tempestade

As vezes ele traz sofrimento

As vezes ele traz alegria

E todo um mix gigante de sentimentos e emoções 

Amar é lindo e ao mesmo tempo desafiador

Existem diversas formas de amar

Amor de pais e filhos

Amor de avós

Amor de namorados

Amor de marido e mulher

Amor de amigos

Mas o amor é a força mais poderosa de todas

Onde há amor, tudo vale a pena

Digo o amor de verdade

Não outras coisas que são vestidas falsamente de amor.

Quando o amor se junta com a saudade 

Ele traz outra cascata imensa de sentimentos

E emoções 

Quando o amor se une a despedidas

Aí ele é injusto

Devia ser proibido se despedir

Se eu pudesse eu criava uma nova lei

É proibido se despedir das pessoas que amamos

Sejam as “despedidas” quais forem.

Existem muitas formas de despedidas

E de saudade.

O amor embarca e se combina com todas elas

Montando vários looks diferentes

Ele se combina com o perdão 

Com a humanidade

Esse look é um dos mais desafiadores

Porque traz ambivalências fortes

Por um lado um grande amor

E por outro a necessidade de perdoar

O que você achou que deveria ter recebido e não recebeu

O que achou que … mas que não foi como você esperava

Mas aprender a viver é lindo

E é para os corajosos.

Ao longo da vida vamos aprendendo diversas formas de amor

E aprendendo a viver

Estando em paz com o que te acontece

Sabendo que os que você ama fizeram o melhor que puderam sempre

E que são humanos

Ao mesmo tempo que você também o é

E fez o melhor que pode pelos seus

Dentro dos seus limites.

Perdão e Reparação são tão necessários na aprendizagem da vida

Libertadores mentalmente

De amarras sejam quais elas forem

Perdão e reparação estão em falta no mundo

Porque muitas pessoas estão escolhendo não amadurecer mais

Estão perdidas

Desconectadas de si mesmas.

Aprender a viver

Amar

Perdoar

Reparar

É disso que a vida é feita

Cada um no seu tempo

E nos seus processos

Mas

A vida é breve

Amor + a despedida final é das maiores dores de todas

Mas enquanto ela não chega

É possível vestir com amor todos os outros looks

Devia ser proibido se despedir 

Mas nunca nos despedimos do amor

Porque ele fica guardado dentro de nós

Aí cabe a você, usar desse amor interno

Para poder construir a sua vida 

E aprender a viver

Sempre com amor.

ALP

Ps: Post em homenagem ao amor que tenho no meu coração e de agradecimento aos meus pais, que foram embora ontem, e me auxiliaram com amor para que eu esteja pronta para mais uma jornada. Amo vocês. Obrigada por tudo que sempre fizeram e fazem por mim.

Destaque

Início do ano, início de que?

Muitos esperam o famoso dia 31 para fazer suas promessas de Ano Novo. Como se o dia 01 pudesse trazer uma renovação automática externa. 

A coisa até anda bem mas as pessoas se perdem nos meses seguintes.

O que te faz aguardar o início do ano? Qual é este milagroso início que queres ter em sua vida? 

Questiono ainda mais. Por qual razão esperar o início do ano para viver o que realmente deseja?

As decisões não são fáceis ou simples, mas muito menos esperar apenas os inícios de anos para tentar novamente. 

Em uma média de 80 anos vividos, você teria esperado 80 inícios de anos. 

Quanta espera. Pouca mudança.

Por qual razão é tão difícil começar? Questione-se na área de sua vida que necessita intervenção própria.

Seja lá qual início você esteja precisando, pode buscá-lo todos os dias, só aguarda a sua ação. Sua reflexão, seu pensamento. As coisas ao seu redor podem mudar quando você decide mudar por dentro em primeiro lugar. Sua atitude, seu pensamento, seu desenvolvimento emocional ou físico.

A garantia do resultado é impossível. Mas você terá sempre a garantia da ação. E isso basta para influenciar sua saúde mental, no sentido de que, independente da sua busca, você sabe no fundo que vai atrás do que quer para si. 

Antes é necessário se questionar honestamente: O que você realmente quer pra você? em todas as áreas da vida. Lembrando sempre que se você procurar pelo significado de área, verá que é uma extensão compreendida dentro de certos limites. Portanto, saber seus limites também é mais que necessário. É essencial.

A famosa frase de Nietzsche: Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo pode ser vista através de vários olhares. Você é o único que deve descobrir qual olhar terá para sua própria vida.

Ps: Feliz aniversário para os que fazem anos no mês de Janeiro. Que vocês tenham sempre renovado em seus corações belos e intensos inícios, do jeitinho que vocês desejam! E não só nas viradas do ano!

Destaque

Os pequenos gestos que fazem a diferença

Escrevi este texto há dois anos atrás. Reitero ele hoje.

O que vale a pena na vida é a preciosidade de seus momentos. É a intensidade das vivências. Quando estamos sozinhos, quando estamos acompanhados por pessoas que acrescentam e nos ensinam. É abraçar o que o mundo nos presenteia e buscar constantemente o que mais queremos- e do fundo deixar a energia fluir e não perder nosso maior propósito. Serão momentos diferentes, desafiantes, intensos, angustiantes … mas isso é o viver para todos nós. Não sabemos quanto tempo ainda temos, mas sabemos que todos os dias ao acordar temos a escolha de apreciar o momento e buscar nossos desejos. O bom dia, um café, um estudo, um abraço, um beijo, uma viagem. Escrever nossa história, viver aquilo que temos de forma mais intensa, e o que ainda não temos e queremos, nunca desistir de buscar.

Os pequenos gestos realmente são os que fazem a diferença na vida.

Pense que todas as pessoas ao seu redor passam por alguma coisa.

Que você pode nem imaginar.

Mas tem sempre algo que você pode fazer por alguém.

Um pequeno gesto para trazer um sorriso.

Uma mínima paz.

Sempre pense nisso quando olhar alguém no fundo dos olhos.

Apesar de não saber qual dor aquela pessoa carrega.

É sempre possível trazer a leveza momentânea.

A verdadeira troca humana baseada na simplicidade.

Essa que é a que realmente importa na vida.

Honesta e genuína.

Já fez algum pequeno gesto por alguém hoje?

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Ignorance is bliss?

Você coloca sua cabeça no travesseiro e dorme em paz?

Você aguenta ser quem é? Na sua totalidade?

Isso vai muito além de saber o que você tem de bom e assumir isso, orgulhando-se e, o que muitas pessoas fazem, mostrando ao mundo.

Aguentar ser quem se é implica não só conhecer, mas sustentar seus lados mais sombrios. 

Fácil sustentar o bom. Difícil sustentar o mau.

Implica um contato íntimo muito honesto, aberto e extremo, ao ponto de perceber a si no mundo e na interação com os outros. 

Contato que chega através de uma busca. Nem todos estão dispostos a isso, muito menos a olhar “os próprios pés”.

Sair da ignorância dói. Não é atoa que existe o famoso ditado “Ignorance is bliss”. As pessoas preferem julgar os outros, ao invés de olhar para si mesmas.

Normalmente quem consegue aos poucos atingir as profundezas de seu ser, raramente julga o próximo, pois sabe que primeiramente deve olhar para “os próprios sapatos”. Sabe das próprias limitações e potencialidades. Sabe o que tem de bom, e o que deve ter cuidado consigo próprio.

Este conhecimento permite o real poder de escolha. Caso contrário, fica-se refém das próprias ações, que às vezes surgem inesperadas e disruptivas até para o próprio. 

É deliberadamente escolher a partir de um saber real.

Existe uma expressão que traz a pergunta de início, se você coloca sua cabeça à noite no travesseiro e dorme em paz. 

Algumas escolhas dependem disso. De ir contra um desejo e de buscar a paz de consciência. Há que escolher, algumas vezes, entre satisfações pulsionais internas, e valores morais e éticos. 

Nestes momentos, os valores pessoais da história do sujeito tem um peso muito grande.

No fundo mesmo, sempre se está sozinho, e a vida é uma grande jornada consigo mesmo, enquanto você tece relações sociais e constrói seja lá o que for.

A relação com o outro ajuda a revelar quem você é, ou revela um caminho, uma possibilidade de escolha.

Cabe a si saber qual é o melhor a seguir, baseado em suas potencialidades e limitações. Sempre lembrando que invariavelmente, cada escolha possui a sua consequência. Muitas delas aos quais não se pode ter acesso, outras que são possíveis de serem identificadas previamente. E cada escolha também mostra a perda de outras tantas opções.

Você é capaz de sustentar as consequências das suas? As possíveis de se esperar e as imprevisíveis?

No momento de decidir, pese as escolhas e possíveis consequências da mesma. Pare, se acalme e pense. Quando possível. Não tome atitudes precipitadas, no calor de suas emoções. Quando possível. Já que no fundo, lá no fundo mesmo, é sempre você que leva com os resultados, sejam eles bons ou ruins. 

A vida é mesmo isso aí. Um pesar constante entre buscar ou não o que deseja, escolher ou não o que deseja, e abraçar o combo que isso implica. 

No meio deste processo, você vai se conhecendo, ganhando maturidade (caso isso também seja uma escolha), e quem sabe, vivendo mais em paz consigo e mais satisfeito com sua vida. 

Ou ao contrário. Você decide os rumos, muitas vezes.

Outras não. Mas decide com certeza o que fazer com os novos rumos.

Sua vida. Sua responsabilidade. Um brinde ao viver! Nem sempre fácil, nem sempre belo! Complexo, e saboroso, ao mesmo tempo!

PS: Por vezes a lucidez e a clareza não são escolhas. O que resta é lidar com elas.

Cheers!

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Você é vítima de si mesmo?

Você é vítima de si mesmo?

Qual a posição que decidi adotar perante a realidade do que você é e que te circunda?

Quais as justificações que se impõe que o impedem de enfrentar o duro de ser quem se é, ou da sua realidade? Você joga no outro? Você joga em você, posicionando-se como vítima da própria vida, esperando salvação?

Claramente o sofrimento existe. Não minimizo-o. Sou psicóloga, e lido com ele todos os dias. E ele deve ser valorizado e considerado. Quando ele é real. 

Muito do que existe é sofrimento. Muito do que existe não é sofrimento. Mas, muitas vezes, reclamações vazias da covardia pessoal de enfrentar o duro do que realmente se é. Ou simplesmente da sua realidade.

Pasmem. A vida não é um mar de rosas. Nem você gostaria de viver nesse mar a vida toda. Muito menos ela segue os rumos aos quais você gostaria, algumas vezes. A contingência é cega. Nem por isso a vida deixa de ser linda. E nem por isso é impossível o bem-viver e a busca individual de uma existência com sentido. Uma coisa não exclui a outra. A vida é mesmo isso aí.

Agora, tornar-se vítima de si mesmo exclui sua responsabilidade sobre suas ações. Sobre sua dor. Sobre as mudanças que são necessárias de serem feitas em sua vida. 

A escolha é sua. 

Valorize seu sofrimento, quando ele é real. Se respeite, em primeiro lugar. Mas repito, quando ele é real. De resto, assuma as rédeas da própria vida, já que ela é só sua. Caso houver lamentações, será você mesmo a ter que lidar com elas. 

Convido você a refletir hoje sobre qual posição está adotando, e a questionar se deseja mudar. 

A pergunta de Jorge Forbes, ao qual é um livro, não morrerá nunca: Você quer o que deseja?

Caso não quiser assumir seu desejo, e souber desta posição e estiver em concordância com ela, muito bem, assumiu uma posição de vítima responsável. Se responsável. E toda posição responsável deve ser honrada.

Mas desafio-te a buscar coisas melhores para si.

Comece (através dos versos de Caetano Veloso) descobrindo as dores e as delícias de ser o que se é.

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…”

Bom percurso, boas escolhas e bom domingo!

Destaque

Pão e Circo

“Fique bem quietinha que eu vou dizer como as coisas funcionam” eles dizem
Não com estas palavras
O mundo está cheio de cordialidade vestida de hipocrisia
Calma, ou é hipocrisia vestida de cordialidade?
Me perdi nos estilos
Tudo de uma forma “soft”
Há que estar atento às novas modas
Fique “quieta”, isso não é seu espaço, não é possível avançar
Nem tente
Não é assim que as coisas funcionam
Estás a perceber?
Pausa para a educação
Existe uma regra e esta regra é: não há avanços, nem mesmo com ideias
Esse ainda é considerado o pior de todos
Mantenha o status quo
A verticalidade
É assim que eles querem
Pão e circo
Ainda vivemos num mundo em que o Outro quer delimitar seu espaço
Dificilmente existe um Outro que escute verdadeiramente e considere o que se diz
Apesar da concordância ou discordância
Não existe escuta
Existe podagem
Existem regras disfarçadas de bem querer
Não as necessárias
As tipificadas
Mas o importante, é claro, é ter o pão e o circo
Poda, poda, poda
Na esperança de não haver rebelião
Mas a verdade é que quando você poda
Você poda o trigo e o joio
Mal dá oportunidade para eles se diferenciarem 
Enquanto os que mandam, mandam calar
Você recebe algo em troca
O suficiente
Olha o que oferecemos? Não está bom?
O problema deve ser sua queixa
Não entendem de natureza humana
E nem param para querer entender
Tic-Tac, Tic-Tac
O relógio corre
De dignidade e de reais necessidades
Será que isso é realmente o que você precisa oferecer a si mesmo?
Em um mundo no qual o Outro manda calar e ficar no seu lugar
Está na hora de você descobrir qual é o lugar que quer pra você mesmo
O lugar que você define
E não o que o Outro define
Se quiseres ousar mais
Caso contrário, estará satisfeito com o pão e o circo
Afinal, não existe nenhum grande Outro na Realidade
E espero que também não exista dentro de você
PS: alguns trechos contêm ironia.
Destaque

O exercício da VIDA

O exercício da VIDA
Sair do piloto automático
Qual é a VIDA que existe dentro de você?
Atualmente precisamos nos equilibrar com o intangível
Já prega a Psicanálise atual
Surge ao homem novas demandas de ser
De se descobrir
De se legitimar
O exercício da VIDA
Exige, primeiramente
Buscar a VIDA dentro de si
Ao longo do caminho
O que pulsa
Depois
Exige suportar 
Seja a si mesmo
Sejam as circunstâncias
E ainda mais
Se implicar
Seja na dor, na alegria, ou nos mais variados sentimentos
Ninguém está imune. E que bom! É tudo isso que permite o crescimento e um estado de ser mais inteiro e autêntico
A implicação é subjetiva e responsável
Às vezes é simples
Às vezes complexa
Às vezes dói
Às vezes alivia
A VIDA é a busca verdadeira e honesta de si
Para a construção da própria autonomia e a descoberta de sua subjetividade
É um processo
Uma construção que demanda Tempo
Esse que cada um possui o seu
Particular e intransferível
Comece hoje (se ainda não começou), continue sempre e siga o seu ritmo
&
Não se permita terminar jamais (apenas quando a VIDA abandonar seu ser e você fechar os olhos para sempre)
Pois, afinal, isso é realmente viver a VIDA que existe dentro de você. 
Essa que você deve descobrir pelo caminho
E que ao mesmo tempo abrirá lindos caminhos para você
O exercício da VIDA permite coisas lindas
O que pulsa
O que encanta
O que comove
A alegria compartilhada
Nunca desista de buscar 
A VIDA que existe dentro de você
E de compartilhar a(s) VIDA(S) dos que você ama
Desejo-te bons encontros, consigo mesmo em primeiro lugar!
Ps: Post também em homenagem a uma querida amiga que acabou de ficar noiva! Que a VIDA sempre esteja pulsando no amor de vocês! Viva aos noivos!!!
Destaque

M U L H E R E S

As vezes cruzamos em nosso caminho com mulheres que inspiram

Que fazem pensarmos nas nossas ações

Seja no mundo

Seja com outras mulheres

As vezes cruzamos em nosso caminho com mulheres tão inteligentes

Serenas e sensatas

Que é perceptível a olho nu

Poucos segundos de conversa já mostram

Coisas que não são parametrizadas

Mas mostram algo além

Algo através do olhar, do se portar, do se expressar

Torna-te a mulher que queres ser

Para si mesma em primeiro lugar

Depois para os Outros e para o Mundo

E principalmente para outras mulheres

Ser mulher é múltiplo

E singular ao mesmo tempo

Não existe apenas uma forma de ser mulher

Ao mesmo tempo ser mulher é desafiador

É uma construção e um contato íntimo que vai se desenvolvendo ao longo da vida

É permitir conhecer-se nos aspectos de beleza e potencialidades

Mas também nos aspectos nefastos

Ser mulher é o desafio que todas nós enfrentamos ao longo da vida

Com todas as suas cores e dilemas

Mas sempre compensa

Pois quando cruzamos no meio do caminho com uma mulher de verdade

Ela inspira

Faz brilhar os olhos

E mostra, com sutileza e simplicidade

Toda a potência que é fazer-se mulher

Desejo a você leitora, que busque desenvolver e florescer sua mulher interior

E descubra o que é ser mulher pra você

Um caminho interno que por vezes é árduo

Pois implica aceitar enxergar

Mas que a partir deste SIM

É possível também enxergar todas as outras mil possibilidades

Em ser mulher para você

Não existe uma mulher

Existem mulheres

Que sempre possamos dizer SIM para nos descobrirmos e sermos mulheres, talvez o dos mais importantes de nossa vida.

Destaque

Desejo-te a ti e a mim só o bem

Quando amamos de verdade cuidamos

Queremos o bem do outro

Independente de ser ou não ao nosso lado a sua escolha

Quando amamos de verdade desejamos o bem

Genuíno

Mesmo com a distância

E com as escolhas difíceis

Quando amamos de verdade

Guardamos as pessoas no coração

E elas passam a fazer parte de nós

Quando amamos de verdade

Descobrimos um novo mundo interno

Criamos força de onde nunca imaginaríamos ter

Desenvolvemos um eu sereno e consistente

Exatamente por ele estar ancorado no amor verdadeiro

Esse que é o melhor tijolo para a construção

De uma casa interna

Que permite as mais fortes tempestades

E continua de pé

Sempre defenderei a ideia de que o amor é a força mais poderosa que existe

Se deixarmos ele nascer dentro de nós

E nos transbordar, podemos descobrir coisas inimagináveis

Até na dor ele não tira a energia

A Pulsão necessária para a vida

Essa que é única dentro de cada um

O amor também pode trazer tristeza

Mas ele não derruba o seu ser

Quando digo desse amor

Não é aquele que recebemos

É o que damos

O que sentimos no fundo de nossos corações

Independente do retorno

Pois sorte daqueles capazes de sentir

O mais verdadeiro dos sentimentos

Se fortalecer e se modificar através deles

E permitir as mais lindas transformações

Com a construção de um espaço íntimo forte e singular

De acolhimento perante as tempestades do mundo externo

Esse amor que salva você mesmo

De você mesmo

Estranho pensar assim né

Pois é, temos dentro de nós sempre nuances de cores

As vezes estamos cinza

As vezes vermelho

Azul

Branco

Esse amor salva o seu eu das noites mais frias

E permite a reconstrução

Quando estamos aos pedaços

Esse amor que sempre vale a pena.

Destaque

Minha jornada com a Psicologia

Posso dizer que não escolhi a Psicologia. Foi ela quem me escolheu, quando ainda tinha 17 anos e entrei em contato com a Psicanálise. A partir daí, me apaixonei completamente por ela e seguirei apaixonada pelo resto da minha vida.

Mas não é só paixão. Ao longo dos anos fui construindo um Amor. Aqueles que quanto mais passam os anos, mais forte fica. Aquele que possibilita estrutura e expansão de consciência. Aqueles amores que valem a pena porque permitem o crescimento, a busca constante de sua mais consciente versão. Esses são os verdadeiros e melhores amores, sejam quais forem- por pessoas, lugares, experiências, pela profissão.

12 anos depois e finalmente a realização de um Sonho buscado com muito afinco e dedicação. Tive alguns desvios pelo caminho (estudo do Jornalismo), necessários para ser quem sou hoje. Sou Psicóloga, mas estou em processo de formação e construção para sempre.

Fico feliz de poder ter a Psicologia ao meu lado, e espero poder contribuir com o que ela mais honra: o auxílio da dor, o suportar da felicidade, a expansão da consciência e a busca por compreender a complexidade que é o ser humano.

Meu muito obrigada a todas as pessoas que de alguma forma estiveram/estão ao meu lado durante toda a minha jornada. Não somos nada sozinhos, e elas com certeza foram facilitadoras do caminho, e permitiram a abertura de muitas possibilidades. A esses Outros, eterna gratidão.

Aos meu colegas de profissão, vamos a luta, temos muito trabalho a fazer. A sociedade precisa da Psicologia para se pensar. O ser humano precisa da Psicologia para viver melhor.

“As pedras no caminho, vou recolhendo todas, para ir construindo aos poucos o meu castelo”

Destaque

O Amor

O amor impulsiona a gente

O amor nos move

O amor nos preenche

Seja amor por pessoas, experiências, animais, momentos …

Quanto vale

Um banho de cachoeira?

Um beijo de alguém que ama?

Um abraço de alguém que ama?

Olhar a lua, sentir o vento, mergulhar no mar?

Um olhar sincero?

Um sorriso?

Quanto vale …? 

Tem coisas na vida que não tem preço.

Ufa, Que bom!

Impossível quantificar, impossível discutir, impossível definir. 

Não é da ordem das palavras, é da ordem do intangível. 

O amor movimenta e faz com que queiramos ser melhores pessoas todos os dias

Uma das coisas que sempre vale a pena lutar.

Hoje em dia não se morre mais como antigamente

Pelo que vale a pena morrer hoje?

Temos uma nova transcendência no ar

Essa nova transcendência é o amor.

O amor nunca destrói

Ele pode sim trazer vulnerabilidade

Mas se for para ser vulnerável por algo neste mundo

Que seja pelos verdadeiros sentimentos

A lógica atual não é mais “A minha liberdade termina quando começa a do outro”

Estamos na Era Pós-iluminista, em que “A minha liberdade começa quando começa a sua”

Já que eu também preciso do outro para saber de mim.

A capacidade do ser humano de amar é a coisa mais preciosa que existe na vida. Amar simplesmente, pois amar cura, amar salva, amar constrói, amar abre portas e amar de verdade é a arma mais poderosa que temos.

Regue suas sementes diariamente

Busque o amor em suas realizações

É o único capaz de tocar seu coração de verdade.

Viva todas as formas verdadeiras de amar!

Nota da autora: Hoje o post é em homenagem a um casal de amigos que acabaram de descobrir que vão ser pais. Fui invadida por uma enorme felicidade, daquelas que fazem você sorrir de fora a fora e ter dores na bochecha. Eles são pessoas incríveis, certas uma para a outra. Isso já é lindo de ver em si, não são todos os casais que têm essa sorte. Liguei para minha amiga para cumprimentá-la, e ela me disse que o baby nem chegou ao mundo e eles já querem ser pessoas melhores por isso. Em uma conversa profunda e cheia de intangível, consegui sentir ali o amor verdadeiro. 

E o amor é mesmo sobre isso. Ele nos faz querer sermos melhores, ele nos move em direções que realmente fazem a vida valer a pena, simplesmente por existir. Ele, quando cultivado, pode gerar outros frutos, e trazer ainda mais felicidade. Parabéns a todos que estão descobrindo, esta semana, que serão pais! Bom domingo com muito amor para cada um de vocês!

Destaque

Nossa Felicidade Dividida do Dia a Dia

Já parou para pensar que a felicidade que tens em tua vida não é só sua?

Uma grande parte do seu bem-estar depende de você, de suas ações, sua consciência, e muitos outros aspectos

Mas o seu bem-estar também depende das pessoas que tem em sua vida

As que estão ao seu redor fisicamente ou não

As que investem em você

As que acreditam em você

E as que tornam possível a realização dos seus sonhos.

Não somos nada sozinhos.

Não construímos nada sozinhos.

Muito do que somos, ou pelo menos do que nos tornamos conta com inúmeras pessoas que tiveram a paciência, o amor e o investimento para auxiliar a caminhada que nos leva a chegar até aonde estamos

A família, os professores, os relacionamentos, os amigos, os colegas de trabalho.

Alargar a nossa consciência para perceber que devemos sim sustentar o nosso bem-estar

E que somos os únicos responsáveis por ele

Mas que muitas das coisas que temos e que nos constituem

São possíveis por pessoas que facilitam e abrem caminhos para nós

Pessoas que impactam nossa vida de diversas maneiras

E que permitem o descentramento do eu, tão necessário em nossos tempos.

Pessoas que auxiliam o nosso crescimento

Possibilitam a verdadeira gratidão

E que mostram que ainda existe gentileza no mundo

Sermos gratos às nossas pessoas e sabermos escolhê-las é uma sábia maneira de vivermos essa existência deixando uma marca de Nós, e levando a marca dos Outros.

“Escolher nossas pessoas é o mais próximo que temos de controlar o nosso destino”

Já poetizava Mario Quintana:

“Na convivência, o tempo não importa.

Se for um minuto, uma hora, uma vida.

O que importa é o que ficou deste minuto,

desta hora, desta vida.

Lembra que o que importa

é tudo que semeares colherás.

Por isso, marca a tua passagem,

deixa algo de ti,

do teu minuto,

da tua hora,

do teu dia,

da tua vida.”

Saiba receber do outro, e também deixar algo bom de ti. Pode ser que alguém esteja precisando muito de um sorriso. 

Nota da autora: Hoje estou particularmente grata a todos que me auxiliam na minha jornada de crescimento pessoal e profissional. Aos que possibilitam oportunidades para que então eu possa fazer a minha parte. Esse post é em dedicação a todas essas “minhas” pessoas.

Destaque

Adultar


Uma coisa engraçada é o processo de Adultar 
Um pouco de ironia para o dia de hoje
Já que Adultar é coisa séria
Não é brincadeira
Aprendemos e vamos modificando a forma de Adultar ao longo da vida
As pessoas Adultam de maneiras diferentes
O que determina uma ou outra?
Quando tínhamos uma sociedade orientada verticalmente
Em que existiam mais certezas que dúvidas
O processo de Adultar não era mais simples
Era diferente
Em uma sociedade em que os laços sociais se modificam
Temos uma estrutura horizontal
Somos levados constantemente a fazer escolhas
Que na maior parte das vezes não temos garantia
Mas na mesma devemos escolher
A forma de amar
A forma de estudar
A forma de trabalhar
A forma de estar
Mas até nos apropriamos dessa forma escolhida
Somos massacrados pela dúvida
Pela necessidade de alguma mínima garantia
Essa que não é mais possível de ser alcançada
A dúvida instaura a angústia
Essa que cada sujeito deve se averiguar e resolver por si
E que a partir dela irá inventar e se responsabilizar
Adultar se torna algo múltiplo
Não diz respeito só com pagar contas ou ser responsável por uma família
Mas na inscrição e implicação no seu desejo mais radical
E na forma como escolhe levar a sua Vida
Isenta de garantias
Adultar se torna um imperativo categórico
Não adianta querer escapar
Quem se faz responsável pela suas emoções, sentimentos, seu pensar e agir
Começa a navegar no mundo com seu próprio barco
Saindo da posição infantil de esperar do Outro
Uma salvação
Uma resposta
Uma garantia
Já dizia a famosa frase de Alice no País das Maravilhas
“Quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”
O desbussolamento é uma realidade
Conceito utilizado por Jorge Forbes
Em que o sujeito se vê com novos desafios
Frente a este mundo que mudou sua lógica
Mas se pensarmos pela positiva
Encarar este fato pode ser libertador
Pode ser a primeira vez na história que a liberdade seja legitimada
Na maneira que lhe condiz mais adequada
Liberdade essa que será usufruída só para quem aguentar também suportar
O outro lado da moeda
O não saber
As incertezas
A dúvida
A quem aprender a suportar a angústia
Quando ela aparecer
E não tampona-la com seja lá o que for
Para aí então, quem sabe
Surgir a radicalidade do novo
Esse que não é entregue de bandeja
Mas que necessita de estrutura para se solidificar
E consistência para se sustentar
Qual a sua forma de estar no mundo? 
É uma pergunta que passamos pela vida descobrindo
(Re)ordenando
Modificando
Cada um na sua busca singular
Porém uma coisa é certa
Não existem garantias
Mas quando chamamos a Vida pelo nome
A Vida que existe dentro de cada um de nós
Responde… se você tiver esperança, curiosidade e entusiasmo suficientes
Para realmente viver & conhecer-se de verdade
Espero que para ti, nenhum caminho sirva até achar o que realmente deseja caminhar. Em todas as áreas de sua vida.
Keep Searching.

Destaque

O excesso de Blá Blá Blá

Chamo de blá blá blá aqui a falação contínua

O excesso de nada

O insignificante 

O que não tem função nem nunca terá

Atualmente vivemos a era do blá blá blá social

Muitas vezes até nós mesmos caímos nessa

Hoje todo mundo fala sobre tudo

Sabe de tudo

Mas muitos poucos tem a real consciência do que estão a falar

Existe uma preguiça mental reinando sobre o mundo?

Todos querem fazer a diferença 

Mas no mundo dos excesso (s)

Onde encontra-se o verdadeiro eu? A conversa significativa?

É preciso saber observar e ouvir

Diminuir a dose, experienciar a solitude

Quem sabe se encontra a Falta andando por aí à solta

Dentro de ti

Ou no mundo dentro do outro

O blá blá blá realmente tem ganhado espaço 

Mas em um mundo de excesso

Quem souber enxergar a Falta que existe dentro de cada um é rei 

Quem sabe quando a Falta for realmente vista de frente

Com um olhar sincero

Não possa surgir algo novo e criativo daí 

Sem pecar pelo excesso

Só se for na busca de autenticidade e singularidade

Acho que esse excesso é o que vale a pena apostar.

Destaque

Há quantos anos você se conhece?

Faço essa pergunta devido as duras e difíceis questões que podem surgir quando nos relacionamos com outras pessoas. 

Sabemos que muitos dos problemas do mundo derivam de problemas nas relações. Seja em qual ambiente for, o desafio dos relacionamentos se faz presente na vida de cada um (sejam os familiares, os amorosos, ou os do ambiente de trabalho). 

Ana Claudia Quintana é uma médica mundialmente conhecida por seu trabalho desenvolvido em cuidados paliativos. Em uma de suas palestras, ela refere que existem quatro tipos de pessoas dentro de cada um de nós. 

A que eu conheço e os outros conhecem, ou seja, como eu me mostro ao mundo (olhar similar do próprio e do outro)

A que eu conheço e os outros não conhecem (olhar para o próprio eu, vestido de realidade ou não – a depender do sujeito)

A que os outros conhecem e eu não faço ideia do que seja (olhar do outro sobre mim)

E aquela que aparece em situações específicas, que nunca vivenciou antes (novas descobertas do eu, sendo elas doces, amargas ou mistas)

Podemos nos surpreender com alguns comportamentos pessoais que temos ao longo da vida. Ao mesmo tempo que podemos nos surpreender com a visão do outro sobre nós.

O desafio da vida é ir descobrindo-se nos processos, nas vivências, nas aprendizagens.

A relação entre o eu-outro e a vida no seu contexto é muito estudada na psicologia. Diversos autores, teorias, e modelos surgem para tentar entender o comportamento humano na relação com o outro. E como a partir daí, muitos problemas ou soluções podem emergir. 

Longe de se ter uma resposta ou solução, a relação com o outro pode revelar muito de nós mesmos. O que não conhecemos ainda e ficamos a descobrir, dores e feridas escondidas, novos questionamentos e necessidades. 

Repito a pergunta do início: Há quantos anos você se conhece? Você realmente tem a coragem de olhar para dentro e aceitar enxergar? 

Na vida é preciso haver espaço psíquico para as dores e para o desconforto. Em um mundo que prega a felicidade a todo custo, o amadurecimento entra em extinção.

Em um primeiro momento, a contemplação da angústia. Em um segundo momento, a transformação e a implicação na mesma. Talvez a posteriori, surja alguma forma de recomeço e de amadurecimento necessário. Um fortalecimento interno da estrutura que revele a verdadeira consciência.

Termino com a frase de Lacan: “Penso onde não sou. Sou onde não penso“.

Onde jazem os esconderijos do seu eu? Será que você estaria disposto a enxergar?

O renascimento só é possível com a aceitação da morte.

Destaque

Love is the way

Me refiro ao A M O R aqui de forma abrangente e não só em relação a pessoas, mas a experiências, viagens, escolhas, e todas as formas que você possa um dia ter sentido Amor em sua vida.

Love is the way.

Quando há Amor, o preço que se paga sempre é alto.

Ahh mas o Amor sempre vale a pena. 

Existem vários tipos de Amor.

Ele é a resposta. 

Onde há Amor, há verdade. 

Onde há Amor, há sabedoria.

Onde há Amor, há compreensão.

Onde há Amor, há respeito.

Nem sempre de uma forma linear. O Amor não é perfeito. Muitas vezes, por linhas tortas, mas ele existe lá. Afinal, somos humanos, e isso já diz tudo. Nada na nossa vida é linear.

Onde o Amor habita, tudo dá certo, da forma que deve ser. 

Quando me refiro ao Amor, falo de uma experiência íntima de verdade com o que se vive, sente, e de uma conexão transformadora. Essa experiência pode vir através de variadas fontes. A palavra transformação é essencial, pois ela acontece apenas quando se vive com verdade nestas mesmas experiências.

Além disso, quando o Amor existe, ele consegue mostrar facetas de nós mesmos que não conhecíamos. Ele abre portas para novas descobertas de si. Sejam lá quais forem. Descobertas que surgem no encontro com o outro, com o estranho em si (que depois se torna conhecido), e com a vida na forma mais bela que ela possa se apresentar. 

Seja Amor por uma experiência, por uma pessoa, por amigos, pela família, por uma jornada, por uma escolha. O Amor pode aparecer das mais variadas formas. 

O Amor também traz muitos ensinamentos.

Ele ensina a saber deixar ir, viver com a saudade, e querer o bem acima de tudo. 

Ele ensina mesmo quando rasga o peito. Ensina também tantas outras coisas, difíceis de serem expressas em palavras. A verdade é que cada um sabe quais ensinamentos as experiências de Amor já trouxeram para sua vida.

Por isso sempre busque o Amor. Faça suas escolhas baseado no que pulsa dentro de ti, e não se arrependerá um dia sequer de sua vida. Apesar das consequências. Serão as que valem a pena levar na bagagem.

Nem sempre é fácil, não é isento de dor, mas desconfio que possa ser o único caminho possível para descobrir a verdade acerca de si mesmo, do outro e do mundo. 

Love is the way. Always. Pois a troca real e verdadeira sempre restabelece.

Vou terminar com uma frase proferida por minha prima numa conversa significativa que tivemos: “Parece que quando a gente tem trocas com quem a gente ama, a gente se enche mais da gente também”. 

Encher-se de si, no meu entendimento, não tem a ver com ser autocentrado ou buscar sempre focar em si mesmo. Mas é na possibilidade de exercer ao máximo o seu potencial, conscientizando-se no processo. É uma percepção que ocorre completamente a posteriori. E estou desconfiando que talvez essas sejam as melhores. O encontro com o real, com o que se mostra ser, no desejo, na pulsão e na ação. 

Não passamos nesta vida sem sofrer. Ninguém. Quando não temos escolha para algumas dores, se for para senti-las, que seja pelo belo. Desejo aos meus leitores que nunca desistam de buscar através do Amor as melhores experiências, já que essa busca é eterna.

Ah, e que se encham de Amor neste final de semana!

Destaque

A Passagem do Tempo

Sabemos que o que temos de mais precioso em nossa vida é o nosso próprio Tempo

Às vezes ele passa mais rápido

Às vezes mais depressa

Às vezes contamos as horas e queremos acelerar

Às vezes queremos retardar

Cada indivíduo, único e singular, percepciona a passagem do tempo de uma forma

Diária e diferente

A mesma passagem do tempo pode ser algo bom ou ruim. Ela pode fazer com que você se acomode aos seus sofrimentos e ache que as coisas não possam ser diferentes do que são. Existe um risco em todo tipo de acomodação. Ele pode ou não valer a pena.

Existem alguns momentos em que coisas no mundo exterior vão acontecendo e mostrando sinais por alguma razão, ou também por razão nenhuma. Observar o mundo exterior acontecendo em congruência ou não com nosso mundo interior é um processo que sempre estaremos vivendo. Alguns momentos com mais intensidade, e outros com menos.

Precisamos estar atentos e com os olhos abertos. E conscientes.

Depois que os sinais aparecem, temos sempre uma escolha a fazer: enxergar e agir, enxergar e escolher deixar tudo igual, enxergar e fingir não ver (através de diversas ações, uma delas é a negação), enxergar e não dar conta de ver, ou não enxergar ainda (por outras razões, limitações ou incapacidade).

Independente da sua escolha, do risco que deseja correr, da ação que deseja tomar, jamais se acomode a ser uma pior versão de si mesmo (seja para você ou para o outro).

Se acomodar não significa deixar as coisas como estão, e não se acomodar não significa mudar as situações. A acomodação encontra ou não sentido no seu mundo interno, na sua forma de ver a vida, implicando nas suas escolhas diárias.

Já dizia Nietzsche que “Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.”

Qual será a sua escolha?

Destaque

Dia da Mulher / Ser Mulher Todos os dias

Feliz dia da Mulher para todas nós!

Que não deixemos nada apagar nossa voz interior e que tenhamos discernimento e sabedoria para ultrapassar os desafios. E que, como disse Simone de Beauvoir, “tornarmo-nos as mulheres que queremos ser” com toda a diversidade e potência que isso implica ❤️

Beijos carinhosos, hoje, em especial, às minhas seguidoras!

Destaque

Em um Tasco Português …

Sabe aqueles locais em que poucas pessoas entram? Mas que mais pessoas deveriam entrar? É sobre esse local que vou escrever hoje. 

Em um tasco português uma noite inesperada, agradável, com conversa boa, risadas e até uma dose de filosofia. A inteligência pairava no ar, vários tipos dela, não só a clássica conhecida. A hilaridade concitando o conhecimento e o aprendizado. Duas palavras que aprendi e mal sabia (hilaridade e concitar). Com direito a definições filosóficas de Sócrates, e poesia ao vivo com elogio que toca a alma de uma maneira única, que nem todos sabem fazer. 

Em um tasco português que beira a simplicidade externa aos olhos de quem não vê a grande riqueza interior que contém.

Em um tasco português pessoas inteligentes, felizes e humildes. Que fizeram de suas oportunidades o melhor que puderam para si mesmas. Comida boa, preço honesto e fiquei ainda mais impressionada com a história do dono. 

Amargura e ressentimento a gente não vê por lá. Só amor e desejo de fazer o seu melhor no seu trabalho diário.

Em um tasco português reiterei a ideia de que temos muito a ensinar, mas temos mais ainda a aprender, sempre. 

Em um tasco português percebi novamente que nem toda pessoa, situação, circunstância, experiência que temos pode ser transformadora. Mas que tem umas que são mesmo especiais, e nos transformam de uma maneira única. Tocam nosso interior, conversam com o que há de mais honesto dentro de nós mesmos. Já sentiu isso? E melhor ainda, quando menos esperamos. 

É muito difícil enxergar a beleza interior das pessoas, conseguimos ver quem sabe através do olhar, ou de uma boa conversa, mas não há certezas. Mas uma coisa podemos sentir: a leveza e o ser/estar do sujeito no mundo. No fundo mesmo, a beleza interior não é vista com os olhos, mas sentida com o coração.

Leveza, olhos fechados, alegria na alma – assim termino minha noite feliz, lembrando a máxima de Sócrates “Só sei que nada sei”. Exatamente por não saber, que posso manter o entusiasmo e a curiosidade em conhecer, seja a forma do outro de estar no mundo (seu ser psicológico), seja atravessando os mares do conhecimento, seja vivendo as mais loucas experiências. 

Conhecer-se em um tasco português cercada de energia boa e leveza é uma ótima forma de viver e ser feliz. Pelo menos por hoje. Boa noite 🙂

Destaque

Conforto Psicológico: é preciso sangrar e ter um espaço para a dor

Você viveria sua vida repetidas vezes?

Estava lendo um livro do Leandro Karnal “O Dilema do Porco Espinho” e essa reflexão apareceu em minha mente. Você viveria sua vida repetidas vezes? As dores e os prazeres? E se não, o que mudaria hoje para começar a viver?

Somos quem somos, e a busca deve ser se sentir confortável e habitável na própria pele. Uma busca árdua, que envolve sangrar, amadurecer e crescer. Não acredito na ilusória e falsa mensagem vendida atualmente de uma vida de prazeres constantes, sem desafios e frustrações. Pelo contrário, ela serve para adoecer nossos próprios sentidos e percepções, fazendo com que nos tornemos imaturos e, consequentemente, tenhamos mais mal estar psicológico. 

Acredito que podemos ter sentido em nosso cotidiano, e devido a isso viver com sentido. Podemos sentir um bem estar que não exclui momentos difíceis e desafiantes. A questão é que cada um passa por algo específico, e as comparações só minam a singularidade de cada vida humana e situação específica. Verdadeiramente, não há como comparar. Essa ideia é absurda. Sabemos muito pouco de nossa natureza interna, e muito pouco do outro. A comparação é sempre superficial. Da camada mais fina que existe.

Mas como adquirir um certo conforto psicológico por estar vivendo a vida que seria repetida diversas vezes se possível?

O conforto psicológico é muito melhor que o conforto material, ou o conforto da aprovação alheia, ou o conforto do sucesso externo. Mas esse conforto não é dado, e sim conquistado, com muito esforço e dedicação. 

Para exemplificar essa conquista, vou parafrasear uma parte do texto de Kafka em “A Metamorfose”. Existe uma passagem do livro, especificamente, a qual Gregor, incapaz de se mover e em combate físico e psicológico com o pai (através do meu olhar), fica preso na porta do seu quarto. Ele precisa entrar e passar por essa situação, mas se vê impossibilitado. O pai o empurra fortemente e ele voa para dentro do quarto, “sangrando abundantemente”. 

Esse sangrar emocional abundante muitas vezes se faz necessário, e se suportável pelo indivíduo, pode possibilitar criação e responsabilidade (o que desenvolve a psicanálise atual do século XXI). E a partir deste momento, a metamorfose talvez possa ocorrer, mas não sem antes passar pela dor. 

Por isso reitero: em uma cultura que venera o sucesso e a felicidade a todo custo e constantemente (não que o sucesso e a felicidade não existam e não sejam importantes para a vida de alguém), não existe espaço para a dor. A dor existe, já que é da natureza humana, mas é o indivíduo que se vendo enganado em um mundo que em alguma instância é ilusório, não se permite ter este espaço.

Permitir ou encontrar o espaço para a dor dentro de si se torna imperativo pois é primordial.

Primeiro a dor. Depois a criação. E quem sabe, novos descobrimentos e novos resultados.

É preciso primeiro sangrar e suportar. E depois, utilizar da autonomia individual para iniciar um processo de criação e responsabilidade.

É preciso também muita coragem.

Isto é ou não é um cachimbo?

Destaque

A Traição das Imagens é uma pintura do pintor surrealista belga René Magritte, a qual representa um cachimbo e logo abaixo temos a frase escrita “Isso não é um cachimbo”. A razão desta frase é exatamente essa: o quadro é a representação de um cachimbo e não um cachimbo em si. 

A reflexão que quero trazer hoje para você é como não devemos nos deixar influenciar pelo que dizem de nós, pois o que dizem de nós pode não condizer com quem somos, assim como no quadro.

É necessário considerar os aspectos positivos e negativos desta afirmação. O ser humano tem uma tendência a acreditar mais no que dizem dele mesmo considerando os aspectos positivos. Entretanto, a busca da verdade passa pela negação de ambos, tanto dos aspectos positivos, como dos aspectos negativos. É a negação e a desconfiança do que dizem que sou, que possibilitará a descoberta e averiguação do que realmente sou. 

Mas será que todos buscam a verdade de si mesmos?

Buscar conhecer a si necessita de tempo, observação, dúvidas, ambivalências e incertezas. É um questionamento profundo, difícil e ao mesmo tempo lindo.

Será que essa busca pode libertar o ser humano das amarras do olhar do outro? Ou faz com que esse ser se descubra preso dentro de suas próprias amarras? 

As amarras internas que acorrentam e turvam a visão, já que o desnudar-se e o encontrar a verdadeira face sempre vem com uma dose profunda de sofrimento.

Esse encontro e reencontro entre o que é familiar e estranho ao mesmo tempo busca reconhecer as sombras humanas, e que muitas vezes são difíceis de serem (re)conhecidas. Mas quando o são, integram a personalidade em uma forma mais coesa, única e singular de existir. Uma forma que vale a pena buscar, apesar dos desafios pelo caminho.

A arte, por exemplo, é uma forma poderosa de buscar-se a si, encontrar-se e identificar-se com os aspectos mais ocultos do próprio ser. Esse lindo entrelace entre a arte e o que é ser humano pode vir com uma verdadeira e profunda autopercepção, como uma epifania. Este momento de honestidade própria envolve um eu real e não o eu ideal, o que se espera ser.

A partir deste momento a busca criativa ganha espaço e o céu de possibilidades se abre para lindas construções, encontros e reencontros.

Abandonar o ideal de eu não é fácil e passa por mecanismos inconscientes, se é possível um dia abandoná-lo por completo. Entretanto, dar leveza a este ideal que por vezes pode ser massacrante do eu pode ser uma busca benéfica para se viver uma vida mais integrada com a verdade. Além de se viver uma vida mais real do ponto de vista da humanidade existente dentro de cada um.  

Busque sua sombra e integre-a em sua luz, e faça desse caminho de descoberta um dos propósitos de se estar vivo. Quem sabe um dia você possa responder com alguma relativa clareza o que é a imagem de si, o que é o ideal de si, o que é a representação de si, e quem é você de verdade.

Destaque

A importância da Amizade

A amizade verdadeira é aquela que pelo simples fato de estar na presença renova as energias. 

Estar na presença independe da fala e das ações. O amigo de verdade não precisa dizer. Apenas sendo ele faz seu papel. Mas não é qualquer ser, é um ser verdadeiro, aquele que a gente consegue sentir por dentro, aquele que a energia simplesmente se transforma em minutos de algo pesado e difícil, em algo leve.

Tem certas coisas que as palavras não conseguem simbolizar. Certos sentidos que ela não alcança. Esses são alcançáveis apenas através de um sentimento profundo. E as amizades de verdade nos proporcionam essa transformação no sentir.

Elas são uma delícia de viver, nos ajudam, nos transbordam, nos intensificam. Fazem com que as dificuldades da vida sejam mais leves e suportáveis.

Essa troca genuína é o que faz de nós humanos. Viver bem só é possível através da qualidade de nossas relações.

Entretanto, em alguns momentos na rotina corrida e intensa dos dias atuais, nos esquecemos disso. Deixamos passar o tempo e perdemos convivência, ou perdemos o tempo que seria disponibilizado para apenas uma ligação. Um olá, um estou com saudades, uma mensagem expressando como aquela pessoa é importante para nós. O pouco basta, para o que é verdadeiro, não é preciso muito.

Em um mundo de excessos, o pouco bastar é um luxo.

Não podemos esquecer jamais, apesar da loucura da vida, do intenso valor de uma amizade. E para isso precisamos estar constantemente nos lembrando, e usando do pouco tempo que temos para fazer dessa lembrança uma ação.

Precisamos constantemente priorizar o que vamos atribuir valor em nossas vidas. Para isso, questionar nosso ser e ter perto de nós as pessoas que realmente querem nosso bem, mesmo quando precisem dizer coisas difíceis para nós.

Nunca se esqueça que é possível perceber a diferença. E o sentir nos ajuda a perceber a diferença entre o verdadeiro bem e do mal disfarçado de bem.

A verdadeira intenção de bem é uma das coisas que são reais e lindas nas relações e nessa dança da vida.

Um brinde as verdadeiras amizades!

Lembre-se de hoje mandar um olá para alguém que é importante para você. Nunca é tarde para educarmos nossa rotina com atividades que nos façam bem, e que sejam realmente significativas! Educar e fazer o bem não é somente para o outro, mas principalmente um aprendizado e ação para nós mesmos. Nem sempre conseguiremos, a complexidade é inerente e sempre será. Nem sempre faremos o bem ao outro e nem a nós mesmos, mas a constante tentativa é a busca de viver uma vida leve e com o significado que cada um queira atribuir a sua própria jornada.

Destaque

Tornar-se M U L H E R

Tornar-se mulher é uma descoberta diária.

Ontem foi o dia internacional da mulher, e muitos dos olhares foram voltadas para nós. Mas meu desejo de fazer o post hoje é para estarmos atentas e não nos enganarmos por um só dia de comemorações. Nossa busca deve ser diária.

Por isso coloco uma questão:

O que é ser mulher?

Simone de Beauvoir já dizia que “Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres”.

Ser mulher é um tornar-se todos os dias. É uma busca autêntica constante de si. É uma multiplicidade de ser. 

É luta diária contra preconceitos, discriminações e violência.

É também luta e busca por um local singular de respeito e que não rouba o espaço de ninguem, mas que anseia pelo seu. O dia da mulher aparece como um só no calendário, mas na realidade todos os dias ao acordar vamos em busca de nos tornarmos as mulheres que queremos ser para nós mesmas e para o mundo.

Todos os dias vamos em busca por compreender o mundo e a nós mesmas. Vamos em busca da expressão singular de quem somos. 

Na verdade, todos os seres humanos devem perseguir essa busca. A busca da própria autenticidade, que não é simples e imediata, mas constante e real, e por esta razão verdadeira. A busca que te permita sentir adequação e bem-estar por ser você. E só.

Eu espero, mulher, que você acorde todos os dias pela manhã e se sinta sempre capaz dessa busca e, que possua a força para construir seu próprio espaço que te permita constantemente ser quem é, sem tirar, sem por e sem correções.

Eu espero que os dias difíceis não façam com que você desista de você mesma, mas que você crie resiliência e reforço de sua luta. Ela é grande, mas o processo pode ser revelador e te proporcionar uma compreensão transformadora do mundo e da natureza humana.

Essa construção que você irá fazer ocorre também através de uma profunda tentativa incessante de compreensão de si e de resiliência.

Tornar-se mulher é uma multiplicidade de ser que não deixa de ser singular, pois envolve a essência, os próprios desejos e verdades internas.

O que é ser mulher para você?

Feliz busca em tornar-se mulher todos os dias, e feliz busca por sua autenticidade!

Destaque

Natureza Humana

Esse post vai ser diferente e ele vem com uma dica de um livro

O que você pensa sobre a natureza humana? Acha que ela é tendencialmente egoísta ou generosa?

Rutger Bregman traz importantes reflexões em seu livro “Humanidade- uma história otimista do homem”

O título já contém um spoiler- ele encara a natureza humana de forma otimista. Mas a forma que defende sua ideia é baseada em fatos e estudos científicos. Vale muito a pena a leitura, pois é possível perceber como muitas vezes estamos enraizados em nossas próprias convicções e incapazes de olhar além; ou presos em nossas próprias trincheiras. 

Sair é preciso. Enfrentar o mundo, debater ideias e ter a coragem de pensar diferente. De combater a massa e o senso comum. De refletir e ao invés de ter uma busca incessante por respostas (típico da nossa geração) aprender a fazer as melhores perguntas.

Apenas através do questionamento correto é que um encaixe pode acontecer. Não do encontro com a verdade, mas do sentido possível em meio a complexidade, incerteza e ambiguidade do mundo e do ser humano.

Aqui vai um trecho no final do parágrafo para você que tem o desejo em pensar diferente. Para contextualizar, abordamos muito em nossas vidas aquela regra de ouro: Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você. Repetimos a frase sem precedentes. Mas somos todos diferentes- e por qual razão deveríamos ser iguais, ter o mesmo tempo ou gostar das mesmas coisas?O livro cita em uma de suas páginas a conhecida “regra de platina”: “não faça com os outros o que você GOSTARIA que fizessem com você” “seus gostos podem ser diferentes”.

Como agir então? Observar e perguntar. Às vezes as nossas relações interpessoais podem beirar a simplicidade através das questões certas e de uma comunicação efetiva.

Viva às mudanças de perspectivas, de vida, de formas de pensar. Não limite a sua existência a uma forma “correta” de ser. Encontre a sua maneira autêntica de ser quem você é e através da autodescoberta no processo- crie a vida que deseja, sustentando as alegrias, as dificuldades, as frustrações e as tristezas. Afinal ainda estamos falando de vida real.

Destaque

ANESTÉSICOS, EQUILÍBRIO, VIDA BOA?

Se você tirar todos os anestésicos da sua vida? O que sobra? Ou o que de fato realmente existe?

Não são todos os dias que temos sentimentos bons. Não são todos os dias que estamos bem. Às vezes são muitos os mistérios e as decisões difíceis. Também é possível observar como outras pessoas vivem em realidades que julgamos piores ou melhores, e como algumas coisas simplesmente são complexas, ou pelo motivo de serem mesmo ou porquê a vida muitas vezes é assim. 

Mas e se tirássemos do nosso dia, do nosso final de semana, tudo que nos dá prazer e além disso pode servir para anestesiar nossa dor?

Me refiro a anestésicos como sexo, comida, compras, álcool, entre outras substâncias prazerosas que buscamos- às vezes porque realmente dá prazer, e outras para fugirmos de algum mal estar. 

Martin Seligman, conhecido pela psicologia positiva, diz que a boa vida vai além da vida prazerosa, assim como a vida com significado vai além da boa vida. 

Uma palavra se destaca nessa frase: Além.

Quando paramos para pensar com mais calma nessa questão do além do momento, e do que é uma boa vida e o que isso implica, prazer constante, quais tipo de escolhas– entramos em um conflito- devido a complexidade da situação. 

Não podemos ter tudo. Mas evitar o prazer e buscar além para se ter uma boa vida pode ser garantia? Não sabemos nem quanto tempo temos- e nesse tempo precisamos estar sempre a articular presente e futuro

Ao mesmo tempo que só buscar uma boa vida no presente, implica ter uma vida com sentido?

Será que conseguimos condensar no presente o prazer, o sentido, e a boa vida?

Qual o peso da nossa ilusórias certezas? Qual é o link que fazemos na nossa mente entre as nossas escolhas e a nossa felicidade?

Temos muitas vezes a impressão que as escolhas que fazemos serão aquelas que trarão nosso bem-estar. Por mais que erremos, tentamos escolher o que achamos ser melhor para nós. A grande ironia da vida é que não existem garantias. E deve-se viver com isso.

Devemos viver no presente- por ser o único tempo em que temos, mas ao mesmo tempo devemos projetar no futuro e fazer concessões, pensando em como isso pode influenciar nossa vida mais pra frente. 

Existe um equilíbrio?

Quem disse que seria fácil, mentiu. 

A vida pode até sorrir mais em uns aspectos que em outros para algumas pessoas. Condição financeira, oportunidades, horizontes.. nem todos tem as mesmas. Particularmente alguns jovens da geração Y e a Z vivem em um mundo de ilusão- um século de mentiras. Mentiras que prevalecem no social, e antidepressivos que prevalecem no mental. É uma boa conta?

Nunca, em nossos tempos atuais, tantas pessoas sofrem de doenças mentais- ansiedade, depressão, e o suicídio crescem exponencialmente. Em qual local está a calmaria?

Talvez esteja na verdade. Em encarar a verdade dos fatos e da realidade humana. Tantas mudanças externas faz com que pensemos erroneamente que essas mudanças acontecem na mesma proporção dentro de nós. 

Mas nossos pais já sabem. Quer dizer, ou suponhamos que saibam. Nossos avós sabiam, ou suponhamos isso. Não é fácil ser humano. Mas ao mesmo tempo é muito bom. O desequilíbrio é uma verdade da nossa natureza, e por mais que tentem negar e vender fórmulas de felicidade, acontece como dizia Caetano Veloso em que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Nunca fez tanto sentido. 

Cada um sabe por dentro os desafios, as dificuldades, limitações, os desejos não realizados, e também as potencialidades, as oportunidades, o lado bom de ter nascido na própria pele. 

Ninguém está imune. Não existe solução, essa é uma busca árdua que cada um deve fazer constantemente e diariamente- um diálogo interno. 

Um diálogo interno de sentido, contradições, ambivalências, e sentimentos ruins. Mas também de esperança, alegria, amor, e muitos sentimentos bons. Hoje em dia vende-se que devemos sentir apenas o que é bom. E se existisse um processo de aceitação com o que causa dor e desconforto? Aceitar não significa ficar na dor. Sabe aquela frase “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Uns atribuem a Buda, outros a Drummond.

Devemos repetí-la, e ler ela quantas vezes forem necessárias, até estar tão inserida dentro de nós que começamos a praticá-la em nossa vida. Toda vez que formos sofrer por algo, escolhermos se vamos ficar ou não neste sofrimento, apesar da dor.

Quanto antes nós, da geração Y e Z aceitarmos o fato de que somos humanos, mais esperança há para a humanidade. 

As mudanças internas não acompanham o ritmo externo da vida atual. Existe então o choque de realidade. O equilíbrio, se existir, pode ser aceitá-la na sua verdade existencial. 

Ai está a esperança, pois com a aceitação e a visão do que realmente se é- pode se começar a enxergar e construir o que se deseja.

Isso vale sempre também para a realidade interna, só por vezes demoramos muito em aceitá-la. 

Chegou a hora de começarmos a ter um olhar íntimo para dentro, verdadeiro e honesto. Já passou da hora de enfrentar a realidade mais difícil de todas- a de dentro.

Destaque

Everyone has to run your own race.

Todos temos que correr nossa própria corrida, e a forma como vamos fazê-la cabe somente a nós mesmos. Isso foi o livre-arbítrio nos dado pela natureza. Mas será que temos mesmo toda essa liberdade? Ou melhor, que desejamos ela?

Nem todos começam essa corrida da mesma forma. Dependendo do local ao qual você nasceu, da sua constituição biológica, das pessoas que você conviveu no seu ambiente, dos traumas que teve, das oportunidades que lhe foram dadas- todos esses fatores contarão para formar suas percepções e moldarem suas escolhas mais profundas. A forma como você vai escolher “correr”, o que vai renunciar, se vai ser mais devagar ou mais rápido, se vai ser mais brando ou mais sofrido, se vai ter mais pausas ou ser mais contínuo…

Todos temos a oportunidade de correr. De melhorar, de refletir e de termos novas percepções. Mas não podemos ser ingênuos e negligenciar os fatores. O autoconhecimento deles é imprescindível para que se tornem aliados no processo de desenvolvimento pessoal e busca de sonhos e desejos.

Contudo, é importante perceber também que os aspectos negativos dos fatores não devem servir de justificativa. Muitas vezes nos apegamos a eles para responsabilizar atos que não queremos desempenhar, ou simplesmente não temos ainda força e capacidade emocional para tal. E é necessário saber internamente dessa verdade pois assim evitamos nossa auto-vitimização e justificativas sem cabimento no real

Esses fatores servem como um alerta para entendermos melhor como as desigualdades e nuâncias internas ocorrem, e inclusive para nos relacionarmos com pessoas diferentes e com outros pontos de vista, a única forma de crescimento e expansão. Implica pensar a realidade como ela é, sem muitas idealizações. E implica se conhecer no momento presente para saber onde você pode chegar, suas limitações e as oportunidades que estão presentes na sua vida.

São vários os fatores que formam uma pessoa como ela é. Por isso deveríamos não julgar. Nunca saberemos ao certo o que levou a um indivíduo ser e agir de determinada forma. Nunca saberemos todas as influências ao qual esse indivíduo foi e está submetido. Temos apenas um recorte do real. O mundo interno de cada um é muito mais complexo do que parece ser. Ao olharmos para nós, ficamos mais compassivos e compreensivos com a realidade do outro. O movimento começa sempre por dentro, nunca por fora. 

Com a compreensão dos nossos limites, nossas tolerâncias, voltamos também esse olhar compassivo para nós mesmos. E ai o tempo vai mostrando a riqueza e a pobreza do nosso próprio mundo interno, para claro, quem tem a coragem de dar o primeiro passo e buscar constantemente enxergar. 

O Outro | O Espelho

Destaque

Olho da janela do meu quarto e chove lá fora, o tempo está fechado esse final de semana em Coimbra.

Mas dentro do meu coração o tempo está aberto.

Penso na vida, nas dificuldades, nas minhas limitações, nos sonhos e vejo que tudo isso faz sentido por uma razão: as pessoas que cruzam nosso caminho.

Podemos estar sós, sentir a temível solidão, mas é só olharmos em volta e ver as pessoas.

Realmente VER as pessoas, que elas existem e estão ali por diversas razões, desempenhando muitas funções.

Elas são complexas, uma mistura de bondade com maldade, competentes em muitos aspectos, não tanto em outros.

Mas elas estão ali, e se estivermos abertos, podemos aprender de cada situação oferecida, seja ela positiva ou negativa.

O interessante e o desafiador é olhar para si através do OLHAR PARA O OUTRO.

Não é olhar para si somente através do olhar do outro, já que precisamos do olhar do outro para nos conhecermos e afirmarmos nossa identidade no mundo.

É também o olhar para si através do olhar em direção ao outro.

Esse processo de autoconhecimento só consegue existir quando o olhar não é voltado apenas narcisicamente para si, mas ele considera um outro que EXISTE, que AGE no mundo, que possui suas próprias maneiras de ver e levar a vida, e que é único.

Se perdêssemos menos tempo julgando o outro por comportamentos que não concordamos, ou que achamos inadequados, ganharíamos tempo conhecendo a nós mesmos e a natureza humana.

Conhecer ao outro e deixar ele existir não deveria incomodar, pela razão de não ferir sua própria existência (a do julgador). Ambas existências são válidas.

Mas você se sente ferido, será que você está tão seguro e certo da sua própria existência?

Sei que é difícil termos certeza sobre nossas próprias vidas, mas é possível estar mais seguro em nós mesmos e em nossas escolhas. E quando isso acontece o outro incomoda menos, e nos sentimos menos feridos.

O Outro pode ser revelador do momento em que você se encontra, se é preciso redefinir caminhos, esforços e expectativas. Se é preciso parar, escutar o silêncio e pensar. Se é preciso ver suas próprias limitações, insatisfações, e desejos.

O Outro é um espelho que nem sempre é desejável, mas que mostra a realidade das curvas de existência.

Por mais que elas não sejam agradáveis, ou desestruturem, ou machuquem, ou …

O Outro auxilia que você encontre um lugar em si mesmo. Um local onde reina a verdade dolorida e maravilhosa de S E R. Um local em que pode servir de desespero ou de refúgio. No fundo não é o material que o compõe que difere- mas a escolha individual de abandono do próprio ego e aceitação da realidade. Essa que é humana e imbatível. Esse olhar pode trazer um alívio e uma menor taxa de cobrança em ser. Assim o que é desespero pode se transformar em refúgio.

O Outro que está em nosso processo de socialização, e dentro de nós quando estamos sós pode nos ensinar muito. Às vezes preferimos cegar e não ver, pois é dolorido demais. Às vezes, conseguimos ter força emocional para enxergar o espelho.

Aprendemos a todo momento, não é só nos livros.

E quando assumimos com maturidade O OLHAR, e também desenvolvemos espaço emocional para isso, podemos nos deslumbrar em ver ao Outro, em deixá-lo existir em nossa vida e em aprender das mais diversas formas com ele.

Entretanto e citando Lacan, para isso é preciso três tempos:

O instante de olhar

Tempo para compreender

O momento de concluir.

Estamos prontos para deixar esses três tempos agirem em nossa vida? Ou apressados demais para não ver tempo algum? Apenas ignorar sua existência por incapacidade de ver o que realmente importa é a solução? Ou incapacidade de Olhar e Compreender o Outro?

Nos perdemos no tempo, e assim não usufruímos dele; apenas somos reféns estáticos de sua passagem.

Na posição passiva a vida passa, e nós permanecemos.

Na posição ativa cada instante vale por si só, e é precioso e cheio de aprendizados, basta querer ver, para depois olhar, compreender e concluir.

Para Se conhecer, conhecer ao Outro e conhecer a Vida é preciso ser ativo no tempo. Ter coragem e mesmo quando não tiver, não ter e reconhecer- melhor que sofrer constantemente de cegueira, enquanto a vida passa.

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FELICIDADE NÃO MATA!

Você tem medo da felicidade?

Flávio Gikovate foi um médico psiquiatra e psicanalista brasileiro que se aprofundou muito nas questões humanas, muitas delas as mais complexas. Quero dividir com vocês uma das suas reflexões que me parecem essenciais para entender o modo como funcionamos e as vezes nos sabotamos nos nossos desejos mais intensos.

É o que ele chama de “medo da felicidade”. Ele afirma que quando os seres humanos estão próximos de alcançar uma felicidade muito desejada ou uma meta conquistada arduamente, a felicidade se mistura à uma sensação de medo, como se tivesse “uma espada sobre sua cabeça” e um temor difuso de que algo ruim possa acontecer. 

Flavio também acredita que esse medo surge do trauma inaugural do indivíduo: a dor do nascimento e da expulsão do paraíso do útero onde todas as suas necessidades eram satisfeitas e você vivia em um estado de perfeita harmonia e serenidade. Para ele o medo da felicidade surge quando essa situação paradisíaca parece que irá se instalar novamente, e o medo de outras dores de transição ou expulsão desse paraíso acometem o indivíduo.

Para os que acreditam ou não nessa abordagem psicanalítica, uma coisa é fato: os seres humanos tentam se sabotar e possuem uma “cota” de felicidade ao qual suportam viver. O medo da felicidade acomete a todos nós.

Flávio afirma que sobre ele existem três notícias: uma má, uma boa e uma ótima. A é que a psicologia ainda não se dispõe de meios que livre o ser humano do medo da felicidade. Então enquanto isso não acontece, é necessário ter ciência e administrá-lo quando ele quiser aparecer.

A boa notícia é que o ser humano tem grande capacidade de adaptação a novas condições, sejam elas piores ou melhores. Que busquemos sempre nos adaptar sempre as melhores condições possíveis, e que persigamos isso com afinco na vida.

A última ótima noticia que Flavio nos deixou é: a felicidade não mata!!

Ter a consciência maior deste mecanismo nem sempre agradável que existe dentro de nós pode fazer com que tomemos outro rumo em algumas ações em nossa vida, e ter escolhas mais conscientes com a vida que realmente sonhamos para nós mesmos. 

Isso é um exercício diário. Abandonar as próprias justificações banais para a não conquista de algo é um exercício de honestidade íntima. Implica perceber as limitações, mas lutar para superá-las, se permitindo ser feliz na totalidade e ser o máximo de todas as suas potencialidades. Usar essa energia interna para construir sólidos alicerces acredito que seja o que todos devemos perseguir diariamente e incansavelmente. 

Caso contrário viveremos uma vida a mercê de nós mesmos. Não negligencio as dificuldades, elas são muitas e existem, mas a consciência é o primeiro passo da transformação.

Por isso defendo e defenderei até o fim a importância de jogarmos luz em nossas dores e limitações, pois esse é um dos caminhos longos, mas verdadeiros para a real transformação humana. Um caminho que vale a pena percorrer para usufruirmos da satisfação de pertencermos a nós mesmos.

Finalizo com Friedrich Nietzsche e a frase que amo proferida por ele: “Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo” .

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Equanimidade e Ser tudo que se é: combinação realista?

Essa palavra apareceu no meu dia, sendo discutida sobre a ótica de colocarmos “tudo que somos” no mínimo que fazemos, mantendo equanimidade. Quando fui buscar ao google o significado da palavra, aparece: “serenidade mental; igualdade constante de ânimo ou de temperamento em qualquer conjuntura da vida”.

Será que é saudável mentalmente e viável sermos “tudo que somos” e manter um equilíbrio em qualquer situação?

Para iniciar mais uma reflexão a respeito de ser tudo que somos no mínimo que fazemos, vou citar o poema de Fernando Pessoa, na verdade de um de seus heterônimos- Ricardo Reis:

“Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive”

Esse poema, como muitos do autor, contém uma sutileza e profundidade de palavras na transmissão da mensagem. Não precisa de muito para dialogar com o leitor.

Quando interpreto o poema de Ricardo Reis, no seu “põe quanto és no mínimo que fazes”, acho intenso e real, e concordo que isso deva ser nossa busca de todos os dias. Entretanto, não vejo isso trazendo um estado de equanimidade. Pelo contrário, deixar ser, por inteiro, implica e independe do estado de ânimo ondular do momento, é apenas ser o quanto se é: as vezes mais, as vezes menos.

Discutimos muito na vida sobre o equilíbrio, e como muitas vezes é um estado desejável por cada um de nós. Mas o equilíbrio pode ser a soma de ondulações de forças que no seu total se igualam. Ele não envolve necessariamente um ânimo sereno e constante em cada etapa de nossas vidas. O equilíbrio é dinâmico. Tem dias que acordamos de uma forma, outros de outra. Tem dias que estamos mais enérgicos, outros mais calmos.

Ser no mínimo que fazemos é abraçarmos quem somos em primeiro lugar (se é que sabemos quem somos).

Agora, será que é possível colocar sempre quem somos em tudo que fazemos?

Entre o sempre e o nunca, está a natureza humana. Ela transita entre esses extremos, mas raramente chega a eles.

Mas, conseguimos perceber, internamente, quando colocamos “tudo que somos” no que fazemos?

Acho que ai a pergunta já começa a ter uma cara maior de resposta. Temos percepções internas e sentimos quando fazemos o máximo que podemos, assim como sentimos quando fazemos o mínimo.

Essa reflexão pode levar também a outro questionamento: O que nós somos? Não passamos a vida a tentar descobrir?

Independente do seu estado de ânimo, se entregar, viver de verdade as experiências, estar presente de mente e alma, observar as próprias reações, se conhecer. Colocar tudo que somos no mínimo que fazemos pode ser estar de coração e com verdade, assumir riscos e abraçar a vida em todas as suas facetas, independente do resto.

Realmente para viver é preciso coragem, de estar presente para encarar ver não só o que é agradável em nós mesmos. É uma desconstrução de ego constante, mas é uma realidade única, que só quem vive, sabe.

Finalizo com Pessoa “Põe quanto és

No mínimo que fazes

E nesse percurso desconstrua sua vaidade, seu ego, seu sentido de capacidade pessoal,

Para depois reconstruir novamente, e desconstruir …

E nesse processo: humanize-se e saiba exatamente suas capacidades e seu valor

de uma forma realista, humana e sua.

E nessa singularidade e movimentos ondulares de ser, você encontra suporte, desespero, e calma para viver essa vida que é um desafio para todos nós.

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A precariedade do “EU” em busca de Excelência

A excelência te motiva? te questiono isso leitor pois sabemos que podemos encontrar todo tipo de profissional no mercado- vamos dividir de forma simplista em ruins, medianos e excelentes. 

O que diferencia cada um deles? História de vida pessoal, carga de esforço, escolhas, oportunidades?

Sabemos que como humanos, somos limitados. E em muitas situações gostaríamos de poder fazer muito mais do que fazemos. Falhamos, decepcionamos pessoas e a nós próprios. 

Mas algumas coisas são fatos: sabemos muito bem a carga de esforço que colocamos para cada situação diária, e sabemos muito bem também quando aliviamos na ação. Esse saber interno é o que cada um possui dentro de si.

Aliviar na ação ou deixar de fazer algo é ruim? Precisamos estar sempre nos esforçando? Claro que não. A escolha diária da vida e do tempo, e a escolha diária de qual local colocamos nosso esforço é feita levando em conta diversas variáveis, tanto internas (psicológicas) como externas (sociais).

Mas quando questiono sobre a pergunta no início do post, se a excelência te motiva, é porquê ela tem um preço alto para o indivíduo em questão- ela implica muitas decisões complexas e abdicações. Mas é relativamente fácil para nós da “plateia” consumir essa excelência. 

Podemos querer estar em contato com profissionais excelentes, mas será que estamos fazendo o mesmo esforço para as pessoas ao nosso redor e para o mundo?

Deixo essa reflexão não em forma de cobrança, mas de questionamento profundo. Muitas vezes nossa vida é nossa ação diária no tempo- no longo prazo. 

O preço a se pagar por essa ação cabe ao indivíduo decidir a partir de certa idade, ninguém decide por ele. 

Mas as decisões perpassam um terreno complexo do mundo psíquico, e tem algo de essencial nesse espaço sobre o homem que Freud já nos mostrava, mas que a modernidade insiste em ignorar.

O homem concebido por Freud é cindido, clivado, em constante conflito interno, incapaz de se autoconhecer e se autodominar por completo. Um sujeito que a muito custo tenta manter uma imagem falsa de unidade coesa.

Para Freud existem vários conflitos que perpassam a psique humana: o conflito entre os impulsos e desejos inconscientes, o qual é irredutível, as exigências da realidade externa a qual o “eu” deve se preocupar, e os imperativos de nossa própria consciência moral. 

Entre tantos conflitos e uma ilusão de imagem coesa do “eu”, em qual local está a excelência das práticas e competências humanas? Já que quando observamos a realidade percebemos que ela existe apesar deles. E a existência dela por si só já é imperativo prático e real. 

Outra importante questão é: A EXCELÊNCIA sucede o CANSAÇO? É preciso a exaustão para alcançá-la?

Opiniões diversas podem surgir destas questões, mas na minha visão, a resposta é depende. Depende de qual cansaço estamos falando. Acredito que quem tenta buscar por uma vida de excelência tem muito mais trabalho e cansaço do que quem escolhe uma vida com menos esforço e busca. Existem os ônus e bônus de cada escolha. E as consequências delas. Mas é um cansaço derivado da ação verdadeira, do esforço- seja ele físico ou mental.

A excelência que trago aqui não é sinónimo de ganho financeiro. É aquele sentimento interno de realmente ter se esforçado ao máximo por fazer seu melhor em determinada ação, e por perceber que possui na sua prática profissional algo de diverso e bom para acrescentar na vida das pessoas- de verdade. É realmente perceber que tentou buscar e dar o máximo de si, abdicando de coisas mais fáceis momentâneas por um período maior de tempo em busca de determinados objetivos. 

Pois na minha visão a excelência do outro motiva para que você busque a sua própria. É como se fosse retribuir ao mundo o que recebe, em forma de ações. Pessoas que são excelentes aos nossos olhos (isso pode ser distinto dependendo do indivíduo) nos tocam de alguma forma, são admiradas e reconhecidas por nós.

É real que nossa sociedade esteja cansada, mas não creio que seja cansada de esforço. É um outro tipo de cansaço, não o que é derivado da ação, mas um que precede a ação.

Nossa sociedade está cansada emocionalmente, as vezes até antes de chegar no nível do esforço e comprometimento exigido pela excelência e pelas ações desempenhadas. 

Nossa sociedade está cansada porque vivemos uma onda de mentiras, negacionismo e não aceitação da natureza humana.

Nossa sociedade está cansada pois está engrandecida das mais variadas formas.

Nossa sociedade está cansada porque Freud tinha razão: identificar e aceitar a precariedade do “eu” consciente pode não ser sinônimo de guerra contra as ilusões da autonomia e engrandecimento, mas de paz psíquica para um homem moderno que está entrando em colapso físico e emocional.

Aceitar a precariedade do “eu” pode ser o melhor caminho para a busca de excelência no que quer que você faça. Parece uma idéia paradoxal, mas a ambivalência é outra característica da natureza humana. Bem-vindo ao mundo precário, real, e mesmo assim passível de excelência.

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Qual o preço que você paga pelo que acredita? Ou pelo que quer lutar?

A verdade é que na vida conhecemos diferentes tipos de pessoas, que pensam de formas diferentes e, consequentemente, possuem vidas diferentes. A questão é que não existe uma maneira certa, existem varias formas distintas e particulares. Únicas, dependendo da singularidade de cada ser.


À reflexão que quero trazer hoje é que devemos tomar muito cuidado com o padrão e com formas pre-existentes de viver. A coragem é necessária para podermos enfrentar e defender nossas próprias lutas. Todo caminho escolhido terá dificuldades e alegrias, isso faz parte da condição humana de viver.


A racionalidade também nos diferencia dos animais. E ela é essencial para decidirmos qual vida será a mais satisfatória para nós mesmos, o que realmente queremos ou desejamos, e não é uma resposta fácil ou de uma só escolha ou solução. A maior parte das vezes não temos respostas, e sim muitas perguntas.

É uma consciência que precisa ser trabalhada diariamente, e escolhas que se modificam dependendo do momento de vida em que nos encontramos.


Em muitas áreas olhamos o padrão, mas a verdade é que se todos fizessem o mesmo, não teríamos o mundo que temos, nem as oportunidades e a variedade de que é capaz a criatividade humana.

Que bom que existem pessoas que buscam constantemente defender a sua singularidade no mundo.Elas também tem escolhas e toda ação implica uma sustentação, seja no momento em que ela está sendo realizada, seja posteriormente. As vezes mais difícil, as vezes mais fácil.


Por isso te questiono novamente leitor: o quanto você está disposto a sustentar seus desejos? O quão você está disposto a lutar todos os dias por eles? e por tempo muitas vezes indeterminado?

Indago mais algumas: Você considera todos os seus desejos confiáveis? Apostarei de forma cega neles?


Desistimos fácil, nós humanos. Nenhuma conquista cai do céu, principalmente se ela é singular e individual. E mesmo quando é coletiva e vinda da imitação. Ela custa, e muitas vezes, um preço alto.


Vivemos em um mundo que quer a alegria 100% dos dias, um mundo que estampa uma felicidade falsa, irreal. Em um mundo como esse, é mais que necessário encarar a realidade- que é bem distinta pois ela é humana, com todas as suas facetas.


Todos nós sabemos. É só olharmos para dentro. Temos nossos conflitos, inseguranças, medos, limitações, e mesmo assim caímos em armadilhas de uma vida falsamente feliz.

Encarar a vida com determinação e coragem é uma escolha pessoal, uma construção, uma decisão diária de se submeter e sair da sua zona de conforto. E mais que isso, dispor de uma energia física e psíquica todos os dias para a realização das ações.


Cada decisão possui perdas e ganhos. É preciso pensamento, consciência, energia, ação e planejamento. Quais são as perdas com alguma escolha? Quais são os ganhos? E não somente no momento presente. Digo que em 3 momentos: curto, médio e longo prazo. Perguntas abstratas e não absolutas, já que as respostas não são certas.


Defenda a sua escolha. Não espere que outros apoiem ou aplaudam a sua forma de olhar a vida. É a sua. Respeite também a forma como o outro olha a vida. Saiba perder, saiba ganhar.


Tudo isso que acabei de escrever acima é MUITO difícil de ser conquistado, às vezes demora anos e até uma vida. Mas precisamos insistir nesta tecla: ninguém é responsável por nossas escolhas, somente nós mesmos. Não existem culpados pelos nossos fracassos, somente nós mesmos.


É só pensarmos nos ganhos e nas coisas boas que nos acontecem, nunca referenciamos a terceiros, ficamos orgulhosos e felizes pelo que conquistamos. Devemos também ter humildade em nossos fracassos. Não é simples, mas acredito também que seja uma conquista, árdua, mas uma conquista de vida.


Desejo a você leitor, que você escolha pagar um preço justo pela sua vida, pelo seu protagonismo e pelo seu esforço. Nem de exagero para mais, nem para menos. Mas um preço justo- esse que só você pode encontrar por si mesmo. Ninguém mais poderá achá-lo.

Desejo que você pense a vida com consciência e ação, e coloque na balança TODAS as possibilidades que venham à sua cabeça. Pense, imagine, repense, crie, utilize de sua mente a seu favor. E principalmente, aprenda com suas próprias experiências.


Porém … colocando ou não um quanto de possibilidades possíveis, a vida sempre vai dar um jeito ou outro de te surpreender, seja pelo lado bom ou pelo ruim. Mas é assim mesmo, sabemos que é. Pelo menos você terá feito uma escolha mais pensada na realidade, com um foco adulto e responsável sobre suas ações.

Que as ansiedades do caminho e angústias não te façam desistir, apenas te tornem mais forte após alguns primeiros momentos de te tornarem mais fraco.

Uma feliz escolha ou não, todos os dias.

Que suas certezas, verdades e escolhas possam ser questionadas em todos os momentos de sua vida. Citando uma parte do livro “Humanidade, uma história otimista do homem”, o autor se refere à um político chinês que, quando indagado sobre os efeitos da Revolução Francesa, respondeu “É um pouco cedo para dizer”.

Sinto que quando pensamos em nós mesmos e nas nossas supostas “certezas”, a vida sempre vem nos mostrar que não estamos tão certos assim, e que sempre “é um pouco cedo para dizer” quais serão os efeitos a longo prazo de nossas escolhas e ações.

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Encerrando ciclos

Tudo é construção, esforço diário, dedicação.

Ah, mas você pode perguntar, será que é só esforço? Não acredito que seja. Na vida real, as coisas são mais complexas do que parecem ser.

E para percebermos isso é só olharmos genuinamente para dentro.

Sinto que muitas vezes nos enganamos ou vemos as pessoas se enganarem. Estava vendo um evento esta semana que uma pessoa dizia “Vocês não devem se comparar, somente com vocês mesmos, e devem buscar ser melhores hoje do que foram ontem”

Quem conhece um pouco, minimamente da própria natureza ou da humanidade, sabe que essas frases não são reais.

A comparação é inevitável, é um mecanismo mental que em muitos momentos aparece em diversas situações na interação com o ambiente externo, esse que temos contato. Talvez se morássemos em outra galáxia teríamos outro campo para se comparar.

A segunda mentira é sempre ser melhor que ontem, como se fosse possível na vida humana nos superarmos todos os dias e entrarmos em uma curva ascendente de crescimento e desenvolvimento, que só fosse melhorando com o tempo, até chegar a …?

A questão é que todas essas frases são repetidas inúmeras vezes em convenções, palestras, workshops, e o mundo continua com seus problemas, os indivíduos se angustiam, anseiam, desenvolvem doenças psicológicas.

A realidade da psique humana vai muito além disso. Ela convive com todos os tipos de sentimentos- isso faz parte de quem você é. Já passou do tempo em que deveríamos parar de olhar frases óbvias e tentar parar, discutir e refletir a veracidade das questões humanas.

Só quem aceita a humanidade na sua completude, com todas as suas ambivalências e desafios, é que pode iniciar uma jornada de entendimento, compreensão e se for do desejo e da capacidade, desenvolvimento individual.

Todos nós queremos e seríamos o melhor se pudéssemos.

A verdade é que não podemos tudo. Temos dificuldades, limitações, oportunidades diferentes na vida- e acabamos fazendo as vezes o melhor ou não do que temos a nossa disposição: seja com a genética, com o mundo intrapsíquico, com a contingência e com as oportunidades.

O sistema mente, o mundo mente. Não, não são todos que tem capacidade para serem empreendedores, CEO, e por ai vai.

Tem dias que acordamos bem. Outros que acordamos mal. Tem dias que temos mais energia. Outros que temos menos. Tem dias que as circunstâncias favorecem a vida. Tem dias que o inesperado negativo acontece. Tem dias que estamos com mais sono, fome, desilusão. Tem dias em que acordamos cheios de esperança. Tem dias que não estamos dispostos a tolerar certos comportamentos. Tem dias que estamos. Tem dias que somos mais compreensivos, outros menos. E por ai vai …

E sobre estes fatos e ESSA realidade, que é a humana, devemos pensar em não ser melhor que ontem, mas dentro da possibilidade do dia, da possibilidade que surge ao abrirmos os olhos pela manhã- nos esforçarmos para ser o melhor daquele dia. Ou não, já que esforço é uma questão de escolha e movimentação- física e principalmente psíquica. É uma questão de gasto de energia.

Mas para quem quer buscar isso, ser o melhor daquele dia.

A comparação vai existir, vai invadir sua mente, e ela nem sempre é negativa. Ela é necessária para nos posicionarmos no mundo, e sentirmos o que devemos buscar para nós mesmos.

A vida nos presenteia todos os dias com pistas internas. A maneira como nos sentimos pode indicar e nos mostrar se o caminho está relativamente direcionado para nosso desejo. Ou não, já que depende da situação

Mas também devemos tomar cuidado com nossos desejos …

Podemos confiar no que sentimos? se muitas vezes é passageiro?

E o cuidado com as palavras?

Sabemos que palavras são “só palavras”, e muitas vezes através delas reconhecemos coisas a serem mudadas, melhoradas, mas porquê isso não basta?

O mundo psíquico humano ainda é um mistério, apesar dos avanços. Não podemos desistir nunca de buscar o melhor para nós (o que eu acredito), mas precisamos ter a consciência da dificuldade. E isso na verdade é bom, pois faz com que sejamos mais humildes, e também que respeitemos com reverência a dificuldade do outro, pois sabemos muito bem a realidade.

E é intenso, complexo e ambivalente.

Fico pensando, será que um dia vamos parar de repetir frases convencionais? E vamos partir mesmo para a investigação e prática das ações humanas?

Hoje encerro um ciclo com mais dúvidas que respostas, e por isso sei que estou no caminho certo.

Digo que devemos também sempre estar em um constante movimento de encerrar ciclos de mentiras internas, o quanto como possível. E começar a encarar a verdadeira realidade da existência. Que sabe ser linda, desafiadora e assustadora ao mesmo tempo.

Acredito sim que podemos ser melhores seres humanos, mas acredito também que isso começa através da compreensão do que é realmente ser humano.

Alguém sabe?

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A MINHA AVÓ e o Alzheimer

Minha avó e o Alzheimer são coisas diferentes. A minha avó é Sujeito. O Alzheimer é Doença. 

A minha avó é Vida, o Alzheimer é um tipo de Morte.

Pois ele simboliza a perda: da memória, da autonomia, das escolhas, e aos poucos, da vida.

Mas o sujeito que está por detrás desse acometimento infeliz ainda existe, se angustia e sofre com toda essa reviravolta.

Não deve ser fácil entender a finitude, e ainda mais se perceber neste local de perdas, cada vez maiores, de tudo que um dia se construiu para ser e para exercer. As perdas da idade já são difíceis, mas além disso ainda se fazem presentes as perdas que a própria doença traz.

Minha avó sempre Cuidou. Agora ela precisa se permitir Ser Cuidada. Como será esses momentos em que existe algo oposto do que sempre foi?

Como é quando isso existe para nós em conjunto com a saúde? Como será então lidar quando esta última já não se faz presente?

Difícil compreensão e inversão de papéis que a velhice traz, e que se tivermos sorte, todos nós um dia passaremos. 

Já dizia Mario Quintana:

“Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!”

Mas e se devolvêssemos para as pessoas que sofrem do mal Alzheimer, mesmo que sutilmente, a função de cuidar? Se revivêssemos dentro deste ser tão imerso em um mar de sofrimento e dor, a sua função anterior à doença?

A psicóloga Ellen Langer e sua equipe de Harvard, no final dos anos 1970, realizaram uma série de experimentos com idosos em um asilo, pedindo que cuidassem de uma planta. Para os idosos em que foi dito que eram responsáveis pelo cuidado desta planta, os níveis de felicidade foram maiores que os idosos informados que a planta seria cuidada pelas enfermeiras do local. Os idosos que cuidaram estavam mais felizes, saudáveis e também viveram mais tempo. 

O ato de cuidar de outro ser vivo melhorou significativamente a vida daquelas idosos.

O que o ato de cuidar pode nos dizer? Somos seres que cuidamos o tempo todo. Seja dos outros, da nossa própria vida, do nosso corpo, da nossa alimentação, do nosso trabalho, da nossa rotina. Estamos nessa posição de ação perante algo que é externo ou interno a nós. Perder isto deve ser extremamente difícil, e quando digo deve ser, é porque acho que ninguém sabe ao certo- até ter a própria experiência.

Mas uma um fato é claro: o sofrimento que existe nos idosos e em todas as pessoas que tem esta doença.

Não sei se dará certo fornecer a oportunidade “do cuidar” novamente à minha avó, de um jeito sútil, mas tentarei isso. Acho que toda tentativa de tirar o mal estar neste momento e fazer com que a pessoa viva o tempo que tem com dignidade e menos angústia (na medida do possível) é uma oportunidade de melhorar as coisas. As vezes temos forças e recursos internos para ajudar, outras não. A realidade e a mistura das relações é bem mais complexa de apenas dizer. As palavras são mais fáceis que as ações.

A psicologia tem um longo passado, mas uma curta história, e precisamos adquirir tudo que podemos para melhor a qualidade de vida de outro ser humano. Pensando. Repensando. Praticando. Agindo. Testando. Utilizando nossa energia vital para agir- dentro de nossas limitações.

Neste caso também é válido o que dizia Nelson Rodrigues “Mintam por misericórdia”. A pessoa não irá se lembrar de cuidar sempre de algo que lhe for fornecido, mas o lembrar diário vindo dos indivíduos externos para que ela continue cuidando pode trazer pelo menos uma pequena dose de bem-estar. 

Quando amamos alguém, não suportamos ver essa pessoa sofrer. Sofremos juntos, mas nunca na mesma intensidade. Ainda mais quando estamos perto. Entre lágrimas de um momento, surgem as pequenas ações diárias que possam permitir um respiro em meio a escuridão. 

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O BOLO DA AUTENTICIDADE

Hoje o texto é uma reflexão sobre a receita do bolo da Autenticidade. Lembrando que essa receita é diferente de todas as outras, pois ela não é uma tentativa absoluta de definir todos os ingredientes e verdades, mas sim de misturar pensamentos e reflexões para tentar formar este bolo. 

Na verdade ela se diferencia também das outras receitas culinárias, já que este bolo não é formado facilmente, ele demora tempo, muitas vezes uma vida e o esforço diário. Vamos começar! Preparem a mente e abram o coração!

Ingredientes:

Embrião do eu que se inicia na infância

Autoconhecimento

Suportar em si a angústia e as dificuldades

Uma pitada de descanso em si mesmo nos momentos mais desafiadores

Uma dose de inconformismo com a própria vida

Alta dose de esforço

Alta dose de disciplina

Alta dose de persistência

Uma dose de capacidade de lidar com os fracassos e as frustrações

Coragem

Humildade

Perseverança

Vamos começar a misturar esta receita: lembrando que não é uma receita pronta, afinal, adoraria se você pudesse me dar mais dicas de ingredientes, será sempre bem-vindo. Em um mundo no qual estamos acostumados a encontrar fórmulas prontas para tudo que almejamos, é relativamente fácil perceber a farsa envolvida nelas. Se fosse possível, todos conseguiriam e seriam o seu máximo e o mundo seria um lugar mais pacífico, talvez. 

Mas a beleza da vida está na ausência de fórmulas. Só assim o embrião do eu que existe dentro de você desde que você é criança pode desabrochar e você poderá se tornar sua própria natureza e sua própria identidade- única. 

A questão é que esse embrião não desabrocha em um passe de mágica. Não é tão simples assim. A busca pela Autenticidade cobra um preço alto, que nem sempre estamos dispostos ou temos forças psíquicas para pagar. 

Na minha visão para regarmos esse embrião e permitir seu crescimento precisamos do autoconhecimento– que se dá ao longo de toda a vida e mistura um processo doloroso de visão da realidade, aceitação das próprias limitações, mas também descobrimentos de novas potencialidades. 

Também precisamos regar o embrião com uma capacidade de suportar as angústias e dificuldades- que são próprias do que é ser humano em sua completude. Aprender a suportar é essencial, e muitas vezes é o que salva de novos problemas que possam surgir ou que podemos criar para nós mesmos. 

Uma pitada de descanso em si mesmo também é necessário. Erramos muito como humanos e saber se abraçar com compaixão e descansar em si, ou seja, descansar no seu próprio eu também é indispensável. 

Uma dose de inconformismo com a própria vida também é necessária para fazer esse embrião desabrochar- com ele me refiro a não ser nada além de suas amplas capacidades, não aceitar suas próprias desculpas e se inconformar com o pouco que você mesmo está tirando de você. Para isso é necessário uma alta dose de esforço, persistência e disciplina– pois todos os estados desanimadores da alma vão te encontrar, e a disciplina vai te manter no foco do que você busca para si, seja interiormente, seja exteriormente. 

Para finalizar só por agora o bolo da autenticidade, também é essencial aprender a lidar com os fracassos e frustrações– só assim ocorre o crescimento, já que não se nasce pronto- o embrião precisa ser regado por você mesmo para desabrochar. 

A felicidade vem das conquistas internas. Ela não é um estado permanente. Ela acontece naturalmente a medida que sua vida está de acordo com sua luta interna por sentido. Cada um tem sua própria Autenticidade. A dor faz parte do processo. Você também é a angústia como diria o filósofo Luiz Felipe Pondé. Aprender a desabrochar esse embrião não é tarefa fácil. É preciso muita coragem, humildade e perseverança

Créditos: O conceito de “embrião do eu” pertence ao psicanalista Flávio Gikovate. 

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There is no such thing as One Truth

There is no such thing as One Truth (singular with a majuscule “T”), but, rather, we must acknowledge the existence of many truths (plural, with a minuscule “t”)”– Morris B. Holbrook.

Holbrook é um famoso pesquisador e autor no campo do marketing. Precisamente no campo das experiências de consumo. Por qual razão trago ele hoje? pela reflexão de que não importa de qual área você é, um grande autor e profissional pode SEMPRE te acrescentar conhecimento. Seja de qual área for, se estamos abertos, podemos aprender muito com qual profissional que seja.

Nós humanos tendemos a dividir o conhecimento em faculdades. Então existem as diversas disciplinas e profissões. Mas não paramos para pensar o quanto elas podem estar interligadas e proporcionarem grandes insights até para nosso próprio ramo de atuação.

Como Holbrook se refere- não existe uma só verdade; existem muitas verdades. Estarmos abertos para abandonar nossas verdades e crenças mais profundas e descobrirmos novas e não absolutas é o que faz com que o ser humano se desenvolva. 

Uso a palavra desenvolvimento porque evolução não significa melhoria. Só mudança. O desenvolvimento é o que pode permitir uma abertura de consciência, a capacidade de lidar com a incerteza, e os mais profundos questionamentos. Sábios são os que não tem certeza, se questionam e questionam também a realidade ao seu redor. 

A máxima de Sócrates se mistura com a de Einstein que quanto mais se sabe, mais se percebe que nada se sabe, ou quanto maior é o conhecimento, menor é o ego. 

Que questionemos sempre as verdades absolutas e procuremos explorar novas verdades, não ingênuas e passionais, mas as que são fruto de humildes reflexões e do próprio não saber. 

As escolhas que temos que tomar na vida são muitas, complexas, ambivalentes e não conseguimos saber ao certo se nos levará para o caminho desejado. Como ter certeza? Não há. Precisamos aprender a conviver com o espaço da dúvida. Mas uma coisa é certa: quando fazemos o que amamos, entregamos o máximo de nós mesmos e nos esforçamos – apesar dos resultados externos, nosso interior estará em paz. 

Sempre me questiono sobre o futuro e sobre respostas. A verdade é que não há respostas e ninguém as detém. Não existem fórmulas- como já abordei várias vezes aqui. O que existe é a vida adulta, a singularidade e a responsabilidade. O que existe são as escolhas diárias e o ser humano que assume, também, todos os dias, todas as consequências delas. 

A vida adulta tem seus profundos desafios, tem seu lado encantador, temos que abrir as portas para ela, confiar relativamente em si e dar nosso melhor para encarar todas as suas facetas.

“There is no such thing as One Truth” … estamos preparados para lidar com esse conhecimento? Estamos abertos à incerteza? Ou queremos deter todas as verdades? ou apenas uma só?

A segurança, na minha visão, tem de vir não da certeza de verdades, mas da edificação da dúvida- no sentido de aprender a conviver com o que não sabemos, a contingência da vida, nosso mundo interno e, relativamente, lidar com escolhas entre o BEM e o BEM- as mais difíceis de se fazer.

Melhor ficarmos com o plural, ao invés do singular …

Assim podemos perceber a pluralidade da vida e da existência, e construir nossa coragem para fazer nossas próprias escolhas e nunca negar nossa própria autonomia perante a vida.

Destaque

Vivemos de Paliativos e de Verdades

Vivemos de Paliativos e de Verdades- diria que os seres humanos vivem mais de paliativos que de verdades

Já dizia Lacan “Cada um tem a verdade que aguenta suportar”

Mas o paliativo também não é importante?

Estava refletindo e pensando sobre a diferença de buscas que demoram tempo para serem atingidas- porque é assim mesmo e o processo é doloroso versus as buscas imediatas, como por auto-ajuda e paliativos dos mais diversos. 

A medicina paliativa que é chamada de “Cuidados Paliativos” tem como objetivo proporcionar uma qualidade de vida para a pessoa que está morrendo, com algum quadro terminal ou crônico que não tem mais cura. O objetivo é fazer com que a pessoa viva dignamente e bem até os últimos dias de sua vida em todas as esferas- espiritual, física, emocional e de relações. A medicina entra então com uma equipe multidimensional para aliviar a dor e trazer um pouco de conforto perante o por vezes insuportável e inevitável destino de todos nós: a morte. 

O quão essencial é esse paliativo? Todos nós sabemos que vamos morrer, mas conseguir viver até o ultimo dia com o mínimo de conforto perante uma dor física e emocional é um alivio e um paliativo para a alma. Não enganamos a morte e o resultado, mas buscamos conforto no processo. E neste caso é transformador, além de ser um trabalho muito honroso e humilde: aceita-se a morte, mas vive-se dignamente até o fim. 

Já em relação ao lado emocional da nossa mente e o quanto somos afetados por ele em alguns momentos, as pessoas buscam paliativos para viver melhor suas questões existenciais, suas limitações, seus medos, suas angústias e seus sofrimentos mais profundos. Seja na auto-ajuda, nos discursos motivacionais, são diversas técnicas que surgem no mundo para cuidar do superficial.

Ainda acredito que a verdadeira mudança de vida e de percepção só vem quando tocamos as profundezas das nossas almas, angústias e limitações. E nela não tem “milagre”, ou “10 formas para ser feliz”, ou “segredos para o sucesso”. Repito: não existe milagre.

Tem que se ir fundo mesmo, encarar o vazio e o extremo da angústia existencial do seu ser, para depois começar a emergir das profundezas e perceber sutis mudanças na sua vida, na forma como você interpreta a realidade ao seu redor, age e reage e a própria autopercepção de si. Acredito nisso intensamente até o fim. Se tudo fosse simples não teríamos muitos dos problemas que temos hoje: obesidade, depressão, suicídio, ansiedade …. 

Mas onde o paliativo entra aí? Pois ver e mudar profundamente é um processo que necessita de sempre muita coragem para se enxergar, muita entrega e tempo. E às vezes pesa muito e é necessário respirar um pouco na superfície, pegar fôlego, e retornar novamente às profundezas. Esse respiro não precisa ser da ordem de uma auto-ajuda, mas pode ser através de buscas mais superficiais, que também são válidas para vivermos bem. 

É como quando você está no mar, nesse oceano que é o inconsciente humano; não consegue ficar muito tempo mergulhando no fundo, precisa muitas vezes subir à superfície para pegar ar. Além disso, tem alguns fundos que você não consegue penetrar mergulhando por si só; apenas com a ajuda de um submarino ou equipamento de mergulho (que na minha visão é a psicanálise). 

Mas viver com a verdade as vezes custa muito, e nós seres humanos temos uma tendência a buscar o paliativo, porque por instantes ele pode fazer você sair daquela situação difícil que está enfrentando, como que um respiro. Você pode até usar, por exemplo, um livro motivacional para ser melhor no trabalho e mais produtivo, dura um tempo, mas o seu estado original retorna porque a mudança não foi feita na profundeza, e sim na superfície.

Podemos sim fazer uso de paliativos para nos ajudar em momentos que precisamos ter força e realmente não encontramos; mas devemos sempre parar para olhar o fundo e investigar o porquê isso ocorre, só desta maneira as coisas serão realmente compreendidas e possibilitarão verdadeiras mudanças. Mas demanda tempo, por vezes anos .. essa é a verdadeira transformação. É preciso paciência e compaixão consigo mesmo e com suas limitações. 

Use o Paliativo se quiser. Entretanto não se esqueça de buscar sempre na escuridão (que nada mais é que ausência de luz) novas formas de encontrar seu mundo interior, possibilitando a construção de novas perspectivas. O mundo exterior poderá então realmente se transformar, com a mudança definitiva de suas ações e resultados, de forma natural depois que o processo todo estiver completo. 

Incito você leitor a uma reflexão: O que está sendo neste momento paliativo em sua vida? Qual é realmente o seu sofrimento por trás de suas ações? Você está buscando compreender e clarificar além? Na minha visão a primeira busca é opcional, a segunda é imprescindível para ter uma vida que realmente faça sentido. 

Se você ainda não começou a buscar o profundo, saiba que ele sempre dará um jeito de te encontrar- nas suas maiores dificuldades, limitações e sofrimentos. A verdade vai aparecer, você vai mascarar, mas ela pode se ocupar de novas roupagens durante toda a vida. Acredite que não é, de jeito nenhum, fácil mexer lá, mas a longo prazo vai se tornando leve e transformado- com a roupagem agora que você quiser dar, e com a sua escolha se tornando a sua força. 

Para finalizar cito uma frase de Jostein Gaarder do livro “O mundo de Sofia” e a pego para explicar a importância de conhecer as profundezas da sua mente pois “Só assim você se tornará um ser humano de verdade. Só assim você se tornará mais que um primata vestido.”

A vida que busca somente o paliativo nunca encontra a profunda verdade e transformação.

Faça sua escolha. 

Destaque

Que nos tornemos nosso próprio Si-mesmo: “Minha vida é minha ação”

O título hoje do meu texto é um pouco diferente. É uma citação de uma frase de Carl Gustav Jung, na qual ele diz “Minha vida é minha ação […] seria impossível separar um do outro”

Quando pensamos na vida como AÇÃO, percebemos o nosso protagonismo em nossas escolhas. Jung deixou um legado na clínica, na psicanálise e na vida de muitas pessoas até hoje. Desde sua infância ele se interessou pelo tema da personalidade, e suas reflexões desde muito cedo abrangiam seu ser mais profundo e a forma como nossa personalidade pode se desenvolver durante a vida.

Dentre suas diversas contribuições, está o arqueólogo da psique e o processo de individuação.  Basicamente Jung faz uma analogia da vida humana ao rizoma de uma planta- local em que jaz o acúmulo de substâncias para a planta retirar sua vitalidade.

Esse local, na minha humilde opinião, somos nós mesmos. A planta floresce e passa por todos os seus processos que são transitórios, mas o rizoma permanece fornecendo as substâncias necessárias. Na vida podemos perceber que diversos fatos acontecem; sejam acontecimentos bons ou ruins. E eles se alternam durante toda a nossa existência. Mas tem algo que permanece e é nosso ser mais profundo. Nossa personalidade e nossa relação consigo mesmo.

A vida é esse grande aprendizado– do autoconhecer-se e relacionar-se consigo de uma forma equilibrada, apesar de todas as dádivas e mazelas presentes. 

Jung nomeia um dos arquétipos de sombra: a sombra que existe dentro de cada um de nós, e que muitas vezes é difícil de aceitar, lidar e reconhecer. Nossos vícios e nossas limitações, nossa humanidade menos desejada …

A riqueza que Jung nos deixou com seu trabalho não pode ser sintetizada de forma simples. Esse não é o objetivo do post, apenas faço reflexões perante seus ensinamentos e é também uma forma de agradecimento pelo que deixou- já que na minha visão o conhecimento sempre salva.

Quando Jung aborda o processo de individuação, ele faz referencia ao tornar-se único, entender a nossa singularidade mais íntima e nesse processo complexo e individual, nos tornarmos o nosso próprio si-mesmo.

Essa busca é árdua e ela passa por diversos processos, e um deles é o que Jung chama de alienações do si-mesmo: é quando existe um despojar-se de si em direção ao exterior; um esquecer da própria singularidade em favor do coletivo. Por mais que isso seja visto muitas vezes como um ideal social, e uma virtude, é preciso cuidado e equilíbrio já que esse processo vai na contramão da individuação.

O esquecimento da própria singularidade não é saudável e não deve ser buscado. O coletivo deve ser sim considerado, mas isso não significa esquecer-se de si mesmo. E a pessoa responsável por essa ação e por esse constante lembrar-se é sempre nós mesmos. Esse é o grande desafio. Já que viver é estar na própria pele, para as coisas boas e as não tão boas assim.

O processo de individuação engloba o despojamento da persona, essa que nesse sentido é a máscara teatral falsa. Jung também utiliza o conceito de persona fora desde contexto falso e o engloba em sua teoria na conceituação psicológica.. mas isso é outra história.

Discorrendo sobre os arquétipos (possuem influência nos processos de individuação), Jung mostra que somente após as integrações do mesmo o indivíduo está pronto para a apropriação do eu pelo si-mesmo; momento no qual o self entra em ação, transcendendo o ego e promovendo a totalidade e a regulação da psique.

Alcançar essa integração é o ponto chave- já que esse processo de desenvolvimento da personalidade ocorre durante toda a vida, e não tem fim. Essa deve ser nossa busca mais constante e nosso gasto de energia. Pois as maiores recompensas desse estado de ser será usufruída por nós mesmos. 

Como Jung afirma, cada vida é um desencadeamento psíquico… mas esse desencadeamento também contém nossa AÇÃO. O processo de individuação passa pela índole inata de um ser, a coragem e a liberdade da decisão própria.

Se percebermos o quanto podemos fazer ao acordar, pela nossa ação e decisão própria- de forma análoga não só acordaríamos fisicamente, mas abriríamos os olhos mais frequentemente para a vida.

O legado de Jung permanece. A busca pela individuação é o que realmente vai trazer o indivíduo a um processo de desabrochar, que contém dádivas e maldições.

Jung diz que as dádivas permitem uma elevação do espírito e uma conexão com o todo. As maldições são as consequências das percepções mais nítidas de si mesmo, dos outros e do mundo.

Mas se estamos aqui para ser humanos, porque não sermos em sua totalidade? Não será um caminho fácil para quem se arrisca ao descobrimento de seu próprio ser- mas na minha visão é muito melhor que apenas existir com a casca, de forma superficial e sem sentido. A casca nunca será igual e nunca irá permitir que a riqueza do interior transborde as fronteiras da pele.

Como acrescentou um amigo querido em uma de nossas reflexões que a vida é a consequência de nossas ações e INAÇÕES, essa que também não deixa de ser uma forma de ação. Qual vai ser a sua?

Busque sempre o melhor para si, e esse melhor contêm a busca de quem você realmente é. Te desejo coragem, força e ação– todos os dias. 

VALENCIA

Destaque

Ahhh ….

Como as ondas

Que vem e vão

Acalmam e se intensificam

Você me trouxe tanto

Me mostrou coisas importantes

Difíceis

Fez com que minha própria natureza interna se abrisse

A uma nova forma de ser

De se olhar

Se portar

Sentir

Viver

Aprendi intensamente em tão poucos meses

O que prova mais uma vez que o tempo é relativo

Quando nos entregamos à vida e ela nos abraça

Nos presenteia

Nos surpreende

Espanha, sou uma privilegiada

Por ter tido uma relação com você

Obrigada pelo mar

Pelos ensinamentos

Pelas dificuldades

Pela força nas superações

Saio daqui como uma Amanda

Que não é diferente

Mas que acordou coisas importantes dentro de si

Você me deu o terreno

Para que meu ser íntimo e intenso florescesse

Você me deu o terreno

Para os meus mais doces plantios

Alguns já desabrocharam enquanto ainda estive aqui

Outros sei que são sementes para mais tarde

Mas você proporcionou oportunidades

Únicas, incríveis, indescritíveis

Que alcançaram meu coração

E me tornaram mais humana

Valencia

Serei extremamente grata

Por sua natureza

Ter encontrado a minha

E nessa mistura que levarei para sempre dentro de mim

Vivi momentos intensos e verdadeiros

Sensações novas

Descobrimentos

E principalmente muitos desejos

em continuar viva

em realizar

em ajudar

em transformar

O oceano que vivi em ti

Agora vivi em mim

E levarei ele comigo

Para explorá-lo todos os dias

Nessa inesgotável fonte de vida

Energia e amor.

A.L.P

Destaque

A Vida Necessita Esforço

Faça um teste com você mesmo- quando não estiver se sentindo bem algum dia, utilize o esforço a seu favor e faça algo nesse dia que demande muito esforço e que você não tem vontade de fazer– veja o resultado depois.

Nossa mente, regida pelo princípio da busca do prazer e a evitação do desprazer, muitas vezes, busca o caminho mais fácil ao longo do dia. Mas quando modificamos essa rota por ação e vontade própria- ou seja- colocamos uma considerável carga de esforço e dedicação, algum sentimento momentâneo pode até ser de desprazer- mas a sensação da finalização é de profunda gratidão e emoções positivas.

Comemoro hoje neste post a apresentação do Research Work do meu mestrado. Ainda não é a apresentação final da tese pois tem sempre coisas a melhorar, mas já é uma grande conquista.

A carga de esforço que dediquei, a noite mal dormida antes da apresentação de ansiedade (natural do momento), os medos, as angústias, os cansaços e até o esgotamento provisório- tudo isso fez parte do processo. Mas a sensação positiva que isso traz depois é indescritível.

Por isso defendo com todas as minhas forças que a vida NECESSITA esforço. Todos nós estamos fazendo isso todos os dias ao acordar. Mas as vezes fazemos mais, e outras menos. Quando digo que necessita esforço- me refiro a canalizarmos uma parte de nossa energia (que não é inesgotável) para realmente exercer uma carga grande de esforço. 

E algo que você tenha protagonismo e escolha. Não adiante olhar para fora e justificar seus fracassos com base no sucesso ou na sorte alheia. A única forma de atingir o verdadeiro conhecimento e a verdade é olhando para dentro e vendo o que é possível VOCÊ fazer.

Fica muito fácil comparar com o outro e dizer que para o outro é mais fácil. Na verdade é que nunca vamos saber- só estamos na nossa pele. Então olhe para dentro e para você.

Quando narro sobre todos estes fatos e a carga de esforço envolvida, não me refiro a exaustão emocional ou burnout- ou a algo que possa te desestabilizar- temos que compreender muito bem nossos limites- e cada ser tem sua própria carga de esforço para desempenhar na vida. 

Mas também devemos compreender como nossa mente funciona. Como ela nos engana. E saber diferenciar quando realmente estamos utilizando desse esforço e nos deliciando com os resultados- ou quando a carga está alta e prejudicando nossa própria saúde mental.

É difícil diferenciar. Só com muito autoconhecimento e compreensão interna.

Não defendo que você deve se esforçar para os outros, ou para a exigência de sucesso e produtividade do mundo. Estou abordando o esforço do ponto de vista do benefício pessoal. Sim, pois a pessoa que mais se beneficiará de suas próprias ações é você mesmo.

Comemoremos o esforço. Não o doentio, mas o saudável- que pode te proporcionar uma melhor qualidade de vida, de relacionamento, de vivências. 

O esforço da escolha consciente e do protagonismo sobre a própria vida, sem justificações. Saber ver o próprio fracasso humildemente e mudar a rota olhando para dentro e não para fora- caso existir infelicidade e insatisfação.

Saiba diferenciar muito bem isso dentro de você, e não dê desculpas de “O mundo exige cada vez mais, o sistema …” Sim, tudo isso existe- mas você não precisa fazer pelo mundo. Pode fazer por você- estar saudável e ainda aproveitar o processo. O esforço pode te trazer mais perto dos seus objetivos e permitir que você se sinta melhor com a própria vida.

Já fez algum esforço hoje? Experimente, se conheça, se respeite, mas principalmente- não se esqueça de você e dê valor aos seus desejos mais profundos e às suas verdades. É desafiante porque a parte destrutiva da nossa mente entra em ação muitas vezes. Mas é possível ir equilibrando essa balança e se sentir bem. 

No fundo, a vida considera distintas variáveis- e o esforço com toda a certeza é uma delas. Esse que é canalizado em ações construtivas e verdadeiras para cada indivíduo.

A vida pede ação, e algumas vezes, para sentir-se bem é preciso esforço. Vá atrás dos seus sonhos, de tijolo em tijolo- vá viver de verdade. Tudo vale a pena quando abraçamos a vida e nos entregamos totalmente à ela. 

Ironia: Podemos ser mais? ou já somos no momento o melhor que podemos ser?

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Engraçado como a vida funciona. Sempre achamos que podemos fazer mais em um aspecto ou em outro, ou melhorar, é a lógica capitalista que faz com que sintamos constantemente uma insatisfação- não em tudo, mas aqui ou ali. 

Neste aspecto que se encontra presente a grande ironia pois a estranha questão é que já somos o melhor que podemos ser- no atual momento- presente. Ao contrário de gurus ou fórmulas mágicas que circulam por ai a ideia de que você deve fazer tantos passos para atingir o sucesso e entre outras coisas, o fato de sermos no momento o melhor que podermos ser não precisa te desestimular. Isso não significa que você está fadado ao “fracasso” em algumas áreas ou a estar exatamente onde está agora, mesmo se infeliz. 

Significa apenas verdade do momento. E quando digo momento considero segundos, minutos, horas, dias, anos. Tudo que você faz no presente, no seu dia de hoje por exemplo, é o que você dá conta e ali naquele momento cabe a expressão do seu ser- repito, naquele momento. Isso quer dizer que será assim para sempre? NÃO. Isso quer dizer que você não poderá melhorar? NÃO.

Existem diversos livros de auto-ajuda, fórmulas mágicas para as mais diversas realizações. Mas o que realmente importa e é efetivamente conquistado como uma mudança real leva tempo, paciência, dedicação, persistência e um esforço que não vem de soluções mágicas. É construção

Como canta Chico Buarque “Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego”

A construção da personalidade, de ser quem se é e permitir que a vida viva através do seu ser. Em um networking que fiz hoje com um psicometrista inglês Nikita Mikhailov, o qual cresci muito e adquiri imensos conhecimentos, durante nossa conversa ele utilizou o termo “personality grow”, já que estávamos falando sobre crescimento pessoal

O conceito de crescimento da personalidade abate as fórmulas mágicas. Como nosso corpo se desenvolve, nossa mente e nossa personalidade também. 

E esse desenvolvimento é com o tempo. Não é de uma hora para outra, e não cai do céu. Se prestarmos atenção em pessoas as quais admiramos, podemos ter a certeza que para estarem aonde estão foi demandado muito tempo, esforço, paciência, disciplina, persistência, constância e por ai vai …

Aparece então a ironia pois na verdade já somos no momento o melhor que podemos ser. Mas não somos tudo o que podemos ser. Isso abarca outras variáveis, ações, formas de pensar e posturas adquiridas perante a vida. O auto-questionamento é essencial. A análise diária de consciência e o mais importante- buscar respostas, mas principalmente saber fazer as perguntas corretas.

Se questionar com as perguntas certas é imprescindível. Ter autonomia e criar a sua própria forma de pensar. E que bom que existem pessoas no mundo que nos relembram disso nos momentos aos quais estamos perdidos.

Então, caso encontrar alguém perdido por ai- relembre essa pessoa do protagonismo que ela tem sobre sua vida. Mas também mostre a realidade- é possível, mas não é fácil e não é rápido. Mostre como a realidade que há no momento é o que ela deu conta de fazer NAQUELE MOMENTO, mas que ela pode mudar se quiser, e fazer novas escolhas, expandir horizontes e ter ajuda para isso. 

Hoje, querido leitor, você é e está sendo o melhor que pode ser. Mas se está insatisfeito ou não gostou de algo- pare e pense. Eu realmente quero buscar isso para mim? Me faria mais feliz? O que poderia ter feito diferente para estar mais satisfeito com a minha vida? Isso não significa que você deva estar insatisfeito com o que fez ou tem agora. Viver com um sentimento de insatisfação constante não é viver. Mas também não significa resignação. Não significa que você não pode mudar o rumo, ou a escolha em busca do que sente ser melhores condições para si 

E sabe que as escolhas que nos deixam mais felizes no dia não são as que vem das grandes conquistas- mas sim das pequenas. Ligar para um amigo que não vê a tempos; cuidar de você; fazer networking com alguém que te ensine coisas novas; ler um bom livro; dar um abraço apertado em quem você ama; beber um café quentinho, olhar o céu.

Claro que as grandes conquistas nos transbordam e enchem nossa alma de energia, mas elas são poucas durante a vida. Depende claro do que você chama de grandes conquistas. O que quero dizer é que a vida acontece a todo instante

As vezes nos perdemos das coisas realmente significativas- mas sempre é tempo para lembrar e colocar elas no nosso dia. Estejamos sozinhos, acompanhados, tristes, alegres, não importa o seu estado interno- sempre é tempo para viver. Sempre é tempo de deixar a vida se expressar através do seu ser.

A rosa é sempre mais linda ao vivo e na total expressão do seu ser. Sua sombra não mostra de fato quem ela é. Por isso não podemos viver a sombra de nós mesmos. Precisamos lutar todos os dias para expressar a vida, por inteira.

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

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O que você leva na bagagem de mão da sua vida?

Muitas vezes quando vamos viajar, levamos sempre mais que o necessário. Levamos roupas a mais, sapatos, tudo para quando terminarmos a viagem percebermos que essas coisas a mais não fizeram qualquer diferença. Mas mesmo assim levamos.

Todavia, também possuímos dois tipos de malas: a que vai no porão do avião, e a que levamos na mão com a gente. Normalmente dividimos as coisas e levamos as mais importantes na mala de mão por medo que aquilo extravie e fiquemos desamparados.

Pode ser uma troca de roupa- aquela que gostamos muito ou outras coisas realmente necessárias.

Começo o post com uma reflexão: O que você leva na bagagem de mão da sua vida, querido leitor?

Levamos imensas vezes cargas desnecessárias para nós. Vivemos carregando conosco mágoas, ressentimentos, medos, angústias e é isso mesmo que eu disse- carregamos. Pois tirando as exceções de uma doença mental que realmente está imposta em algum momento, escolhemos carregar coisas que pesam nosso corpo e nossa alma, e nos deixam para trás. 

Nos deixam para trás de nós mesmos, ou do que realmente podemos viver para sermos felizes. 

Então repito a pergunta: O que você leva na bagagem de mão da sua vida?

Não só em momentos de crise, mas todos os dias precisamos fazer este exame de consciência- o que hoje estou trazendo dentro de mim que pode prejudicar ou melhorar minha vivência diária? 

A técnica de atenção plena do mindfulness não é uma terapia alternativa, mas já está sendo usada em conjunto com outras técnicas para tratar doenças mentais.

A atenção plena é sair do piloto automático e do modo ATUANTE da mente, para entrar no modo EXISTENTE. Ela pode te ajudar a dar o primeiro passo em rumo a uma vida em que você só carregue sua mala de mão, com as coisas mais significativas para você. Ela auxilia o ganho de tempo, o desenvolvimento da paciência e da percepção que irão nutrir todos os dias a busca por estas coisas- as que realmente importam PARA VOCÊ.

Isso varia entre os indivíduos. Todos nós somos únicos, e o que eu escolho colocar na minha bagagem de mão pode ser o que você escolha colocar na de porão. Independente das escolhas, que ufa- são livres, a importância de pensar suas próprias prioridades é o que vai permitir que você seja protagonista de sua vida, e como diz Leandro Karnal “sócio majoritário de sua existência”. 

Não se pode ter tudo e nem querer levar tudo. É preciso escolher. Mas é essa mesma escolha que permite sua liberdade, e não o oposto. Pois essa escolha implica parar para pensar, sair do automático e analisar mesmo o que realmente vale a pena e faz seu coração pulsar. O que te energiza e o que te desgasta. E como você quer viver os dias que possui aqui. 

Busque ser livre e escolher todos os dias tudo que quer levar na bagagem de mão. BUSQUE- não é pronto, não é possível sempre, pois no meio de tudo isso temos nossas falhas humanas e imensas limitações. Mas buscar é não se resignar. E isso é o que faz toda a diferença.

E ah! não é para sempre viu? A inconstância da existência é também o que traz sua beleza. Escolha todos os dias, troque se necessário. Retire uma coisa em um dia e coloque outra. Vá se adaptando a sua própria natureza interna, seus anseios e desejos mais profundos. O mais importante é não levar excesso.

Excesso de bagagem pesa, dói para carregar e traz desconforto. A vida já tem os seus próprios, não precisamos de mais.

Escolha ser leve com sua bagagem, e quando digo isso não é pensando no superficial. Como disse o escritor francês Paul Valéry “É preciso ser leve como um pássaro e não como uma pluma”. 

O pássaro escolhe seu voo e bate as asas em busca do seu próprio vento- bem diferente da pluma. 

Escolha sua bagagem de mão, seu próprio vento da vida e saiba exatamente para onde quer voar e bater suas asas! Esse saber passa por etapas de não saber, por mudanças de rota, mas o constante desejo de busca é o que te levará ao caminho certo para si. Esse é o diferencial.

Viaje todos os dias com o melhor que possui em sua bagagem, e o resto do caminho, como diz o poeta espanhol Antonio Machado, se faz caminhando!

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2- A Vida pede Humildade

Guimarães Rosa através de um dos seus lindíssimos poemas, descreve muito bem na minha opinião o cheiro que a vida tem, já que 

“O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria,

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem”

Além da coragem, a vida pede humildade. Algo difícil de ser conquistado quando a vaidade aparece para fazer morada. 

A vida pede humildade exatamente pela razão de mostrar constantemente a nossa insignificância. Humildade com as dificuldades dos outros, já que nós também temos nossas próprias dificuldades. Humildade com nossas conquistas, já que também tivemos muitas falhas e frustrações, principalmente para chegar lá. Humildade com o saber, pois percebemos a vasta gama de conhecimento que nunca nos será totalmente alcançado. Humildade com a morte, uma hora é o outro, e uma hora somos nós.

Como disse Guimarães Rosa “aperta e afrouxa”; uma hora estamos bem, em outra não estamos. “Sossega e desinquieta” ela mesma, do jeito que ela quer, e nós achamos ainda que no fundo temos algum controle.

Controle temos mesmo só sobre o trivial, o que nos diz respeito. O que já é muito e é maravilhoso. Precisamos usufruir disso e agarrar nossa vida e sermos protagonistas de todas as nossas ações.

Mas é a vida que controla ela mesma. Ela é a dona de si mesma. Portanto, a humildade se faz necessária.

Somos seres sempre vulneráveis. Respeitar a vida já é um ato em si de humildade (use máscara). Ela conversa com a gente e vai mostrando aos poucos como ela funciona. Assusta e dá medo, mas mais uma vez como disse Guimarães “O que ela quer da gente é coragem”.

Destaque

1- O cheiro da Vida

Amo esse cheiro da vida

O que sentimos quando andamos pela rua

Cruzamos com a fragrância de um perfume

Quando sentimos o cheiro de pressa

O ar quando se levanta no asfalto com a passagem dos carros

As conversas na esquina

Os olhares de preocupação no trânsito

Os Sorrisos da criança indo para a escola

O companheirismo de uma relação

O trabalho árduo da construção

Se prestarmos mesmo atenção, em todos os momentos a vida se faz presente

Um presente

Ela comunica com o cheiro, o andar, o barulho, o olhar

Ela se comunica das mais diversas formas

E como é lindo o cheiro da vida

Pois apesar de suas dificuldades e limitações

Ainda assim é a vida

E enquanto há vida

Há esperança

Há desejo, mesmo que seja do fundo, de que as coisas possam mudar

Melhorar

Se modificar

Maturar

A vida ensina até pelo seu cheiro

Se nos dermos a chance de estarmos atentos. 

Que bom que há vida, e enquanto ela existir, todos os dias devem ser celebrados

Nem que seja por um só momento. 

A.L.P

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Sustentação

Quando dou um google no significado de sustentação, me aparece: Ação de sustentar; manutenção, sustento, conservação.

Essa palavra engloba muitos sentidos, e um deles é a importância de sustentarmos nossas ações, escolhas e inclusive desejos. 

Muitas coisas que pensamos ou ideias que temos na vida não encontram motor para andarem em direção a sua realização. Por vezes desistimos. Sim, nós seres humanos temos dificuldades em sustentar muitas das coisas que queremos. Seja estudar uma nova língua, emagrecer, aprender algo novo, iniciar um novo curso ou até colocar em prática aquela aspiração profissional de nosso desejo.

Acredito que isso aconteça por diversas razões, e por distintos mecanismos de funcionamento da mente humana. 

Como então sustentar algo que desejamos?

Para que uma casa se sustente ao vento ou as tempestades do mundo exterior é preciso que o alicerce dela esteja fortificado. Essa frase eu roubei da minha mãe, créditos à ela. 

Então, querido leitor, eu te questiono: Como você irá formar seu alicerce interno? Aquele que irá te sustentar perante as adversidades da vida? E irá também permitir que você conquiste seus sonhos?

A subjetividade humana e a complexidade da vida não permitem respostas prontas. E que bom. Desconfio e não acredito em quem providencia fórmulas mágicas para alcançar determinados objetivos. Acho que quem já experimentou pode ter percebido que isso não se sustenta. As vezes funciona por um período. Outras vezes nem funciona. 

Na minha reflexão interna sobre sustentação de ações, acho que duas variáveis principais precisam ser consideradas: o esforço e o dia a dia (presente). 

Tendemos a projetar muito para o futuro ou remoer demais o passado, mas na verdade isso é apenas uma autossabotagem interna. Aquele ditado popular nunca fez tanto sentido “Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. 

O problema é que deixamos. Muitas coisas. Seja por quais diversas razões. 

Mas repito a pergunta: Como formar nossos alicerces internos?

Aqui vai algumas de minhas reflexões, sem certezas ou verdades absolutas, apenas uma permissão ao pensamento para um encontro de possibilidades. 

É preciso admirar quem se é e o que se está construindo. Acho isso crucial. 

É preciso ter compaixão consigo mesmo. Habilidade difícil de ser desenvolvida.

É preciso ter compaixão com o outro. Perdoar também é algo que deveria ser buscado sempre.

É preciso tratar as próprias dores. Uma casa só estará bem construída se conhecer bem seu material e as limitações do mesmo.

É preciso escolher a vida que se quer ter e lutar todos os dias para sua realização.

É preciso fazer os esforços necessários para alcançar os resultados desejáveis.

É preciso entender as limitações do momento e tentar descobrir até onde se pode ir.

É preciso construir uma confiança interna.

Dessa maneira, se torna necessário construir todos os dias este alicerce interno e cuidar dele durante o tempo, para que ele se mantenha igual a uma obra de arte, transcendente ao tempo, já que é interno.

Que seu alicerce interno seja o património mundial de sua humanidade. E que você tente todos os dias construí-lo um pouco através do olhar para dentro de si. 

É exatamente por está razão que acredito na saúde mental preventiva. Não precisamos esperar que fatalidades ou dificuldades apareçam no caminho para buscarmos ferramentas para enfrentá-las. Podemos construir nossas próprias ferramentas internas todos os dias e nos esforçarmos para ir à luta de nos tornarmos conscientes de quem somos, das nossas limitações momentâneas, do que estamos dispostos a realizar ou não, e o que precisamos continuar tentando. 

Cada um possui as pistas dentro de si. Siga as próprias instruções internas e esteja disposto a passar por este longo processo. 

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Administrar a vida: o exame de consciência diário e fulcral

Todos nós precisamos de uma dose de administração na vida. 

Administração da rotina, do tempo, das questões emocionais que ainda não tem solução, das ansiedades, das angústias …

Então eu te convido a refletir: como você está lidando e trabalhando com a administração da sua vida?

Ela tem que ser reformulada, pensada, e modificada em muitos momentos. Não tem um jeito certo, tem o seu jeito certo e o que te traz tranquilidade.

Perdemos muito tempo reclamando, em redes sociais, ou simplesmente com preocupações desnecessárias. Como já dizia o filósofo Epiteto, precisamos nos ocupar do que nos cabe, do que é de nossa responsabilidade. O resto é simplesmente resto, e não devemos tentar controlar. 

Isso é um grande desafio, parece fácil, mas é só uma ilusão de facilidade. A verdade é que gastamos muito tempo do nosso dia com coisas desnecessárias. Depois achamos que não temos tempo para o que realmente importa. Um planejamento pessoal é essencial para que as conquistas pessoais mais genuínas e importantes sejam alcançadas.

Não só um planejamento, mas um suporte emocional, mental, físico e várias outras variáveis que se cruzam para determinar a vida de todos nós. 

É preciso parar. Parar e realmente pensar o que é importante e com o que estamos gastando nossa energia e nosso TEMPO (a coisa mais preciosa que existe).

Se pensarmos bem, tudo que não tem solução pronta precisa ser administrado. E a maior parte das coisas da vida não tem uma fórmula pronta, e sim precisam ser administradas todos os dias. Não existe solução mágica para, por exemplo, “ser magro para sempre”. É um esforço diário e contínuo para o resto da vida. A mesma coisa em relação ao dinheiro, exceto uns mínimos casos que não precisam se preocupar com ele, é preciso administrá-lo se quisermos tê-lo para fazer as coisas que desejamos.

Tudo na vida precisa de administração e cuidado. E isso necessita ser feito todos os dias. Nada fácil. Mas se não tivéssemos que fazer isso, o que seria o viver? com tudo já pronto ao nosso dispor? Não creio que seríamos felizes. Ao mesmo tempo que o que aconteceria se não tomássemos banho todos os dias?

Já parou para fazer essa auto-reflexão hoje? Ela precisa ser realizada todos os dias- um exame de consciência. Mudar rotas, buscar novos trajetos e arriscar diferentes formas de transformação é o que faz a vida valer a pena.

Caso contrário irá sempre existir a mesmice de uma vida longe de todas as potencialidades que um ser humano poderia exercer. Potencialidades essas únicas de cada ser. 

Falta de Educação

Nunca entendi muito bem as pessoas mal educadas

O que se passa dentro de você?

É frustração, inveja, ressentimento, crise dos nervos?

E o que o outro tem a ver com o seu mal estar?

Falta educação, mas também tantas outras coisas …

A falta de educação mostra que a educação vai muito além dos livros, escola, universidade, mestrado, doutorado, … já viu né?

Na verdade, ela vai ao lado oposto disso

Ela tem a ver com a sua colocação no mundo, as raízes interiores

Pode ser passada de geração em geração, por familiares, o que alguns costumam chamar de “Berço” ou a famosa expressão “O outro tem berço”

Ou ela vai de encontro oposto ao que você aprende no seu ambiente

A verdade é que ela depende do sujeito, enquanto ser pensante e de linguagem, no seu existir pelo mundo

A falta de educação só mostra ao outro a sua dor

Daquelas bem grandes

Profundas da alma

Mas que te engasgam, te envenenam.

A falta de educação, sem mais nem menos, entrega as cartas da sua vida

Insuficiente e mesquinha.

Não mostre a sua dor ao mundo

Trabalhe ela internamente

Quem sabe você não consegue um espaço de melhor convivência

Dentro de você em primeiro lugar

Já que o seu azedume direcionado ao outro

Só mostra o quanto é difícil viver ai dentro.

O segredo do coração

Vou te contar um segredo, querido leitor ou querida leitora

No seu coração há espaço para vários amores

Aqueles que você leva contigo, que te modificam e te transformam

Aqueles que nunca se vão, pois estão dentro de você

Amar nunca é demais

Amar nunca é desperdício

É o que vale a pena nesta vida

Ame o seu próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39)

Não existe amor maior, um só pode existir quando o outro também existe.

Você tem capacidade de amar? Seja a si mesmo, seja ao outro?